Welcome To Dangerous Friendship


Bem Vindos ao Blog-Site da história Perigosa Amizade.
Aqui estão postados os capítulos da primeira e segunda temporada da história. Você pode achar o link dos capítulos diretamente no site www.perigosaamizade.webnode.com/ ou aqui, na fileira de capítulos abaixo do perfil do blog.
Não comece a ler pela última postagem abaixo se não for o capítulo 01x 01 Amigas Para Sempre - pois provavelmente será o último capítulo postado por nós, então, se você não acompanha a história, saberá de fatos adiantados.
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Obrigada pela atenção, pessoal. E boa leitura. Espero que acompanhem Perigosa Amizade até o fim, por que enquanto houver leitores haverá história.

Com carinho, Gizella, escritora.



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Capítulo - 01x 35



ADEUS, AMIGO!


Os ponteiros do relógio pareciam estar parados. De um e um minuto Small olhava em seu relógio de pulso, na esperança do tempo passar mais rápido. O que era inútil, claro.
Sentada, praticamente sozinha, nas cadeiras de espera de uma sala branca, vasta e perplexa, Small esperava angustiada por sua vez de entrar e fazer o teste – a prova.
Sem ter o que fazer, seu pensamento se focava em tudo o que ela queria esquecer: Em Sean, no colégio, no baile, na prova.
Se estava fazendo a coisa certa, porque Small se sentia incompleta? Era como se faltasse algo, alguém, algum momento. Que nunca existiu, mas ela sentia falta.
Irritada consigo mesma, Small bufou e olhou em seu relógio. Haviam passado dois minutos desde a última conferida.
- Posso me sentar? – perguntou um menino alto a ela.
Small olhou para cima antes de responder.
Todas as cadeiras da imensa sala estavam vazias e ele queria se sentar ao lado dela. Small desconfiou, mas balançou a cabeça respondendo que sim.
- Obrigado – agradeceu ele após acomodar-se na cadeira ao lado da dela.
Sem graça, Small ajeitou a franja castanha e lisa do cabelo, virando o rosto pro lado contrário da visão do menino.
- Nervosa? – Perguntou ele.
- Sim, bastante. E você? – Small forçou um sorriso e o encarou.
O garoto tinha cabelo castanho escuro, liso e caído sobre a testa, tapando em partes o óculos de grau que ele usava - fino e elegante.
Ele retribuiu o sorriso.
Também tinha um olhar firme e olhos escuros, de um castanho quase preto. E embora fosse alto, magro, de pele branca e com um sorriso perfeito - com todos os dentes branquinhos e no lugar - a expressão forte no rosto dele e o olhar penetrante, para Small, eram o que mais chamava atenção.
Ela sentiu vontade de perguntar se ele havia usado aparelho para corrigir os dentes, mas no momento, seria uma pergunta inadequada.
- Também to nervoso. Mas mais ansioso eu diria – ele assentiu com a cabeça.
- Ansioso? Só porque vai fazer a prova que pode mudar a tua vida? Para com isso!
E ele riu.
Pela primeira vez Small se sentiu engraçada e um pouco importante. Ela parecia estar aliviando a ansiedade dele.
- Você parece ser gente boa. Vai fazer a prova pra que? – Perguntou o rapaz.
- Pelo mesmo motivo que você, com certeza. Quero ir embora, estudar em um colégio melhor e o mais longe possível.
- E quem disse que eu quero isso? – Ele balançou a cabeça enquanto sorria modesto e ajeitava o óculos.
- Não quer? Quer o quê então? – Perguntou confusa. Para ela, todos deviam querer a mesma coisa.
- Não quero ir embora, eu amo São Paulo. Somos fodas, por favor. Indústrias, empresas grandes, os melhores shows, os maiores eventos, os prédios. Moramos na cidade que nunca dorme, porque eu ia querer ir embora? Minha família mora aqui, meus amigos. Quero mesmo é testar meu conhecimento já que essa prova é uma das mais difíceis. E depois quem sabe, se eu passar, acrescentar isso a algum currículo – ao mesmo tempo, ele mudou a expressão do rosto. Parecia esperto e ter mil idéias passando por sua mente.
Small sorriu fraco. Aquelas palavras haviam a feito pensar sobre seus planos para o futuro. Será que estava certa do que queria fazer?
Small apenas baixou a cabeça e olhou em seu relógio de pulso, novamente. Os ponteiros marcavam quase oito da noite. O baile do colégio devia estar no auge. Com todos os convidados chegando, os pares se encontrando, os casais se beijando. A música, a festa, a despedida. Small refletiu em pensamento se não queria estar lá, mas logo o rapaz ao seu lado a fez despertar e voltar a si, puxando conversa:
- E qual é o seu nome?
- Small e o seu? – ela o olhou, sem erguer a cabeça.
- Thiago. Mas meus colegas me chamam de Danone, não me pergunte o por que.
- Por quê? – Small riu.
- Falei pra não perguntar, droga! – Thiago forjou uma expressão derrotada e continuou – É uma longa história, quer mesmo saber?
- Sim.
- Mas daqui a pouco chamam a gente e eu vou estar na metade da história, não vou deixar você ir sem eu terminar – afirmou ele, decidido.
- Ih, então o que faremos? – Small fora dramática e, Thiago sorriu.
- Sairemos após a prova, pra relaxar.
- Bem, eu não tenho nada pra fazer.
Os dois se olharam e sorriram. Ambos ao mesmo tempo.
Small colocou a mão sobre seu relógio de pulso, tapando-o de sua vista. Não queria mais ver as horas e nem pensar no baile. Aliás, ela não precisava mais se preocupar com o tempo, Thiago a faria companhia - a noite toda se ela quisesse.
- Conte-me a história agora – disse Small, olhando-o de cabeça erguida e já mais à vontade quanto ao novo companheiro da sala de espera.
Enquanto isso, já em casa e em seu quarto, Roxy se arrumava sem vontade para o baile.
Ela mal encarava o espelho. Soltou os cabelos, passou as mãos por ele – desembaraçando os fios - e abriu o armário de sapatos, do qual guardava além de seus calçados também umas caixas lotadas de fotografias. Tanto antigas, quanto recentes.
E entre todas as fotos, uma jogada acima das demais chamou sua atenção. Roxy esticou o braço para pega-la.
Ela suspirou e sentiu suas pernas ficarem fracas. Roxy sentou-se no chão e continuou a olhar pra fotografia na sua mão. Era tão triste e um aperto forte no coração incomodava-a junto a uma falta de ar inexplicável.
Na foto, estava ela, Matt, Geri, Sean e Missy – exatamente nessa seqüência.
Todos abraçados e sorridentes, somente Sean gargalhava, devido a um aperto dado por Missy na cintura do garoto quando o flash da máquina disparou.
A foto era engraçada, embora tenha feito Roxy derramar uma lágrima que se perdeu nas curvas de seu rosto. Sem esquecer-se do plano, ela respirou fundo e levantou. Andou até a mesa do computador e deixou lá a foto, ao lado da tela ligada.
Roxy foi até o armário aberto e pegou o primeiro tênis da fileira de sapatos.
Ela calçou-o às pressas e deu uma checada no espelho antes de sair. Sorriu forçada e ajeitou a saia do vestido.
Roxy estava como sempre, seguindo o seu estilo – roqueira. Com um vestido delicado de alça, que misturava as cores favoritas da menina: rosa, preto e branco.
A saia pouco volumosa que ia até abaixo do joelho era o destaque central da roupa, acompanhada pelo tênis de cano-longo, de cor preta e envelhecida, que ela vestira somente para fugir do estilo “menininha comportada”.
Ela saiu do quarto sem desligar o computador ou guardar a foto.

No carro, presa no trânsito da avenida complicada que dava com o salão de festas do colégio, Andressa mordia os lábios de nervosismo.
- Tenta ficar calma, por favor, Dre – suplicou Paula, preocupada com a amiga.
- Não consigo. Não consigo – disse olhando pela janela do banco do passageiro.
Os carros já estavam com os faróis ligados e as luzes dos postes da cidade acesas. O céu estava escuro e sem estrelas. Não era uma noite linda.
- Não gosto quando não tem estrelas no céu – comentou Andressa.
- Por quê? – Perguntou a outra enquanto procurava algum lugar vago pra estacionar o carro.
- Porque sempre acontece algo ruim em noites assim. Não sei explicar, eu simplesmente não gosto, entende?
- Que besteira é essa Dressa? Não vai acontecer nada, relaxa – Ela riu.
Paula não acreditava em nada místico, como destinos, estrelas, horóscopos, entre outras coisas.
Pra ela tudo acontecia conforme a gente planejava e claro, fizesse por onde de acontecer.
- É sério ok? Não tenho culpa se você não... Nossa, é a Roxy ali?! – apontou Andressa, ao ver uma menina estranhamente bem vestida andando na calçada.
- Roxy? A tal que o teu namorado pediu pra gente impedir? – Paula tentou olhá-la, mas havia muitos carros e não podia dar total atenção a uma pedestre.
- A gente não – a corrigiu Andressa – ele pediu a mim. Obrigada pela carona amiga, mas não quero te meter nisso.
Andressa tirou o cinto de segurança e abriu a porta do carro, no meio da avenida mesmo, causando um tumulto de buzinas entre os carros.
Ela atravessou a rua correndo e pôs-se a seguir Roxy.
- Roxy, espera! – Gritou ela, em vão. Devido ao som das buzinas a roqueira não pôde escutá-la.
A garota se misturou entre as outras pessoas na entrada do salão fazendo Andressa a perder de vista.
- Merda! – Resmungou batendo com a própria mão na perna. Um grupo de jovens a olhou após o ato, deixando Andressa tímida.
Antes de adentrar o baile – pelo portão principal do salão – Roxy sentiu alguém puxar sua mão.
Ela olhou pra trás.
- Roxy, não vou deixar você fazer nada. Não vou deixar você estragar a festa – disse Andressa com autoridade, segurando a menina pelo braço.
- Andressa... – Roxy sussurrou quase que sem voz. Ela não esperava pela presença da amiga.
As duas ficaram paradas no meio da entrada a se encararem, não sabiam o que dizer. Andressa apenas segurava firmemente o braço da outra, com medo de a perder de vista novamente.
- O Derick me ligou. Ele me contou tudo o que você ta planejando – mentiu. Andressa não sabia absolutamente nada do que tava acontecendo.
Roxy sorriu de canto: - Eu não estou planejando nada, que ridículo! Me solta, me deixa entrar Andressa – a garota puxou o braço, mas fora inútil, Andressa a segurava com força - não confia em mim? – Roxy a olhou, dentro dos olhos.
Andressa não disse nada, e aquele silêncio dizia mais do que qualquer palavra.
Pelo menos Andressa ainda era verdadeira, Roxy tentou pensar em algo positivo para aliviar aquele aperto que sentia no coração ao saber que mais ninguém confiava nela.
As duas continuavam paradas na entrada, atrapalhando a passagem e uma multidão de jovens, ficou a empurrá-las, sem querer. Eles apenas queriam entrar e curtir a festa, obrigando-as a entrar junto.
E no meio do tumulto, Andressa acabou largando o braço da amiga, que se afastou assim que conseguiu.
Quando elas entraram, o lugar estava escuro, sem iluminação nenhuma e o som fora desligado.
Agora se ouvia apenas a conversa paralela das pessoas.
Os ponteiros do relógio - grande e antigo pendurado acima da onde as duas estavam - marcava nove horas da noite. E uma luz fora ligada distante delas.
De repente o diretor do colégio estava em cima de um pequeno palco.
- Peço a atenção de todos, peço a atenção de todos – repetiu ele, testando o microfone em suas mãos.
Algumas pessoas pararam de conversar, diminuindo o barulho no local.
- Que avisar-los que agora teremos a apresentação da banda do colégio. Por favor, os integrantes da banda subam aqui – as pessoas começaram a aplaudir.
Roxy antes de ir, deu mais uma olhada em Andressa. Os olhos da amiga brilhavam, era nítido o quanto ela amava esse glamour proporcionado por palcos, músicas, aplausos... Roxy pensou que mais uma vez, era preciso mudar o plano.
- Mas a Roxy disse que não íamos tocar mais – comentou Sean, consigo mesmo, mas Missy pôde ouvi-lo.
- Como assim não iam tocar mais? – perguntou ela, olhando-o.
- Não existiu mais uma banda depois que você saiu, entende? – Disse Sean, demonstrando ressentimento.
Missy se emocionou. Ela agora parecia entender que não era um estorvo para os amigos, eles precisavam dela pra seguir em frente. No entanto, agora era tarde demais. A banda que tanto havia lutado para ganhar o concurso e se apresentar nessa festa, não existia mais.
- Melhor eu ir lá – Falou Sean, reparando na impaciência do diretor ao esperar pelos integrantes da suposta banda.
Missy balançou a cabeça, concordando com o garoto.
Porém, quando Sean deu um passo pro lado, afastando-se de Missy, Roxy passou por ele, o empurrando de volta para o lugar onde antes estava.
- Não Sean. Fica aí – Pediu ela, seguindo em frente e tomando passagem.
Sean não sabia o porquê, mas fez o que ela mandou: permaneceu parado, ao lado de Missy. Ele de alguma forma depositava uma confiança enorme em Roxy, e acreditava que tudo o que a menina fazia tinha seus motivos.
Quando Roxy subiu ao palco - sozinha, e pegou o microfone das mãos do diretor - o olhar das pessoas e do próprio diretor, ficou confuso.
- O que ta acontecendo, Sean? – Perguntou Missy.
Sean deu os ombros, não fazia idéia do que Roxy queria com tudo aquilo.
O diretor deixou o palco, preocupado. Não era apenas de uma pessoa a banda, aliás, não existe banda de uma pessoa só.
Roxy ajeitou o microfone nas mãos e engoliu seco ao encarar todas aquelas pessoas que a olhavam sem pudor.
Embora suas mãos tremessem e estivesse suando frio, Roxy tinha chegado até ali e não podia desistir de tudo agora. E além de que, ela pretendia ir embora após o termínio do plano. Após ajeitar as coisas.
Ela viajaria para bem longe, já que sua irmã morava no Sul e gostava de sua companhia. Roxy tinha em mente, que se gostasse de lá não voltaria mais, nunca mais.
- Bem... – começou ela, atraindo a atenção de todos. Principalmente de Derick, que havia acabado de chegar ao baile. Ele estava encostado na porta de entrada do salão, tão distante do palco, que Roxy não podia vê-lo.
- Provavelmente vocês devem estar se perguntando: Cadê a banda? O que essa garota louca ta fazendo aí em cima do palco? Cadê a música? – Roxy sorriu, também arrancando alguns sorrisos do público – Bem, isso é porque não existe uma banda. Mas um dia existiu e foi a mais perfeita que vocês possam imaginar, acreditem. E era pra eu fazer um discurso lindo e perfeito aqui, agora, hoje. Mas eu não tenho nada em mente pra dizer, pelo menos nada que vá consertar todas as coisas que eu fiz.
Principalmente o mal que fiz a alguns amigos, amigos que antes eram meus amigos de verdade. Enfim, não vou ficar ocupando o tempo de vocês com minhas declarações tristes. Afinal, todo mundo quer curtir a festa né. Beijar na boca e afins.
Roxy levantou a mão, fazendo o público fazer o mesmo e berrar, um pouco animador. Quando se falava de sacanagem, era incrível como os jovens se animavam.
- Pra terminar, queria dizer que eu posso não ter mais uma banda, mas tenho uma amiga que manda muito bem no vocal e que eu adoraria que ela subisse aqui no palco e mostrasse pra vocês todo o talento dela, pode ser? – Perguntou Roxy, com receio da resposta que o público desse.
- Pode! Pode! Pode! – Berravam todos, em coral. Roxy já tinha conquistado a todos eles, só faltava arrastar quem ela queria para o palco.
- Então por favor, acendam as luzes naquela menina vestida de jeans e blusa branca, parada pouco depois da entrada do salão. Ela está de cabelo preso, vamos, vocês conseguem achá-la.
Logo duas fortes luzes pairaram sobre a cabeça de Andressa.
Era um baile, as meninas usavam vestidos, ela era a única de calça jeans.
- Andressa, eles querem que você cante pra eles! – Exclamou Roxy, olhando para a amiga.
Andressa sentiu suas bochechas queimarem e uma raiva de Roxy, que logo passou, quando a multidão começou a guiá-la até o palco.
Assim que Andressa subiu ao palco, ficando frente a frente com a amiga, Roxy estendeu a mão para que ela pegasse o microfone.
As duas se entreolharam por alguns segundos que mais pareciam eternos pelo fato da mão de Roxy estar estendida ao ar a segurar o microfone, do qual Andressa tinha que pegar, ela não podia estragar tudo agora.
Andressa continuou sem reação. E quando Roxy menos esperava a amiga a abraçou. Um abraço apertado e repentino, surpreendendo todos da platéia, que aplaudiram abertamente a atitude das duas.
Lentamente Andressa afastou o corpo, soltando-a. Em um breve olhar, ambas se encararam.
Naquele instante se sentiram como sempre foram - confiantes e amigas.
Riram juntamente aos aplausos do público e as luzes foram apagadas, deixando o local escuro. De novo.
O som estridente das palmas foi sumindo aos poucos aquietando o lugar, embora algumas pessoas persistissem em aplaudir e assobiar.
A menina rapidamente tomou o microfone das mãos de Roxy e aproximou-se do publico, dando três passos à frente.
Uma luz radiante e meio rosada pairou sobre ela, destacando-a entre todos. Andressa sorriu tímida e fechou os olhos, deixando o clima do lugar a guiar. Nem sabia o que cantaria, mas estava confiante.
Roxy deu alguns passos pra trás e pediu para que o DJ tocasse certa música, uma música única, a qual Andressa amava. Roxy deu seu ipod a ele, cochichando em seu ouvido o nome da canção.
Logo que começou o toque, Andressa arrepiou-se por inteira ao reconhecer a música e olhou para a amiga atrás dela, que piscou com o olho e sorriu, fazendo um sinal de “ok” com as duas mãos. Roxy parecia ser de novo, aquela Roxy que Andressa tinha conhecido ainda criança. Ela não podia explicar a sensação boa que sentia a tendo de volta como amiga.
Ao virar-se pra frente, encarando as pessoas de novo, esqueceu-se de tudo: de Derick, do barulho da platéia, de Roxy, dos seus problemas. Porque para muitos podia ser apenas mais uma apresentação de colégio - cafona e simples - mas para Andressa, era seu sonho se tornando real. Era inexplicável o quanto ela amava tudo isso.
Ela sempre quis estar ali, com um microfone em suas mãos e diante de várias pessoas, poder cantar e expressar o que sentia, sabendo que todos iriam ouvi-la e, mesmo que alguns não gostassem, sempre haveria alguém pra valorizar seu talento.
Expressava o que sentia em suas canções, que diferente do que achavam, não eram lentas e românticas, e sim diferentes. Relatavam problemas comuns dos adolescentes e de qualquer adulto que ame, chore e sofra, chamando a atenção por seu sentimentalismo nas letras.
Devido a sua meiguice e generosidade, Andressa sempre soube se expressar devidamente transmitindo com palavras doces as coisas amargas da vida.
Mas dessa vez ela não cantaria uma das músicas que compôs, cantaria a sua música preferida, desde criança. Angel of mine .
E quando a música começou, com Andressa cantando – When I first saw you, i already knew. There was something, inside of you. Something I thought that I would never find... – o salão lotou, muitas pessoas estavam chegando agora. A avenida estava um horror. Entre os chegados, estavam Ping, Molly e Loid.
Haviam tantos casais dançando colados na pista, eles ficaram sem graça de chegarem sem par. Exceto Ping, que só pensava em achar Roxy e acabar com ela.
Cobrindo o cabelo com uma touca de lã, as pessoas olhavam-na aos risos. Certamente tirando o sarro. Estava tão quente e Ping com aquela touca horrorosa que não combinava com seu lindo vestido rosa choque decotado e brilhante. Até Molly queria rir, mas não podia. Era uma boa amiga.
E o que mais destruía Ping, era o fato de estar inferior a sua própria cria: Molly.
Molly usava um vestido amarelo dourado, e mesmo sem brilhos ou utensílios chamativos, a garota estava linda. De cabelo preso, com um coque e algumas fivelas a prender os fios do cabelo negro e liso, que insistiam em cair ao seu rosto.
Com uma maquiagem leve e deslumbrante, quando Molly sorria cativava a qualquer um. Parecia tão inocente com aquele longo vestido e seus cabelos presos. E era elegante a forma como ela andava sobre um salto fino, bicudo e preto.
Para despertar a inveja da própria amiga, Molly deveria estar impecável.
E ao passar o olhar por todo o ambiente, a procura de Missy, Loid reparou nas duas recém chegadas, assim como ele. Era impossível não reparar nelas, Ping estava ridícula com aquela touca e Molly estava lindíssima naquele vestido.
Molly acenou com a mão ao vê-lo de longe. Loid sorriu fraco e tomou coragem – É hoje! – disse ele ajeitando o paletó.
- Não acredito! Eu não mereço isso, agora até os piores dos piores vão chegar em mim – disse Ping, ao ver Loid caminhar até ela.
O garoto nem pôde falar nada que Ping começou com seu discurso.
- Desculpa querido, mas não é porque estou em um dia ruim que vou aceitar dançar contigo. Aliás, não aceito nem ficar perto de você. Dá-me nojo – Ping contorceu a boca, demonstrando estar enojada.
Molly rolou os olhos, às vezes ela não suportava a amiga.
- Desculpe – tentou se pronunciar Loid, mas mais uma vez não pode falar por causa de Ping: - Ok. Eu te desculpo por dirigir a palavra a mim.
- Não. Desculpe, mas eu não vim falar com você, muito menos chamar você pra dançar. Eu vim até aqui por causa da Molly, que por acaso está linda nesse vestido – explicou ele, secando Molly com os olhos.
Ping queria morrer naquela hora. Ela olhou-os com ódio e quando Loid estendeu a mão esperando a de Molly, Ping bateu sobre a dele, o fazendo recuar.
- Ela não vai dançar com você. Ela está aqui comigo, temos coisas pra fazer. Cai fora!
- Molly? Tem certeza de que vai ficar o baile todo com essa daqui? – Loid a olhou, estendendo a mão novamente.
- Essa daqui? Como assim essa daqui? Querido, sou superior a todas as pessoas daqui pra você me chamar assim.
- Ah, cala a boca Ping! – Molly a empurrou e segurou na mão de Loid.
- O que? Cala a boca? Você não é mais a minha amiga ok? Não vamos mais ao shopping e você não será mais a popular das populares – ficou Ping a gritar, histérica. Molly apenas continuou a andar, sem olhar pra trás, de braços dados com Loid. Eles seguiram para a pista, onde também estavam Missy e Sean, um do lado do outro a se trombarem várias vezes, devido à falta de espaço que os casais apaixonados ao lado deles deixavam na pista.
Eles se encararam, praticamente colando o corpo um no do outro.
- Então né – disse Sean, sem jeito.
- Então né – repetiu Missy, tentando não o olhar nos olhos.
- Vem sempre aqui? – Tentou Sean, uma cantada idiota.
Missy riu: - Não, só quando um gatinho vem e você? – Sean ficou sem jeito.
Ele era todo safado e cheio das cantadas, mas agora estava encabulado por uma loirinha baixinha parada a sua frente.
- Venho sempre, pego todas! – Respondeu ele junto com um sorriso safado. Sean tentava parecer firme, mesmo estando nervoso.
- Pega todas é? – Missy o cutucou na barriga, agressiva.
- Ai! Calma – Sean riu contorcendo o corpo. Ele sentia cócegas, o que era normal.
- Acho que nem todas hein – Missy se afastou dele, ainda o olhando de frente e dando um “tchauzinho” com a mão.
- Ah, pára de se fazer de difícil Missy.
Ele a puxou pelo braço, colando o corpo dela ao dele. Sean manteve as mãos firmes a segura-la pela cintura.
- Você ta só me testando, quer que eu te chame pra dançar e me renda. Mas porque você não faz isso?
- Porque seria muito gay eu te chamar pra dançar – respondeu ela, olhando-o nos olhos.
Os dois riram.
- E aí, você quer dançar comigo, gatchenha? – Perguntou ele.
Missy balançou a cabeça, respondendo que sim.
- Mas acho que já estamos dançando – comentou Sean, reparando que já estavam agarrados no meio da pista a mexer o corpo de um lado pro outro.
Missy sorriu, ela adorava o jeito pateta dele.
Os dois se entreolharam e ela pôs as mãos no ombro dele, era uma questão de tempo até as bocas se encontrarem.
Missy ficou na ponta do pé enquanto encostava, aos poucos, sua boca na de Sean. Os dois sorriram antes de se beijarem.
- O amor é lindo – pensou Molly, ao ver a cena do casal. Já Loid, envergonhado por não saber dançar e por medo de pisar no pé de Molly, nem olhava pros lados.
Constrangido com a falta de diálogo entre os dois, tentou ele arriscar algum assunto: - Sabe, eu não sei dançar, mas eu to tentando. Você sabe? Se souber já me ensina – Loid ria envergonhado, não estava falando coisa com coisa e ele sabia disso. O que tornava pior a situação.
- Sabe, eu... – dizia ele, até sentir os lábios de Molly tocar os seus.
A garota estava com os olhos fechados, beijando sozinha. Loid não correspondeu o beijo, apenas a olhou espantado com o ato. Ele se afastou delicadamente, a segurando pelos braços.
- Molly! – Exclamou ele, assustado.
- Desculpa - ela não sabia o que dizer, nem o que fazer. Queria correr, fugir dali.
- Não, tudo bem. Eu só não esperava por isso – tentou ele consertar a situação.
- Foi tudo culpa minha, eu sou terrível. Não devia ter te beijado, mil desculpas.
Molly indelicadamente passou os dedos na boca de Loid, tentando limpar o beijo – o que era impossível.
- Pára com isso – Loid riu segurando as mãos dela.
Molly pôs as mãos no rosto, não conseguia olhá-lo.
- Eu te amo Loid, de verdade – confessou ela, ainda com as mãos no rosto, deixando apenas pequenas frestas entre os dedos para que pudesse olhar a expressão do rosto dele.
Loid suspirou, mas não foi um suspiro ruim ou bom. Foi incrédulo.
- Eu não sei o que dizer.
- Diga que me ama – sugeriu Molly.
E Loid riu, ele adorava a espontaneidade dela: - Mas eu não...
- Você gosta de outra pessoa? – o interrompeu.
- Sim – afirmou sentindo-se fraco.
- E ela ta aqui?
- Sim.
Molly tirou as mãos do rosto e pôs-se finalmente a encará-lo.
- Então você deve ir atrás dela, porque você é a pessoa que eu conheço que mais merece ser feliz.
- Mas ela meio que não gosta de mim. Não assim, como gosto dela.
- Loid, eu me declarei pra você, e você não gosta de mim. E sabe como eu me sinto? Sinto-me livre. Estou realmente feliz por ter dito o que sentia. Independente de você sentir o mesmo ou não – disse segura de si, pela primeira vez.
Loid tinha que admitir, Molly era encantadora: - É. Eu realmente queria sentir o mesmo por você.
- Não, não queria. Você tem que correr atrás da menina que você ama, vai! – Molly indelicadamente empurrou Loid, afastando-o dela – E vai logo, antes que eu mude de idéia!
Loid não queria ir, não queria deixá-la sozinha na pista de dança cheia de casais ao lado. Mas Molly estava decidida e de algum jeito, ela tinha razão no que acabara de falar. Quando Loid deu as costas a ela, Molly passou a mão nos olhos, segurando o choro. Não era pra estar triste, Loid era fofo até na hora de dar foras.
Ela deixou a pista de dança em seguida, e saiu da festa.
Antes de falar no telefone, ouviu alguém choramingar, próximo a ela.
Quando Molly virou o rosto, viu Ping sentada em um banco de madeira fraca e velha.
Um banco sujo e mal cuidado. Ping jamais sentaria em um lugar daqueles.
Ela estava sozinha e a chorar. Molly tentou ignorar os fatos, mas mesmo com todas as maldades e maus tratos, as duas haviam passado por diversas coisas juntas.
Molly tentou resistir, mas seu coração era mole. Ela bufou derrotada e desligou o aparelho celular, o guardando dentro da bolsa após.
- Ping? – Chamou-a, de pé em frente à amiga.
Ping levantou a cabeça e levantou do banco assim que a viu.
- O que você quer? Eu estou bem. Sai daqui! – Ping passou as mãos no rosto - junto com a touca que segurava entre as mãos - limpando as lágrimas.
- Pare de ser orgulhosa Ping.
Ping estava sem a toca, com o cabelo horrivelmente bagunçado e suado. Quem a visse naquele estado, nunca a reconheceria.
- Deixa eu te ajudar – Molly tentou abraçá-la, mas Ping recuou.
- Molly, me desculpa? Desculpe-me por tudo, por tudo mesmo. Eu não sou que nem você. Não sei ser legal, não sou boa. Ninguém gosta de mim, ninguém. Meus empregados me odeiam, o pessoal do colégio só fala comigo por interesse, meus pais nem sabem que eu existo! Eu realmente sinto muito por tudo que te fiz passar, mas eu nunca pensei que você pudesse me deixar, compreende? Você era a Molly, você agüentava tudo de mim. Sempre te vi como a mais forte. Você é a minha única amiga e eu te amo muito, só sinto ter descoberto isso da pior maneira possível – Ping chorava eufórica enquanto falava. Engasgando-se com as próprias palavras.
Molly não agüentava a ver daquele jeito, começando a chorar junto à amiga.
- Me perdoa? Você me perdoa? – Ping ainda esquivava do abraço de Molly.
- Eu te perdoou. É claro que eu te perdoou por tudo. Você é e sempre será meu exemplo a seguir ok?
As duas se abraçaram. Tanto Ping quanto Molly, naquele instante, haviam aprendido o verdadeiro significado da amizade. O que realmente significava ter uma amiga. Ser uma melhor amiga.
Assim que se soltaram, Molly sorriu chorosa: - Mas você tem que arrumar esse seu cabelo ok? Porque ta horrível.
Ping riu, também chorando: Sim. Você me ajuda?
- Ajudo. Ajudo sim.
As duas se abraçaram mais uma vez e Molly ajudou Ping a vestir a touca, enquanto elas esperavam a mãe de Molly chegar. Aproveitariam o resto da noite para ajeitar o cabelo de Ping.
Enquanto dentro da festa, Loid procurava por todo canto a menina que ele amava. E ela não poderia estar em um momento melhor.
Loid sentiu seu coração ser torturado por várias agulhas ao ver Missy ao lado de Sean. Os dois estavam na pista, dançando e rindo. Loid achava linda a forma como Missy ria.
Ele respirava lentamente enquanto os observava, a centímetros de distância.
Missy estava tão feliz, estava vivendo o momento que sempre sonhou. Quem poderia julgá-la por esquecer do melhor amigo no baile? – nem Loid poderia julgá-la.
Ele sorriu contente por ela, embora estivesse abalado por dentro. E partiu, Loid sumiu na multidão em um piscar de olhos. Mas Missy, por obra do destino tinha o visto, segundos antes de ele ir para fora da festa.
- Sean, me dá licença? Acho que vi alguém conhecido, já volto – avisou largando-o.
Sean estranhou, mas a deixou partir.
Missy passava pelas pessoas com pressa, segurando com as duas mãos a saia do vestido enquanto corria para a saída. Ela não tinha certeza se tinha visto Loid, mas precisava confirmar a suspeita.
- Loid? – o chamou já do lado de fora da festa, ao ver um homem parado na calçada, esperando o sinal fechar para atravessar a rua.
Ele virou e Missy sorriu sem graça ao ver que não era o amigo: - Desculpa. Pensei que fosse um conhecido meu.
O cara assentiu com a cabeça e fez um sinal de tudo bem.
Se ela tinha se enganado, porque estava com aquela intuição de tê-lo visto? – Missy respirou abalada e quando ia voltar para o baile, viu Loid andando calmamente na calçada. Ele já estava a ponto de virar a esquina e dessa vez havia de ser ele, pois só Loid andava pela rua chutando as pedrinhas.
- Loid! – gritou exuberante, correndo até ele.
Ele olhou pra trás, sem muito animo. Mas sorriu ao ver quem era.
- Missy! – Loid tentou não parecer triste.
- Hei, onde você ta indo? – perguntou afobada.
- Embora.
- Embora? Mas eu nem te vi no baile, nem vi você na apresentação da Andressa. Tanta coisa aconteceu Loid, você não faz idéia – Missy contava empolgada, sem perceber a falta de interesse estampada no rosto do garoto.
- É porque você tava com o Sean... – disse indiretamente.
- Ah, sim. Eu e o Sean. Acho que hoje rola alguma coisa, entende? – Os olhos dela brilhavam conforme falava.
Loid não respondeu nada, ficou calado e sério. Não conseguia mais disfarçar.
- Loid, você ta estranho. O que aconteceu? – Enfim, Missy havia reparado no desdém do garoto.
- É que eu tenho que ir embora.
- Mas ta cedo. Fica mais um pouco – suplicou, puxando Loid pelas duas mãos.
Ele friamente se soltou.
- Missy, estou indo embora daqui, não da festa.
- Loid, não to entendendo – Missy desfez o sorriso antes estampado em seu rosto.
- Missy, meus pais vão voltar pra Minas. Meus avós estão doentes e minha mãe quer ficar perto deles.
- E você vai com eles? – Ela sabia a resposta, mas preferia ainda ter esperança.
- Mas é claro, Missy – ele riu – sou mineiro - Loid tentou forçar um sotaque, mas mesmo nascendo em Minas, ele morava em São Paulo desde os dois anos de idade.
Missy não riu, ela não conseguia rir.
- E você ia embora sem se despedir de mim? – Perguntou com raiva.
- Não. Quer dizer, eu ia te dizer hoje. Mas te vi toda feliz com o Sean e achei melhor deixar quieto né.
- Isso não justifica nada. Não coloque a culpa em cima do Sean. Você nem pretendia vir ao baile – Missy estava irritada, inconformada.
A verdade é que Loid não pretendia contar nada a ela, ele tinha a opção de ficar em São Paulo e morar com seu pai, já que eram seus avós maternos que estavam doentes.
Mas ele não contaria isso a Missy, ele jamais contaria isso a ela.
Ele preferia ir embora, sem despedidas dolorosas, já que estava sendo escolha sua.
Ficar só atrapalharia a felicidade dela e o faria sofrer ainda mais. Loid ao menos era sensato.
- Agora vamos brigar, é? – Loid arqueou uma sobrancelha.
- Não, não vamos. Você vai embora mesmo, não faria sentido algum brigar com você agora – Missy do nada começou a chorar.
- Não faz isso comigo, Missy.
- Fazer o quê? Eu jamais iria embora sem me despedir de você! Af, você é meu melhor amigo, praticamente o irmão que eu nunca tive! Você não sente por mim o que eu sinto por você, ok.
Ela limpou as lágrimas e respirou fundo, retomando a calma.
- Não sinto mesmo.
- Ainda tem coragem de falar isso! Não acredito nisso, Loid! Não acredito!
- Eu te amo, Missy. Acredita nisso?
- Eu também te amo, Loid! E eu não quero que você vá embora, porque af, quem vai ser meu amigo? Quem vai me ajudar sempre e ouvir minhas bobagens e rir? Quem? – Missy deixou o choro vir à tona, agora não importava mais ser forte.
- Eu te amo, de amar mesmo. Não é uma coisa de amizade, entendeu?
Missy ficou boquiaberta.
- Eu não queria que isso acontecesse. Eu não planejei nada. Mas puxa, a gente ficava junto pra tudo, você me contava todos os seus segredos e até me sinto um pouco gay por isso – Loid serenamente riu, e constrangido, prosseguiu: - Eu tentei ser seu amigo. Eu fui seu amigo. Mas as coisas mudaram pra mim e nós dois sabemos que não mudaram para você. Você ama o Sean e devia voltar pra festa e dizer isto a ele. É isso que como seu amigo eu te aconselho a fazer.
O rosto de Missy estava completamente molhado e sua maquiagem, antes perfeita, estava toda borrada.
- Uma pessoa especial me disse que quando nós nos declaramos nós nos sentimos livres, libertados... E quer saber? É verdade. Sinto-me aliviado agora que você sabe o que sinto. Agora posso seguir meu caminho em paz e deixar você seguir o seu, Missy.
- Quando você vai? – ela não podia pensar em perdê-lo mesmo que não tivesse escolhas.
- Amanhã mesmo.
Missy num impulso o abraçou.
Tão apertado que Loid sentiu falta de ar, mas ele já havia se acostumado com os abraços da amiga.
Ele passou a mão pelo cabelo dela, alisando-o até o meio das costas.
- Eu vou sentir muito a sua falta. Muito mesmo! – disse ela, baixinho.
Loid sorriu, ele também estava chorando. Mas só algumas lágrimas, nada muito escandaloso como Missy.
Eles se afastaram, ele tinha que ir. Os dois se olharam e Loid beijou a testa dela. Era um adeus e mesmo com mil meios para se falarem - como por telefone e internet – Missy sabia que era um adeus. Os dois sabiam.
Loid girou o corpo e voltou a caminhar, assim como fazia antes. Chutando as pedrinhas pela rua.
Missy ficou imóvel, o assistindo partir.
Naquele momento ela sentiu seu coração ser jogado dentro de um liquidificador e ser triturado em mil pedacinhos. Missy estava ali parada, com a maquiagem borrada pelas lágrimas salgadas que caíam de seus olhos, apenas observando seu melhor amigo deixá-la. Talvez para sempre.
Ela podia escolher ficar com Sean ou ir atrás de Loid. Mesmo com as lágrimas e a grande falta de ar que sentia vendo Loid partir, seu coração ainda pertencia ao menino desleixado que ela esbarrou no primeiro dia de aula. Era dele o amor dela, e Missy não podia mudar isso. Não mesmo ela querendo.
- Adeus, amigo – Missy sussurrou assim que Loid dobrou a esquina.
Doía demais perdê-lo. Não tê-lo mais ao seu lado. E junto ao sofrimento Missy teve esperanças de que um dia Loid voltasse. Ela preferia acreditar nisso do que se entregar a dor da perda.

E dentro da festa, Andressa já tinha cantado duas músicas e o povo pedia aos gritos por mais.
Andressa vibrava a qualquer simples aplauso e, o DJ não se cansava de deixá-la comandar a festa.
- Obrigada pelos aplausos, vocês são demais – agradeceu emocionada.
Ela cantaria somente mais uma canção e pronto. Ela já havia avistado Derick e queria correr até o namorado, agarrá-lo e curtir a festa, igual a todos os convidados.
Aquele de fato era o lugar que Andressa pertencia, deduziu Roxy enquanto descia as escadinhas, saindo do palco sem que ninguém sentisse sua falta.
Ela caminhou até a porta dos fundos do salão onde acontecia o show e a abriu delicadamente para que ninguém a notasse saindo. Porém, era inevitável para Derick não a seguir com o olhar, pois mesmo com sua namorada cantando ao palco, ele estava surpreso com a atitude da amiga.
Roxy saiu porta afora e ele a seguiu, cambaleando entre a multidão: – Roxy, espera aí! – berrou na tentativa de pará-la.
Mas fora em vão, Roxy fechou a porta e saiu. Ele apenas continuou a andar pelas pessoas. Dessa vez Derick sentia necessidade de falar com ela.



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