Welcome To Dangerous Friendship


Bem Vindos ao Blog-Site da história Perigosa Amizade.
Aqui estão postados os capítulos da primeira e segunda temporada da história. Você pode achar o link dos capítulos diretamente no site www.perigosaamizade.webnode.com/ ou aqui, na fileira de capítulos abaixo do perfil do blog.
Não comece a ler pela última postagem abaixo se não for o capítulo 01x 01 Amigas Para Sempre - pois provavelmente será o último capítulo postado por nós, então, se você não acompanha a história, saberá de fatos adiantados.
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Obrigada pela atenção, pessoal. E boa leitura. Espero que acompanhem Perigosa Amizade até o fim, por que enquanto houver leitores haverá história.

Com carinho, Gizella, escritora.



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Capítulo - 01x 34



ENFIM, O BAILE


   Era quase fim de tarde e faltavam poucas horas para as sete da noite. E quem quisesse ou tivesse algo para fazer ou preparar antes da festa do colégio, precisava se apressar.
Ping carregava na mão, um plástico transparente gigante. E embrulhado por aquele plástico, estava o vestido que ela usaria no baile. E pela transparência do embrulho, podia se ver nitidamente que era um dos vestidos mais perfeitos existentes em qualquer loja de grife.
Era de uma cor rosa, mas não um rosa apagado ou forte demais, era um rosa fosco e diferente. Mas o que mais chamava atenção no vestido eram as bolinhas brilhantes coladas ao tecido macio e liso. Dando um brilho superior à roupa, vinda do decote até as alças.
Ping chegou ao salão ás cinco horas, mas como havia marcado somente às cinco e meia, teve de esperar.
Era um salão, como Molly mesmo havia descrito para Roxy: luxuoso e caríssimo.
As duas garotas passaram por algumas salas apertadas, até chegarem a sala de espera. E Molly estava de acompanhante para Ping.
A morena simplesmente tinha deixado para se arrumar mais tarde só para poder acompanhar a amiga.
Como Molly podia negar algo a Ping? Ela era a sua melhor amiga, pelo menos Molly a considerava dessa maneira.
Ao chegarem à menor das salinhas, onde ficariam aguardando a vez de Ping, tiveram uma surpresa: Roxy estava lá, sentada em uma das cadeiras a imitar todas aquelas madames de pernas cruzadas e braços sobrepostos ao encosto lateral dos bancos. Roxy ria conforme imitava a posição daquelas velhas mulheres.
- Roxy, o que você ta fazendo aqui? – perguntou Ping, chamando a atenção da garota.
- Oi Ping! – Roxy sorriu - Eu vim aqui arrumar o meu cabelo pro baile, fiquei sabendo que é um ótimo salão e vocês?
- Como ficou sabendo desse salão? Ele é praticamente exclusivo! – Ping parecia com raiva de não ser mais a única a conhecer aquele lugar.
Molly apertou os dedos da mão, aflita com a resposta que Roxy daria.
- Eu vi em uma revista de moda – afirmou à roqueira.
Roxy continuava a sorrir e desviou o olhar para Molly enquanto Ping se sentava ao seu lado.
Molly abriu um leve sorriso e respirou aliviada, também se sentando.
- Ah, depois eu quero que me passe essa revista. Nunca vi uma propaganda desse salão. E tenho que admitir que estou decepcionada, pensei que ele era mais exclusivo – na mesma hora, Roxy desmanchou o sorriso e o olhar alegre em seus olhos mudou. Ela daria uma surra em Ping se pudesse, afinal, como assim exclusivo? Roxy não era boa o bastante para aquele lugar? Ping era de fato, a menina que Roxy mais odiava.
- Bem, eu vim arrumar o meu cabelo também – disse Ping, sem entusiasmo nenhum, já que agora não seria somente ela que arrumaria o cabelo ali.
- E eu só estou acompanhando a Ping mesmo – acrescentou Molly.
- Mas você não vai ao baile, Molly? – Perguntou Roxy.
- Vou.
- E não vai se arrumar?
- Não. Agora não. Vou me arrumar mais tarde, quando tiver tempo – Molly sorriu fraco, afirmando com a cabeça o que havia dito.
Roxy olhou para o relógio de parede da pequena sala e murmurou: - Ah, compreendo – mentira, Roxy não compreendia.
Eram quase cinco e quarenta e Molly estava normal, sem penteado, sem um vestido lindo, sem maquiagem. Como Ping podia se importar somente com si mesma sempre? Roxy mais uma vez ficou séria, a torturar Ping em pensamento.
- Jamyla? – Chamou uma morena alta, magra e esbelta. De cabelo castanho e pele negra.
- Eu – Ping acenou com a mão – finalmente hein! Atrasaram dez minutos, eu havia marcado às cinco e meia em ponto!
Ping se levantou e assim que deu as costas, Roxy pôde ver nitidamente a morena esbelta revirar os olhos. Estava na cara que ninguém daquele salão agüentava-a.
- E aí Roxy, você vai fazer que penteado? – puxou um assunto, Molly.
- Eu? – Roxy parecia não saber do que a colega falava.
- É. Você disse que veio arrumar o seu cabelo.
- Ahhh... Não. Não vou fazer nenhum penteado.
Molly franziu a testa, sem entender absolutamente nada.
- Er... Já volto! – Roxy se levantou da cadeira e caminhou sentido onde Ping havia ido.
- Ping, o que você pretende fazer no cabelo? – Perguntou Roxy, de pé ao lado da cadeira redonda onde a colega estava sentada.
- Eu não sei – respondeu seriamente enquanto se olhava no espelho comprido e grande a sua frente.
- Bem, eu tenho uma sugestão pra você, um penteado que usaram em um desfile na França, que um estilista de lá me mostrou e nossa, é lindo mesmo. Acho que vai ficar perfeito em você.
- Sério? – Ping a olhou pelo reflexo do espelho - Bem, eu tava querendo fazer um penteado que eu tinha visto aqui, mas não vi nada de penteados franceses.
- Ah, mas tem, é que você não deve saber qual é. Eu vou falar pra cabeleireira fazer em você, pode ser?
- Pode sim, mas não é melhor eu ver primeiro? – Ping ameaçou se levantar da cadeira e Roxy pôs ambas as mãos sobre o ombro da garota, forçando-a a permanecer sentada.
- Ah não, eu quero que seja surpresa, você vai amar. Agora fica aí que eu vou falar com ela – respondeu.
Ping continuou onde estava, desconfiada, porém empolgada com a idéia de usar um penteado único da França.
E Roxy saiu à procura da tal cabeleireira que atenderia a colega.
- Ei, você é a Simone? – Quis Roxy saber, cutucando gentilmente uma mulher gorda, baixa e negra.
- Sim, por quê? – Perguntou com autoria. Roxy sentiu medo por um instante.
- Você vai fazer o cabelo de uma amiga minha e é aniversário dela. Eu que estou pagando e tudo mais, então quero que faça esse penteado nela, mas é surpresa, não pode deixar ela se olhar no espelho até que termine – Roxy entregou a mulher uma folha arrancada de alguma revista, da qual tinha fotos e passo a passo de como fazer um penteado típico da Bahia.
- Mas esse penteado? – Discretamente Simone riu.
- Sim – Roxy sorriu de canto.
- Vai ser um prazer – concretizou Simone, no mesmo tom de voz e malicia que Roxy.
Elas cochicharam por um tempo e Roxy a fez garantir que não mostraria o penteado pra Ping antes de estar pronto, porque queria fazer uma “surpresa”. E quando voltou para onde a colega esperava ansiosa pela cabeleireira, Molly estava ao lado dela.
- Ping, eu lembrei que tenho que passar em casa e fazer uma coisa urgente. Depois a gente se fala, quero ver como vai ficar seu cabelo hein – disse Roxy, fingindo estar tão empolgada quanto à outra.
- Ta bom, tchau – despediu-se Ping, estava imaginando tantas cenas de si chegando ao baile causando com o novo penteado que não deu a menor atenção a Roxy.
Só que Molly, achou estranha a saída repentina da amiga: - Mas Roxy, você não vai arrumar o seu cabelo também?
- Er... Eu vou sim, mas acho que não mais nesse salão. Vejo você no baile Molly, até mais – despediu-se já deixando a sala onde as garotas estavam.
- Até – respondeu Molly.
Enquanto na casa de Dan, ele encontrava-se sentado na frente do computador, com o som ligado a tocar músicas depressivas. O tédio pairava no quarto escuro do garoto. Ele mal havia se arrumado pro baile, também não estava radiando de felicidade pela festa.
Encostado no encosto da cadeira, Daniel olhava pra tela do computador com os olhos caídos e entristecidos. Parecia decepcionado com algo.
Quando um barulho tirou sua atenção, fazendo-o olhar pro canto da tela, onde uma placa pequena e azul subia avisando os demais on-line: Nick Princess acaba de entrar.
Dan abriu um sorriso largo e sentiu-se como não se sentia desde a última conversa com aquela amiga virtual, feliz e incontrolavelmente entusiasmado. Sempre que ela entrava e os dois conversavam, Daniel sentia uma vontade enorme de viver, de aproveitar a vida. Era como se ele pudesse fazer de tudo quando teclava com aquela garota misteriosa do Rio de Janeiro, mesmo que ele nunca saísse do computador e automaticamente, não fizesse nada.
Ele não demorou pra puxar conversa, afinal, ela de certa forma o fazia viver.

Dan SaFaDãO do MSN diz: e aí gatinha, tudo blz Prin?
Nick Princess diz: não... Nem to bem =/ e vc?
Dan SaFaDãO do MSN diz: to de boa, mas pq ta mal? =/
Nick Princess diz: pq hj meu namorado terminou comigo, aquele idiota.
Dan SaFaDãO do MSN diz: nossa, que pena, mas pq?


Ao ler que a amiga havia se separado do namorado, Dan deu um pulo de alegria da cadeira e correu ao redor do quarto, era horrível se sentir tão bem com uma notícia tão mal, mas o que Dan podia fazer? Ele havia sofrido bem mais quando Nick começou a namorar. Após sentou-se na cadeira, como estava antes.

Nick Princess diz: ele disse que ta gostando de outra
Dan SaFaDãO do MSN diz: aff, que Mané!
Nick Princess diz: sim, não quero nem sair de casa hj...Dan, vc vai sair? Vc podia ficar aqui comigo, não tem ninguém legal pra eu conversar além de vc. Vc é muito importante pra mim =]
Dan SaFaDãO do MSN diz: Eu fico sim gata... E vc bem que podia se mudar pra sampa né
Nick Princess diz: São Paulo? =O
Dan SaFaDãO do MSN diz: É, vc não disse que seu pai mora aqui? Então...
Nick Princess diz: É, ele mora... vou pensar sobre o assunto. Prometo.


Os dois continuaram teclando, mudaram de assunto, Nick não queria falar sobre seu ex-namorado e Dan a qualquer chance, tentava convencer a menina a vir pra São Paulo. Seria quase um sonho para ele, vibrava só de pensar na possibilidade.
Já Ping, ainda no salão, estava cansada de esperar para ver o seu exclusivo penteado francês. Faltavam poucos detalhes pra terminar o penteado, prenderia umas fivelas ali, outras aqui e tudo estaria acabado. A cabeleireira sorria duvidosamente conforme mexia no cabelo da garota.
Molly estava sentada, lendo umas revistas de moda e beleza enquanto esperava a amiga, quando uma música alegre e tosca, tocou estridente - era o toque do celular de Molly. Ela pegou o aparelho, viu que era Dan e atendeu: - Alô, Dan?
- Molly?
- É ela mesma.
- Eu liguei pra avisar que não vou mais pro baile. Sinto muito aí.
- Por quê? E eu vou com quem se você não for? – perguntou desesperada, fechando a revista que antes lia e colocando-a de volta a uma pilha de revistas diversas do lado dos bancos.
- Porque eu tenho que ficar em casa... Ajudando meus pais com umas coisas.
- Que coisas? Nada é mais importante que o baile, você tem que ir.
- Mal aí, mas tem coisa mais importante que essa festinha, tchau - Dan desligou na cara de Molly.
- Ping, você não sabe, o Dan acabou de me ligar dizendo que não vai mais pro baile – contou chorosa.
- Cala a boca Molly, quando chegarmos lá, você arruma alguém. Agora eu vou ver como ficou meu cabelo – disse enquanto a cabeleireira tirava um pano da cabeça dela e pegava um espelho.
Molly ficou paralisada olhando o cabelo da amiga, queria rir e ao mesmo tempo ficava envergonhada disso, afinal, uma amiga jamais riria da outra.
Quando a cabeleireira chegou com o espelho e Ping se viu, ela deu um grito muito alto que chamou a atenção de todos no salão.
Seu cabelo estava amarelo alaranjado e preso em um rabo de cavalo desprezível. E nos fios que teimavam em cair sobre o rosto da garota, a cabeleireira tinha feito tranças rastafári.
Pra piorar o penteado tenebroso e chamativo, o cabelo de Ping ainda estava quebradiço e sem brilho, devido às tintas e misturas que Simone havia usado. Não agüentaria nem fazer outro penteado ou pintar, poderia ficar pior e o tempo não estava a favor da garota. Eram quase sete horas.
Definitivamente, parecia que Ping estava indo para uma festa brega a fantasia.
- Eu não acredito. Meu cabelo... AAAH! Eu vou processar esse salão, a Roxy tinha pedido pra fazer um penteado francês e você me vem com isso – reclamou se levantando e encarando a cabeleireira, apontando o dedo cruelmente na direção dela.
- Não, aquela garota roqueirinha me pediu pra fazer isso. Disse que você ia viajar pra Bahia, pra uma festa típica de lá e queria estar assim. E que você ia amar, era uma surpresa. Desculpa senhorita, mas você não pode processar o salão, só fiz o que foi pedido e você concordou com tudo.
- Então a Roxy mentiu pra mim?! Eu vou matar essa vadia! – E quando virou, se olhando mais uma vez no espelho, Ping deu um grito mais alto que o anterior, que até mesmo quem passava na rua pôde escutar.
- Pode ir parando de gritar mocinha! Você ta espantando os clientes e você tem que pagar, porque desse jeito quem vai ser processada aqui é você – avisou Simone, em voz grossa e autoritária, empurrando a menina até o caixa.
Ping respirou fundo e contou até vinte em pensamento. Tentava inutilmente não olhar-se mais em nenhum espelho, mas ela estava em um salão – por toda parte havia espelhos.
o chegar num balcão branco e comprido, uma moça aparentemente da mesma idade das garotas sorriu debochada e pegou o cartão que Ping segurava nas mãos, passando-o em seguida. Ping digitou a senha e com os olhos lagrimejados e vermelhos, bufava nervosa enquanto esperava a atendente terminar a operação. Ela só conseguia pensar em vingança, Ping não choraria embora seus olhos estivessem querendo derramar algumas lágrimas.
Molly era diferente, ela era mais emotiva e já estava a chorar antecipadamente, pensando no mico que pagaria chegando ao baile sozinha. E o pior era não poder desabafar com ninguém, principalmente com Ping, já que a amiga estava em uma situação mais tensa que a dela.
Após concluir o pagamento, Ping e Molly deixaram o salão: - Eu não acredito Molly, eu não acredito que isso está acontecendo – desabafava Ping, envergonhada por todos na rua a olharem debochadamente. - Quando o Sean me ver desse jeito, vai ser o meu fim. Ah, mas a Roxy me paga, isso não vai ficar assim. Aquela mentirosa, traiçoeira, vigarista! Ela deve ter planejado tudo isso, tudo mesmo. Até ser nossa amiga.
- E agora, o que a gente vai fazer? Vamos ao baile? Você está assim e eu não tenho par, acho melhor a gente... – Molly fora interrompida.
- Nem pense nisso! Nós vamos ao baile, vamos sim. E lá eu me vingarei, de alguma maneira, mas me vingarei e serei feliz por um momento – havia ódio no olhar e na maneira como Ping falava.
Nesse momento, o relógio digital do carro de Geri marcava sete horas, em ponto. E Roxy, sentada no banco do passageiro, mordia o lábio inferior da boca, apreensiva e ansiosa.
- Ta nervosa? – Perguntou a ruiva, estacionando o carro em frente à casa de Derick.
- Não – respondeu Roxy, com as mãos trêmulas de nervosismo.
E Geri riu, ironicamente.
- Por que ta rindo? – Roxy que antes secava a casa de Derick com o olhar, desviou a atenção para a amiga ao seu lado.
Geri ainda ria, discretamente.
- Ta, talvez eu esteja um pouco nervosa. Porque Geri, são sete horas, como vou fazer ele não ir pegar a Missy na casa dela? Ainda mais sabendo que se ele for, acaba com todo o plano.
- Roxy, relaxa! A gente chegou até aqui, agora só precisamos dar um jeito no Derick. E de boa né, ele é o de menos. Ele é seu melhor amigo, você vai conseguir.
- Era meu melhor amigo – nada conseguiria acalmá-la agora.
- Que seja. Você consegue Roxyzita.
Geri era tão confiante, Roxy às vezes sentia um pouco de inveja, queria ser assim também.
Roxy em um impulso a abraçou: - Obrigada por tudo. Sério – agradeceu próximo ao ouvido da colega.
Geri ficou sem ação. Não tinha muitas amizades femininas e suas amigas eram mais devastadoras, nunca carinhosas.
Roxy a largou e abriu a porta do carro, saindo após: - Valeu Geri, agora você pode ir, eu continuo sozinha – afirmou antes de fechar a porta.
- Tem certeza que não vai precisar de ajuda?
- Tenho sim, pode ir. E você tem certeza que não vai ao baile?
- Certeza absoluta. Tenho coisas melhores pra fazer, se é que me entende – Geri sorriu maliciosa e acenou - Agora vai lá Roxyzita, até mais. E boa sorte.
- Obrigada. Vou precisar – Roxy sorriu forçada e ficou parada até Geri dar partida e sair com o carro.
O carro sumiu logo depois de um tempo, mas Roxy continuava parada, de pé, na calçada de frente com a casa de Derick. Ela viajava em pensamentos, e não parecia querer voltar à vida real. Olhava para aquela casa, aquela rua e se lembrava de tudo, de tudo que havia passado ali. Naquele lugar, na casa do seu antigo melhor amigo. Era triste a sensação de derrota que sentia, como se tudo o que viveu tivesse perdido o sentido.
Um barulho de porta sendo destrancada a fez voltar a si. Roxy arregalou os olhos ao ver a porta da casa de Derick sendo aberta. Ela abriu o portão e correu.
- Derick! – Gritou fingindo entusiasmo.
- Caralho que susto! – a olhou desconfiado com a visita – Cara, você precisa parar de fazer isso. De surgir do nada.
- Mas eu nunca surjo do nada, pára de mentir.
- Geralmente quando você vinha me visitar antigamente você me dava sustos, pra falar a verdade, você sempre me dava sustos – contou, relembrando o passado.
Roxy não o respondeu. Doía nela tocar em assuntos do tipo, principalmente referente à amizade dos dois.
Sem graça, Derick investiu em outro assunto: - E aí, tudo bem? – Perguntou tentando ajeitar a gravata.
Derick já estava todo vestido para o baile, com um terno preto e discreto. Era elegante e ele estava lindo vestido de social.
- Não, não estou bem. Preciso falar com você, posso entrar? – Sem esperar pela resposta, o empurrou e adentrou a casa, encostando a porta de saída em seguida.
- Melhor você falar de uma vez o que quer, porque eu tô atrasado já. A Missy deve ta me esperando na casa dela pra gente ir pro baile.
- Esse é o problema, você não pode ir pro baile – Roxy mordeu o canto da boca ao terminar de falar.
- Por que não? Ta com ciúmes, é? – Derick sorriu debochado, nem dando importância ao desespero da garota – Olha Roxy, se você não tem par eu não posso fazer nada. Já vou com a Missy e...
- Não é nada disso, aff – o interrompeu.
- Então o que é? – Derick começou a ficar preocupado.
- Eu não posso te contar o motivo, mas você precisa ir pro baile somente às oito horas. A Missy que pediu pra eu falar contigo – e ela sorriu, mas o garoto conhecia aquele sorriso falso.
- Pára de mentir Roxy, sempre que você mente você sorri desse jeito.
- Que jeito? – Perguntou ofendida.
- Desse jeito que você ta sorrindo agora – respondeu ele, apontando para o sorriso dela.
Roxy ficou séria: - Eu não estou sorrindo.
- Mas estava – afirmou ele.
- Ta Derick. Eu te passei o recado, agora se você acredita ou não, é problema seu – disse dando as costas ao amigo e colocando a mão na fechadura da porta principal, decidida em ir embora – Mas... A Missy vai ficar irritadíssima se você chegar lá antes da hora, porque ela não deve nem estar pronta ainda. Quero nem ver a confusão que vai ser – falou lentamente, fazendo Derick pensar sobre a possibilidade de ser verdade o recado.
Quando Roxy abriu a porta, Derick espalmou uma mão sobre a mesma, fechando-a com pressa.
- Ta bem. Se você ta falando a verdade não vai ter problema nenhum eu ligar para Missy pra confirmar, né? – perguntou se achando esperto.
- É. Não vai ter problema nenhum – Roxy se afastou da porta.
- Beleza. Vou subir lá em cima e... – o interrompeu – Não, você vai subir lá em baixo – Roxy riu sozinha.
- Ha-ha! - forçou uma risada. - Vou subir e ligar lá do meu quarto, mas não vai embora hein – acrescentou ele. Derick queria ver a cara de Roxy quando ele ligasse pra Missy e soubesse que era tudo mentira. Ele ainda não estava convencido de que Missy pediria a ela para mandar um recado desses, ainda mais as duas estando brigadas.
- Ok. Ok. – concordou entediada. Roxy sentou-se em uma cadeirinha que ficava no corredor, ao lado do telefone fixo pendurado na parede. A mãe de Derick amava falar ao telefone, certamente a cadeira servia para ela não se cansar nunca.
- Você ta sozinho em casa? – Perguntou o olhando subir as escadas.
- Sim, meus pais foram jantar fora. Por quê?
- Nada não... – Roxy olhou ao redor, agora seria ainda mais fácil o prender dentro de casa.
O baile já havia começado e várias pessoas chegavam ao local, entre elas Missy e Sean, que por coincidência chegaram ao mesmo tempo: - Er, Missy, oi – a cumprimentou Sean.
Na hora que Missy olhou diretamente para ele, virando o rosto e jogando os cabelos, Sean suspirou.
Sean a olhava sem acreditar no que via. Missy estava completamente diferente do normal. Tão diferente que linda não seria a palavra certa a usar. Talvez perfeita desse para descrevê-la.
Ela usava um vestido tomara-que-caia, branco e brilhante. Era como um pompom. Apertava no busto, marcava na cintura e era volumoso em baixo, na parte da saia.
O vestido adequado para aquela noite.
Missy parecia uma princesa com a pequena tiarinha prateada na cabeça, colocada entre a sua franja e o seu coque de cabelo. Alguns fios loiros e cacheados teimavam em fugir do penteado rigidamente feito pela mãe da garota, assim caindo sobre seu rosto.
Missy sorriu e pôs pra trás da orelha uma pequena mecha enrolada do cabelo antes de cumprimentá-lo timidamente.
- Oi, Sean.
Ela deu um passo à frente e colocou ambas as mãos a segurar delicadamente a saia do vestido, deixando a mostra o pequeno e delicado sapatinho prateado que usava.
Um breve silêncio se fez, deixando os dois sem graças.
Missy esperava ansiosa por Derick e Sean por Ping. Eles não faziam a mínima idéia do que estava acontecendo, e sem saber, esperavam ansiosos por nada.
Parados em frente à entrada do salão onde aconteceria a grande festa, Sean e Missy se encontravam de pé, um em cada canto – Missy na direita e Sean na esquerda. Pareciam até seguranças.
- Você não ia vir com o Derick?
- Você não ia vir com a Ping?
Perguntaram os dois, juntos. Eles riram, era nítido o interesse no acompanhante um do outro.
- Sim – respondeu Sean, antes que ela dissesse algo - mas ela me disse pra esperá-la aqui às oito horas, mas parece que ainda não chegou.
- Mas ainda são sete e pouco.
- É. Eu sei. Achei melhor vir antes, não tinha o que fazer e gosto de chegar primeiro nos encontros.
- Ah, também sou assim.
- E o Derick? – Sean tinha que perguntar, ele não conseguia ficar curioso ou com dúvidas.
- Ele vai bem e você? – Missy riu sozinha. Sean apenas forçou uma risada, muito falsa por sinal.
- Você entendeu a minha pergunta – disse ele.
- Sim. Mas se eu te disser que aconteceu comigo exatamente a mesma coisa que aconteceu contigo, você acreditaria?
- Acho que não.
- Então esquece – Missy sorriu.
Novamente um breve silêncio se fez entre o casal.
- Então.
- Então.
Disseram juntos, de novo.
- Melhor só você falar – aconselhou Missy, rindo daquela situação embaraçosa.
- Também acho – Sean se achou, por um instante, fazendo-a rir mais – Bem, vamos entrar? Não sei você, mas eu não quero ficar esperando do lado de fora. Tá meio vergonhoso ficar aqui de pé parado.
- Verdade. As pessoas passam pela gente e ficam nos encarando.
- Né. Devem pensar que não temos um par e estamos sozinhos esperando por alguém.
- É.
- O que não é mentira né – Sean pôs a mão no queixo e se fez de pensativo.
- Ah, pára! Eu não estou sozinha, estou com você – arriscou Missy.
As bochechas de Sean levemente avermelharam e ele sorriu: - É.
Ele deu o braço para Missy e os dois adentraram a festa de braços dados.

Na casa de Derick, as coisas ocorriam um pouco diferente. Nada de felicidade ou animação. Roxy na sala entediada a se distrair brincando com os próprios dedos da mão e o garoto no andar de cima, procurando na agenda telefônica de sua mãe o número de telefone da casa de Missy.
- Droga! – Exclamou ele, sem achar o número.
- Que foi? – Perguntou Roxy, assustando-o de novo.
- Aff, você parece assombração – reclamou Derick.
A garota estava de pé na entrada do quarto, com os braços cruzados a observar a pressa do menino.
- Desisto! Não acho o número.
- Você não tem no seu celular? – Roxy arqueou uma sobrancelha.
- Não. Meu celular ainda não tá comigo. Meu pai foi buscar minha mãe no aeroporto hoje, ela ainda tá com meu celular.
- Eles não foram jantar?
- Sim. De lá do aeroporto.
- Ah, entendi.
- Não tenho o número da casa dela, você sabe o do celular? – Derick perguntou já com o telefone em mãos.
- Derick, custa tanto assim você confiar em mim? – Perguntou decepcionada.
- Desculpa Roxy, mas eu não consigo mais acreditar em você, em nada do que você diz ou faz – afirmou ele, friamente. Sem se importar se isso a magoaria.
Os dois se olharam por um tempo e Roxy respirou entristecida. Ela andou até a escrivaninha do quarto do garoto e anotou em um bloco de notas o número do celular da Missy.
- Valeu – agradeceu ele enquanto olhava-a deixar o quarto. Derick queria poder dizer algo mais do que um simples “valeu”, mas ele não conseguia. Roxy havia mudado e ele estava apenas fazendo o mesmo.
Ao virar o rosto, lendo e discando no telefone o número anotado por ela, Derick ouviu um barulho forte.
A porta de seu quarto havia sido fechada com toda a força possível. No começo pensou que fosse o vento da janela aberta batendo contra o da porta, mas ao ouvir o barulho de chave, Derick se assustou.
Ele largou o telefone, deixando-o em cima da escrivaninha.
- Roxy, pára de brincadeira! – pediu desesperado, tentando abrir a porta.
- Agora sou eu que peço desculpas Derick. Mas seria bem mais fácil se você tivesse simplesmente acreditado em mim, não posso deixar você estragar o plano. Não agora que está tudo ocorrendo bem – após dizer isso, Roxy terminou de trancar a porta e saiu. Deixando a chave na porta.
- Roxy! – Pôde ouvir no meio das escadas ele a chamar. Várias e várias vezes.
Pensou em voltar e explicar tudo a ele, mas será que Derick entenderia? – Roxy não podia correr riscos, e para ela, o mais importante era a felicidade de Missy, independente de Derick a odiar ou não.
Ela deixou a casa do garoto e foi para a sua. Às nove horas teria que estar no baile, afinal, ainda tinha a apresentação de sua “banda” mesmo que agora não existisse mais uma banda.
- Roxy? Roxy abre logo essa porta! – Continuava Derick a chamá-la, e sem resposta, ele largou a maçaneta da porta e pegou o telefone.
Discou o número da Missy e aguardou, uma ou duas chamadas depois, alguém atendeu: - Alô?
- Missy? Olha, é o Derick. Você precisa me esperar no baile. Eu vou me atrasar um pouco porque a Roxy tá doida. Cuidado. Ela é perigosa e tem um plano, vai destruir a gente. E não é invenção minha.
- Acabou?
Derick pôde ouvir do outro lado da linha alguém rindo, e aquela risada ele conhecia: - Roxy? – perguntou incrédulo.
- Sim. Pois não? – ela continuava a rir.
- Não acredito. O que você fez com a Missy? Esse não é o número do seu celular, eu sei. O que tá fazendo com o celular da Missy?
- A seqüestrei – Roxy revirou os olhos – E fica calmo, esse é o número da Missy mesmo.
- O que deu em você? Aff, onde você tá? Que plano é esse? Roxy, você precisa de um médico, você tá doente.
- Tchau Derick – ela simplesmente desligou. Não só a ligação como também o celular. Sabia que Derick ligaria sem parar.
- Merda! Você vai conseguir o que quer né? Você sempre consegue! – Berrou ele com o telefone na mão, como se Roxy pudesse ouvi-lo.
Alguns minutos depois e mais relaxado, Derick pôde pensar numa solução. Ele levantou da cama onde antes estava sentado e pegou o telefone, de novo. Discando um dos poucos números que tinha decorado em mente.
- Alô, Andressa?
- Amor. Pensei que estaria no baile essas horas – comentou a menina, curiosa por não ouvir barulho de música ao fundo.
- Nem fui. Aconteceu uma coisa e preciso da sua ajuda. Onde você tá?– ele parecia aflito.
- Eu tô na casa da Paula, eu disse que ia dormir aqui hoje, não se lembra? E calma. Respira antes de falar amor, você tá bem?
- Andressa, é sério. Preciso que você vá ao baile, agora. E impeça a Roxy, até eu chegar lá.
- Impedir ela? Por quê? Derick, você tá me deixando com medo.
- Vá pro baile e encontra a Roxy, não temos tempo. Eu mantenho contato, beijo – Derick desligou antes de a garota respondê-lo.
- Não acredito nisso! – Exclamou Andressa, guardando o celular no bolso.
- O que foi? – perguntou Paula, mais conhecida como Paulinha. Uma amiga antiga de Andressa.
- Preciso de uma carona, pode ser?
- Claro – respondeu a outra, com as chaves do carro na mão.

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