Welcome To Dangerous Friendship


Bem Vindos ao Blog-Site da história Perigosa Amizade.
Aqui estão postados os capítulos da primeira e segunda temporada da história. Você pode achar o link dos capítulos diretamente no site www.perigosaamizade.webnode.com/ ou aqui, na fileira de capítulos abaixo do perfil do blog.
Não comece a ler pela última postagem abaixo se não for o capítulo 01x 01 Amigas Para Sempre - pois provavelmente será o último capítulo postado por nós, então, se você não acompanha a história, saberá de fatos adiantados.
Se quiser saber mais sobre os personagens, conversar com a gente ou deixar seu comentário sobre a história, participe na nossa comunidade no orkut. Lá você encontrara uma legião de leitores, que assim como você, gostam de Perigosa Amizade.
Caso já conheça a história e gostaria de nos ajudar a divulgar e crescer, faça parte da nossa equipe de leitores, o TeamDF - o primeiro e único team de uma história virtual.
Obrigada pela atenção, pessoal. E boa leitura. Espero que acompanhem Perigosa Amizade até o fim, por que enquanto houver leitores haverá história.

Com carinho, Gizella, escritora.



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Capítulo - 01x 36



MELHOR AMIGA


   Derick abriu a porta dos fundos do salão e pôs a cabeça para o lado de fora, procurando por Roxy.
Ela ao ouvir o rangido da porta velha ser fechada, correu para a parte florida dos fundos.
O fundo do salão era sombrio e tinha um matagal medonho - onde o chão era de gramado verde e tinha uma trilha de pedrinhas cristalinas. Nada magnífico, mas não era feio. Também não batia muita luz no local, nem mesmo da lua.
Derick não a viu, mas o barulho do tênis dela pisando sobre as pedrinhas dedurou onde Roxy estava.
- Roxy? – a chamou arqueando uma sobrancelha ao vê-la agachada entre um monte de mato – na tentativa de se esconder dele.
- Oi... – disse envergonhada, com a cabeça inclinada e um sorrisinho tímido a cumprimentá-lo. – Nossa, cadê você brinquinho? - Ela espalmou as duas mãos no gramado, fingindo procurar por algo – Acho que perdi meu brinco – mentiu se levantando do chão – Acredita nisso? – ela riu, passando a mão pela calça que estava cheia de folhinhas verdes.
- Não – respondeu ele, risonho. A menina nunca foi de usar brincos, era óbvia a mentira.
Roxy sorriu fraco e olhou para o lado, evitando o olhar direto do amigo. Derick a olhava de uma maneira diferente dos demais dias. Havia algo que Roxy não conseguia decifrar no olhar dele.
Se Roxy não estivesse brigada com ele. Se não tivesse o trancado no quarto e tudo mais, diria que o amigo estava admirado com ela. Era incrível como ambos diziam tanto com apenas um olhar. Derick sabia o que Roxy sentia só pelo olhar dela – expressivo. E naquele momento ela parecia triste, receosa.
Um silêncio se fez, deixando Roxy impaciente: – Bem, então né. Tá uma ótima festa – disse ela, olhando para a porta donde eles haviam acabado de sair.
- Acho que tá melhor aqui fora – declarou Derick.
Roxy de imediato o olhou chocando seu olhar com o dele. Derick ainda a olhava da mesma forma, admirado.
Ela sorriu e baixou a cabeça, sem jeito: - Desculpa por ter te trancado no quarto, mas era preciso, entende? – Roxy o olhou por cima dos cílios, temia que suas desculpas não fossem aceitas.
- Agora é passado – disse ele, com firmeza.
- É? – Roxy franziu a testa – Quer dizer, é – concordou ela, abrindo um sorriso maior. Estava feliz por seu melhor amigo não a odiar mais. Pelo menos exprimia que ele não a odiava mais. Roxy não sabia se um dia Derick chegou a odiá-la , mas era boa a sensação de desculpas aceitas.
Novamente o silêncio pereceu. Roxy não tinha o que falar e estava constrangida, queria ir embora e planejar os últimos detalhes para a sua viagem pro sul.
- Derick, eu vou embora... Sabe, essa festa já deu o que tinha que dar pra mim – ela deu um beijo na bochecha do amigo e se afastou. Queria poder abraçá-lo. UM abraço apertado. Afinal, não sabia quando o veria de novo.
Derick ficou imóvel e Roxy virou o corpo, dando as costas a ele. Mas antes que ela pudesse andar, ele a segurou pela mão: – Espera! – disse num suspiro fraco.
Ele parecia tão nervoso quanto à outra. A expressão confusa no rosto dele exprimia isso.
Roxy olhou para trás, mas sem virar o corpo.
- O que foi? – ela sentia a mão dele gelada e úmida apertando a sua.
O suor frio confirmava o nervosismo de Derick.
- Eu queria que você ficasse – disse ele como se fosse um pedido.
Ela lentamente girou o corpo, ficando frente a frente com Derick.
- Por quê? – Roxy estranhou o estado do amigo.
De repente, um barulho forte encobriu a pergunta da garota. O barulho vinha de dentro do salão, e envolvia aplausos e berros. Andressa deveria ter cantado sua última música. Roxy foi à única que se deixou levar pelo som do público, desviando o olhar para a pequena portinha do salão.
Derick ainda a secava com os olhos, mas já não segurava em sua mão.
- Parece que gostaram da apresentação – comentou Roxy, orgulhosa de si por ter dado a chance que a amiga tanto queria. – A Andressa vai ser um sucesso, você vai ver!
- Não importa ela. Não agora, não mais – disse Derick, colocando a mão suavemente sobre a bochecha gelada e, levemente avermelhada, da garota.
Ele trouxe, com o concentimento de Roxy, o rosto dela para perto do dele até que eles pudessem se olhar dentro dos olhos. Roxy tremeu com o toque do garoto. Ela aconchegou o rosto na palma da mão dele.
Eles se entreolharam durante alguns segundos. Agora aqueles olhos azuis se encaravam.
Derick sentia que não precisava dizer mais nada. Roxy estava em suas mãos, literalmente. Bastava agir.
Ele acariciou a lateral do rosto dela com a ponta do dedo e deu um passo a frente, colando seu corpo ao da garota. Derick fechou os olhos e quando sentiu a respiração falha de Roxy encontrar a sua, inclinou o rosto.
Na mesma hora, pouco antes dos lábios do casal se encostar, a multidão dentro da festa gritou vibrante e alto o suficiente para que todos do quarteirão da avenida pudessem ouvir – Andressa! Andressa! Andressa! – era o sucesso de Andressa vindo à tona, por agora.

Antes que pudesse tocar a boca de Roxy e completar o beijo, Derick sentiu duas mãos tocarem sua cintura, por fora do terno e empurrarem-no com força para trás.
Quando ele abriu os olhos e baixou a cabeça, viu as mãos de Roxy deixarem seu corpo.
Ela recuou um passo, afastando-se dele: - Não! – disse simplesmente.
- Não? – perguntou com braveza. Derick não entendia. Melhor: ele não queria entender.
- Eu não posso – Roxy disse chorosa, embora não estivesse derramando nenhuma lágrima.
- Não pode? Não pode ou não quer? O que você precisa pra deixar a gente ser feliz, Roxy? Precisa que eu fale que gosto de você? Que eu te amo? Você não consegue sentir isso?! – Derick com acidez, pegou a mão da garota e a levou até sua camisa, apertando-a contra seu peito esquerdo por dentro do terno preto.
Os dois se calaram e Roxy pôde sentir o coração de Derick bater. Uma lágrima se formou nos olhos dela, percorrendo seu rosto assim que ele largou sua mão.
- Sentiu? – perguntou com a respiração alterada.
Roxy apenas balançou a cabeça e olhou pra baixo.
- Roxy... Eu gosto de você, eu penso em você o tempo todo. Puxa, eu fiquei com a Andressa só pra te atingir! Eu brigo com você pra chamar sua atenção, eu me preocupo com você – Derick estava pondo pra fora tudo o que estava entalado em sua garganta fazia tempo. Tudo o que ele sempre quis dizer a Roxy, mas não tinha coragem.
- Tudo isso por que eu te amo. Isto não está claro o bastante? – ainda havia agressividade em seu tom de voz e gestos. Era difícil para Derick falar tudo o que sentia, era complicado e horrível esperar pelas respostas de Roxy, que demoravam a vir.
A garota estava tão perdida, tão surpresa.
Roxy estava chorando, embora não deixasse Derick notar isso.
Com o cabelo jogado sobre o rosto, tapando superficialmente sua face e lágrimas, ela mantinha a cabeça abaixada. Não queria e não conseguia encará-lo de frente. Preferia encarar o chão, até que o choro cessasse.
Derick não conseguia ficar calado, para ele o silêncio da parte de Roxy era irritante o suficiente. Ele tinha que de alguma forma, a convencer de que juntos superariam tudo, inclusive Andressa – que parecia ser o maior obstáculo entre eles.
- Roxy, eu sei que você agora está pensando na Andressa. Você quer que ela seja feliz, não quer? Mas e você? Não vale a pena trocar a sua felicidade pela felicidade dos outros, seja quem for.
- Não tem haver com ela. Quer dizer, talvez um pouco. Mas não é só ela – garantiu.
Roxy não queria que Derick colocasse a culpa em sua amiga, afinal, ela não tinha nada haver com a história.
Derick se calou. Ele passou a mão pelo rosto, não sabia mais o que dizer.
Roxy repentinamente levantou a cabeça, encarando-o. Derick culpou-se ao ver os olhos da menina vermelhos e cheios de lágrimas. Lágrimas que caiam sem moderação, e obviamente, por culpa dele.
- Não chora, por favor – ele deu um passo a frente, queria abraçá-la.
Mas Roxy foi pra trás, mantendo as mãos erguidas frente a seu peito. Impedindo que ele se aproximasse.
- É comigo? - Indagou o garoto.
Roxy suspirou, e Derick levou isso como um sim.
- É comigo todo o problema, não é? Você não gosta mais de mim, não é? – perguntou ele, com a voz mais fraca e falha que Roxy já havia ouvido. Agora era Derick que não conseguia falar.
Ele preferia o silêncio naquele momento, mas não era possível.
- Não é a mesma coisa, Derick. Você não consegue sentir? – fez ela, igual ele havia feito.
- Consigo – respondeu, apertando os lábios. – Eu só sinto muito por não ter dito tudo isso a você antes, há um tempo atrás. Agora, por exemplo, podia ser diferente.
- Talvez – Roxy voltou a encarar o chão. Ela limpou as lágrimas com as costas da mão enquanto segurava o choro. Bastava de sofrimento.
De repente, a garota ouviu de relevo alguns pingos caírem sobre o gramado, fazendo um pequeno e impercebível barulho.
- Mas e eu, Roxy?
Roxy levantou a cabeça, Derick estava chorando. Ela sentiu seu coração ser partido ao meio com aquela cena.
- Como fico? – dessa vez quem olhava pro lado, pro nada... Era ele.
Roxy não o respondeu, apenas olhava-o incrédula com o que via. De boca aberta e olhar entristecido, Roxy mantinha-se imóvel assistindo o amor da vida dela sofrer... Por ela.
Estaria sendo ruim fazendo Derick sofrer? Mas e quanto a Andressa? Mas e todas as brigas, a falta de respeito entre os dois, as magoas, as ofensas, os acontecidos... Como Roxy podia esquecer de tudo isso? Não dava para simplesmente apagar o passado e seguir em frente. E agora, nem ela mais sabia o que sentia quanto ao amigo.
- Derick... – sussurrou dando um passo a frente e levando ambas as mãos sentido ao rosto dele. Pretendia limpar as lágrimas do garoto, mas ele afastou o rosto, impedindo o toque dela.
Roxy afastou-se.
- Você vai ficar bem – respondeu ela a pergunta dele, friamente.
Roxy girou o corpo, dando as costas ao menino. Ela iria embora dali e tudo estaria acabado. Respirou fundo antes de ir, era preciso muita coragem para dizer adeus ao seu, antes, melhor amigo.
Antes de Roxy tomar uma distância longa, Derick a puxou. Ele pegou na mão dela, e Roxy acompanhou tudo, acompanhou o puxão, girando o corpo e colando-o no de Derick.
Ele soltou a mão dela assim que a segurou firme pela cintura. Os dois se olharam e Roxy fechou os olhos ao sentir os lábios dele tocarem os seus.
Beijaram-se com vontade, começando rápido e diminuindo a intensidade do beijo conforme ficavam sem fôlego.
Nenhum dos dois sabia por que tinham demorado tanto a fazer aquilo.
O beijo durou um longo tempo, e quando afastaram os lábios, Roxy apertou o rosto de Derick, deslizando as mãos do pescoço até o ombro dele, onde as manteve intactas.
Ela ficou na ponta do pé e sussurrou ao ouvido do garoto: - Eu te amo, sempre amei.
Derick fechou os olhos ao ouvir aquelas palavras serem carinhosamente assopradas ao seu ouvido.
E quando Roxy se afastou, ele tentou puxá-la de novo, mas a menina não deixou.
Ela deu alguns passos pra trás e Derick continuou onde estava – parado a olhá-la. Ele não podia fazer mais nada, agora seria com ela, e Roxy parecia não querer ficar.
- Eu não vou desistir de você – disse ele, convicto.
Roxy involuntariamente sorriu.
Ela acenou e cabisbaixa partiu. Roxy não olhou pra trás, não disse nada, apenas se foi. Ela continuou andando até que sumisse da vista de Derick, dentre a escuridão da noite.
Ele limpou as lágrimas ao não vê-la mais.
Era quase impossível explicar o que ele sentia, exatamente na hora que Roxy o deixou. Mas se fosse pra descrever com apenas uma palavra, a palavra seria: revolta. Derick estava revoltado, principalmente por não poder mudar o passado e refazer tudo. Se ele pudesse mudar - mudar somente alguns fatos - ele estaria com Roxy agora. Disso o garoto tinha certeza.
Roxy ao contrário, sentia uma dor horrível no peito – era como se estivessem apertando o seu coração com as próprias mãos, de pouco em pouco.
E a falta de ar, era sufocante em meio ao choro. Ela não andou durante muito tempo, logo parou. Nem chegou a deixar o salão, ela não conseguia mais andar.
Roxy bem que tentou ser forte e simplesmente ignorar o que tinha acabado de fazer, mas não dava. Não dava pra ignorar o fato de ter deixado pra trás o possível amor de sua vida. E o pior, mesmo que ela se arrependesse, não havia mais volta.
Roxy se jogou no gramado, perto de uma árvore grande e grossa.
Ela arrastou o corpo até poder encostar as costas na árvore, onde permaneceu por mais tempo do que esperava.
Ela chorava, chorava sem poupar lágrimas. Não sabia como ainda tinha tantas lágrimas para derramar. Já havia sofrido tanto, chorado tanto, que ainda poder derramar alguma lágrima pelas glândulas lacrimais era incrível.
Ela limpava o rosto, passava as costas das mãos e também parte da saia de seu vestido.
O tecido fino e leve ajudava a deixar seu rosto seco, mas nada a fazia parar, nada cessava o choro. O que logicamente era de se esperar.
Ela mal conseguia enxergar devido aos olhos cobertos de água. A escuridão do ambiente também não ajudava muito.
Roxy, depois de um tempo, levantou. Ela chorava menos e já conseguia controlar a respiração, mesmo com seu coração sendo torturado por pensamentos nada positivos de sua mente.
Ela precisava de um lugar calmo e tranqüilo para relaxar. E próximo dali, havia um banco.
Ele não era muito notável, já que ficava entre duas árvores gigantes e um matagal baixo, mas cheio. Era um banco velho, de cor escura e mesmo assim dava para se ver a poeira e sujeira ao redor dele.
Roxy não se importou, ela se sentou e ali permaneceu.
Já não chorava mais, o que era inacreditável, já que o banco dava vista direta para o salão de festas. Onde luzes piscavam e pessoas felizes curtiam o baile.
Mais uma vez todo mundo se divertindo e você sofrendo. Parabéns, Roxy! – recriminava-se por pensamento.
Então lhe pareceu que não importava o quanto se esforçasse ou o que fizesse para concertar as coisas – tudo continuaria errado. E ela sempre sofreria no final.
Talvez por que na vida real os romances não sejam feitos de risadas, abraços e beijos carinhosos. Talvez na vida real, os romances sejam apenas imaginários, sonhados. Uma fantasia da qual Roxy não tinha mais vontade de viver.
E talvez as amizades não fossem como ela pensava que eram. Amigos não fossem pra todos os momentos, não fossem para sempre.
Talvez amigos fossem apenas temporários, de assuntos e coisas em comum. Que um dia partiriam, deixando saudades.
Não dava pra evitar. Não dá pra impedir que as pessoas mudem.
Era dramático demais não ter esperanças quanto à vida, mas era assim que Roxy se sentia – inevitavelmente ludibriada.
E mesmo com vários acontecimentos, o problema principal dela se resumia ao fato de nunca esquecer Derick, seu primeiro e mais longo amor.
Roxy estava convicta de que nunca o esqueceria, mas só o tempo poderia decretar isso.
Era uma pena que a garota não soubesse disso. Ela simplesmente achava que nunca o superaria.

E dentro do salão, Derick andava trombando com o povo dançante. Como Andressa havia deixado o palco há pouco tempo, alguns casais ainda permaneciam agarrados curtindo a vibe das músicas românticas que a garota havia cantado.
O DJ comandava a festa com os mais badalados ritmos da estação.
Uma galera - de uns dez a quinze jovens – dominava o meio da pista, dançando em roda, com dois ou três jovens ao centro, a fazer coreografias de dança. E entre eles, estava Andressa, a procurar desesperadamente por Derick. Nem ela sabia como o tinha perdido de vista, pois, durante uma boa parte de seu show ela tinha seguido os passos de seu namorado com os olhos.
Certamente ela se distraiu um tempo e não o viu sair porta afora dos fundos.
- Derick! – gritou puxando o garoto pelo ombro.
Assustado, Derick a olhou.
- Amor, onde você tava? Procurei-te por todo o salão – disse ela.
Andressa passou as mãos em volta da cintura dele, o puxando para ela.
- Eu fui tomar um ar – disse ele, sem demonstrar certeza no que acabara de dizer.
Derick estava abatido. Pálido, com os olhos fundos e caídos e a expressão de seu rosto não era animadora.
- O que aconteceu amor? Você ta se sentindo bem? – Andressa ficou preocupada – Ta tão abatido – comentou, deslizando uma mão ao redor das bochechas dele, acariciando o rosto do garoto.
Andressa podia estar sendo carinhosa, mas Derick se sentiu sufocado com todo aquele chamego.
- Eu to bem – garantiu.
- Tem certeza? – disse mimada, beijando a lateral da boca dele.
- Sim – foi frio. Derick colocou as mãos sobre as de Andressa, as arrancando de sua cintura. Ele afastou o rosto do dela, queria o mínimo de distância.
Dressa não entendeu nada, apenas deu o espaço que ele desejava.
- O que aconteceu, Derick? – perguntou cabreira. Nessas horas tinha medo da resposta que ele pudesse dar.
- Espera! – disse ele, cortando o assunto e deixando-a sozinha na pista de dança.
Ao canto do salão, Derick havia visto Missy. Ela estava sentada em uma cadeira, sozinha.
Derick andou até ela, e Andressa, contra sua vontade o seguiu.
Ela não queria parecer pegajosa, mas era inevitável. Não iria ficar sozinha na pista de dança, com tantos casais ao seu lado.
- Missy! Missy! – a chamou Derick, mas a amiga não o ouviu.
Ele chegou frente à mesa dela no mesmo instante que Sean. Os dois garotos se encararam. Eles ainda se odiavam.
Missy olhou-os sem saber o que fazer, então apenas sorriu desapoiando o cotovelo da mesa, mas o clima não mudou – continuava tenso.
- Pensei que você não vinha, Missy – disse Derick, desviando o olhar para a amiga, logo voltando a encarar o rival .
- Que eu não vinha? Eu estava aqui as oito em ponto, ou melhor, antes das oito já estava te esperando na porta da entrada – disse ela, revoltada.
- Caramba, foi mal. Não acreditei no recado da Roxy e também tive uns problemas com a chave do meu quarto.
- Recado da Roxy? – Missy levantou da cadeira – Que recado da Roxy?
Derick a olhou, ignorando completamente a existência de Sean: - O recado que você mandou pra mim através dela. Que você estaria aqui às oito da noite, que não era pra eu passar na sua casa...
- Não, Derick – o interrompeu.
- Você que me mandou uma mensagem no celular, pedindo pra eu vir direto pro baile, que você não poderia me pegar.
- Não, Missy. Eu não te mandei mensagem nenhuma! E seu celular está com a Roxy, não está? – Derick arqueou uma sobrancelha.
- Claro que não. Meu celular está comigo, ta doido é? – Missy riu. Aquela confusão de histórias era bem engraçada.
- Mas eu te liguei antes de vir pro baile e a Roxy que atendeu – disse Derick, certo da sua versão dos fatos.
- Impossível. Meu celular não tocou hoje, aliás, ele não tocou a semana inteira. Nem meus pais me ligaram. O que é bem estranho... Tenho que admitir – Missy assentiu com a cabeça.
- Como não tocou a semana inteira? – Sean se meteu no assuntou – eu te liguei esses dias, e só caía na caixa postal. Fiquei até frustrado e não liguei mais. Pensei que não quisesse me atender.
- Não, você não me ligou – garantiu Missy, olhando para o garoto.
- Liguei. Claro que liguei - Sean ameaçou pegar o celular em seu bolso e mostrar para Missy, mas Derick interferiu: - Cara, ninguém aqui quer saber se você ligou ou não – disse ele, atiçando a raiva de Sean.
- Ninguém quer saber se VOCÊ ligou pra ela. Firmeza?
- Aham. Sou amigo dela há anos e acha que ela não quer saber se eu a liguei? – os dois começaram a discutir.
- Acho – Sean balançou a cabeça.
- Missy... – Derick virou para ela – Quem você quer saber se te ligou ou não?
A resposta era o Sean , mas ela não faria essa desfeita com o amigo: - Não quero saber de ninguém. Eu sei que ninguém me ligou, to falando.
- Mas eu te liguei – disseram os dois, juntos.
Os meninos se encararam, com raiva. E depois bufaram estressados, novamente juntos.
- Gente, o que ta acontecendo aqui? – se intrometeu Andressa. Ela era a mais confusa de todos.
- Não é da sua conta – disse Missy.
- Hã? Claro que é da minha conta! – Se rebelou Andressa.
- Não. Não é – Missy não gostava muito dela e não fazia questão de ser simpática com Andressa.
- Af, claro que é.
- O que é da sua conta aqui? O celular é meu, o amigo é meu e o namorado atrapalhado é meu – disse Missy, sem pensar nas conseqüências que aquelas palavras podiam causar.
- Namorado? – Derick franziu a testa.
- Namorado? – repetiu Missy.
As bochechas de Missy rapidamente avermelharam, e Sean curvou os lábios a um sorriso faceiro.
- É. Você disse namorado. Que namorado Missy? – Derick continuava com a testa franzida.
E Andressa ria feliz pela menina ter se confundido.
- Que namorado o que Derick! Eu não disse isso – afirmou. Atrapalhando-se com as próprias falas.
- Disse sim – Todos riam, menos Derick e Missy – ela por vergonha e ele por não gostar nada da idéia de sua amiga namorar com Sean.
- Voltando ao assunto... Você disse que a Roxy atendeu meu celular? – Missy tentou abafar o ocorrido.
- Sim. Eu te liguei desesperado por que a Roxy tinha me trancado no quarto. - Sean riu quando Derick contou esse fato, deixando o menino e Missy nervosos.
Missy deu um tapa de leve no ombro esquerdo de Sean, o fazendo controlar o riso.
- Então... Continuando... – Derick fez um barulho com a boca, para que o outro se tocasse e não atrapalhasse mais - Ela não queria que eu fosse a sua casa às sete horas, como havíamos combinado antes das aulas acabarem. Ela tava bem estranha, nervosa e tensa.
- Que sinistro. Eu juro que recebi uma mensagem sua no meu celular dias antes do baile, falando que você queria me encontrar aqui às oito da noite.
- Agora que você comentou... Eu também recebi uma mensagem assim, mas da Ping – comentou Sean.
Os três ficaram pensativos e Andressa cortou o silêncio: - Agora tudo faz sentido – disse ela, atiçando a curiosidade dos demais.
Todos da roda olharam para ela.
- Gente, pensa! – disse como se fosse óbvio o motivo de toda aquela confusão -
Os três continuaram confusos, a olhando sem entender nada.
- Tipo, você e o Sean não iam vir juntos né? Mas acabaram se encontrando aqui não foi? Às oito horas, não foi? – perguntou-os, deixando de lado a rincha que tinha com Missy.
- Sim – respondeu Sean e Missy apenas concordou com ele.
- E você Derick, ia vir com a Missy, não era? Mas a Roxy deu um jeito de você não chegar a tempo. Ta na cara, ela aprontou tudo isso. E tenho que admitir, a Roxy é muito esperta – Andressa sorriu convincente.
- Faz todo sentido mesmo. Ela indo à minha casa, fuçando no meu celular. Ela ficou muito nervosa quando eu perdi meu celular, lembra que te contei? – desabafou Derick.
- Lembro – disse Dressa.
- Mas e quanto ao celular da Missy? – Perguntou Sean.
- E porque a Roxy faria isso? Não tem sentido – disse Missy.
- Calma aí gente. Não sei de tudo, né. Não sou adivinha – disse Andressa, sem graça.
- Af, eu não acredito que ela fez isso. Ela usou a gente, principalmente a mim - disse Derick, aborrecido. Ele ainda não havia superado o fora que Roxy havia o dado.
- Usou vocês? Acorda Derick! Ela fez um bem a vocês. – Andressa se indignou com o desapontamento dos três. Ela olhou pra Missy: - Você, Missy, acha que teria sido melhor se tivesse vindo ao baile com o Derick em vez de ter se encontrado com o Sean “por acaso” aqui?
- Não responda! – disse Derick, com autoria.
Andressa riu: - Viu só? Ela ajudou vocês. E sinceramente, acho que todos nós devemos desculpas a Roxy. Principalmente eu, julguei tanto ela. E agora posso ver, ela é uma grande amiga. Ela realmente é minha amiga – Andressa se emocionou com o próprio discurso.
Sean assentiu com a cabeça, ele concordava com Andressa, embora não tivesse que pedir desculpas a ninguém – ele ainda era amigo de Roxy, como sempre foi.
- Acho que vou procurá-la – disse Andressa, afastando-se do grupo.
- Eu vou com você – Sean a seguiu.
- Tolos! Ela já foi embora... – murmurou Derick, para si mesmo, mas Missy pôde ouvi-lo.
- O que você disse Derick?
- Nada não. Tava pensando alto aqui – tentou disfarçar.
- Não. Você disse que a Roxy foi embora. Você a viu, não a viu?
- Deixa isso pra lá Missy - Derick ameaçou andar, e Missy o puxou pelo braço.
- Responde Derick, onde ela ta? – perguntou com a voz alterada.
- Eu não sei.
- Ta mentindo!
- Não, não estou. Eu queria tanto quanto você saber onde ela está agora – Derick também alterou o tom da voz e Missy soltou o braço dele – depois de tudo que eu disse, ela deve ter ido embora – falou ele, sem pensar.
- Tudo o que você disse? Como assim? O que você disse a ela?
- Nada, não disse nada – Derick tentou novamente disfarçar e cortar o assunto.
- Me diz o que você falou pra Roxy. Vai Derick! – Missy voltou a segura-lo, firmemente.
- Nada, eu não disse nada. Já falei – repetiu, irritado.
- Derick, para de me enrolar. O que você disse a ela? Hein? – Missy fez pressão, queria respostas e as queria agora.
- Mais que droga, Missy! Eu não disse nada a ela, nada demais! – Derick quase gritou, chamando a atenção de alguns jovens que estavam ao lado deles.
- Derick... Se você a fez sofrer, eu juro que você vai pagar muito caro por isso. Você não cansa de fazer a Roxy chorar, de se lamentar por você? Meu Deus Derick, você não tem coração? Ela te ama e você só sabe a criticar, a menosprezar. Ela vai me matar se souber que te contei isso, mas não dava mais pra esconder. Ela te ama. Sempre te amou e você nunca se importou com os sentimentos dela. Você é cruel Derick, você é a pessoa mais fria que eu conheço. E eu particularmente cansei de ver esse teatrinho: a Roxy sofrendo e você rindo disso. Posso não ser mais amiga dela, mas quero o bem dela. Diferente de você, com certeza.
Missy fora tão áspera com ele, tão rígida, que Derick puxou o braço, fazendo ela o soltar.
- É. Eu sou isso aí que você disse, Frio, cruel e tudo mais. Mas hoje, hoje eu disse que a amava Missy e sabe o que eu ganhei com isso? Nada! Não ganhei nada! Eu me abri com a Roxy e ela foi embora, ela me deixou sozinho nos fundos do salão. Realmente eu sou cruel, você tem razão – se defendeu ele, no mesmo tom de voz que Missy usara antes – Só não sabia que as pessoas cruéis choravam, porque você acredite ou não, eu chorei quando a Roxy se foi.
- Por isso você tava tão abatido? – Perguntou Andressa, parada atrás dele.
Ao lado dela estava Sean. Até ele sentiu dó de Derick.
- Andressa... – Derick apertou os olhos e mordeu o lábio. Era tudo o que faltava pra completar a sua noite – maravilhosa.
Ele girou o corpo, lentamente. Dando de cara com Andressa, ela já estava a derramar algumas lágrimas. Ela o amava demais pra aceitar que ele não sentia o mesmo.
- Desculpe – disse ele, com uma expressão derrotada.
- Não. Ta tudo bem. Ta tudo bem, eu estou bem – Andressa passou o dedo em baixo dos olhos, parando com as lágrimas e saiu. Ela passou por Derick numa velocidade apreciável.
Andressa correu direto para a saída do local e Derick bufou, a seguindo de imediato.
- Que confusão – comentou Sean, andando até Missy.
- Sim. Demais – Missy estava inquieta, com a mão na boca a roer as unhas tão bem feitas e bem pintadas. Ela só se tranqüilizou quando Sean a abraçou. O abraço dele era como calmante para ela.
Missy encostou a cabeça no peito do garoto, onde fechou os olhos e tirou a mão da boca. Ela agarrou Sean, apertando-o contra ela.
Foi aí que Missy pensou em Loid, em tudo que eles passaram juntos, na despedida, no que ele havia a dito “sobre se declarar”. Ela também tinha o direito de se sentir livre.
- Sean... – sussurrou desencostando a cabeça do peito dele. Ela o soltou e segurou firme nas mãos de Sean, as apertando com força.
- O que foi? – Perguntou ele, estranhando a atitude dela.
- Não diz nada. Deixa apenas eu falar, ok?
Ele sorriu assustado. Não tinha opções, tinha que concordar com ela.
- Olha, eu não sei como as coisas vão ficar depois de tudo isso que ta acontecendo hoje. Eu não sei como vai ser daqui pra frente, eu não sei de nada. Eu só sei que se você estiver comigo, tudo vai ficar bem. Sempre. Porque você me faz bem, e eu preciso de você.
Sean ficou sem jeito, ele não era bom em romantismo.
- Missy... – ele tentou dizer algo, mas a garota o cortou: - Sean! – exclamou brava – eu pedi pra você não falar nada. Dá pra obedecer?
Ele riu e fechou a boca, apertando os lábios. Demonstrando que não falaria mais nada.
- Melhor assim – Missy se sentiu a própria patroa, ela mesma riu da sua autoridade, perdendo a concentração – Esqueci o que ia falar – lamentou, fazendo uma careta engraçada.
E Sean riu, ele fez um sinal com o dedo – praticamente pedindo permissão para falar.
Mas Missy não o entendeu e ele teve que dialogar: - Posso falar?
- Não. Não Sean! Se não eu vou ficar ainda mais nervosa.
Ele coçou a testa, ele queria falar.
- Tá. Pode falar.
- Valeu.
- Pronto, já falou – Missy riu.
- Caramba, só pode falar uma palavra? – retrucou Sean, rindo.
- Lógico. Eu que mando – Missy mexeu as sobrancelhas, simultaneamente. Demonstrando certo poder sobre Sean.
- Vai nessa – ele ajeitou o paletó – Mulher nenhuma manda em mim, dica.
- É mesmo?
Sean assentiu com a cabeça.
- Então cala a boca se não te mando falar.
Ele ficou sem reação, permanecendo calado.
- Tempo... – Missy forjou um relógio com as mãos.
- Haha. Isso não vale!
- Me obedeceu – Missy mostrou a língua a ele.
E Sean passou a mão em volta da cintura da garota, a puxando contra ele.
- Se você mostrar a língua de novo vai ver o que vou fazer com ela – ameaçou, todo galante.
Missy sorriu, deixando a mostra a língua.
- Que safada! – Sean se fez de santo e Missy sacudiu a língua de um lado para o outro dentro da boca, despertando um desejo incontrolável no garoto.
Porém, quando ele foi beijá-la, Missy o empurrou.
- Sean, desculpa. Preciso ir. Quase me esqueci da Roxy, eu preciso falar com ela. Me espera aqui, eu volto logo – disse apavorada.
E antes de Missy o deixar, Sean segurou na mão dela, a impedindo de ir.
- Espera. Antes quero te dar uma coisa – Ele meteu as mãos no bolso da calça, tentando achar algo.
- Vai logo Sean!
- Calma!
Ele fuçou e fuçou nos bolsos, até encontrar. E quando ele abriu a mão, Missy riu – Sean segurava uma aliança feita de papel, provavelmente papel do guardanapo da festa.
- O que é isso? – ela ainda ria.
- Um anel de ouro – brincou Sean.
- Ouromínio – Missy ria descontroladamente.
- Ta mais pra ouropel mesmo – Sean também riu.
- Como você conseguiu fazer essa proeza? – Missy olhava admirada para o anel de papel na mão do garoto. Estava tão bem dobradinho e bem feito.
- Lembra quando eu pedi licença pra você? – perguntou ele, falando da hora que deixou Missy sozinha na mesa do salão.
- Hm... – murmurou ela.
- Então, eu fui e liguei pro Matt. Ele que sabe fazer essas coisas doidas. Ele é cheio de improvisar e eu pedi uma ajudinha a ele, daí peguei um guardanapo e fiz – contou Sean, olhando para sua obra de arte.
- Só o Matt mesmo – Missy ainda ria, parecia que nunca deixaria de rir.
- E para de rir. Tá me deixando sem graça – Sean fingiu-se de frágil, coisa que obviamente ele não era.
- Tá bom – Missy segurou o riso, não por muito tempo, mas segurou: - E o que isso significa? – perguntou ela.
Sean pegou em uma das mãos da garota e pôs o anel delicadamente, para não rasgar o papel dobrado.
- Isso significa que eu quero estar com você quando você precisar de mim.
Missy emocionou-se por completo. Dos pêlos do braço arrepiados até o coração acelerado. Ela não sabia o que dizer, apenas ria. Estava tão feliz, uma felicidade que a poucos dias atrás parecia impossível de ter.
- Oh, Sean. Que lindo, que lindo – disse abobalhada.
- Sim. Eu sou lindo – os dois riram. A modéstia do garoto era enorme.
Assim que ele soltou a mão dela, Missy ficou parada, durante segundos, olhando para o anel de papel em seu dedo. Ela estava tão boba com aquele olhar vibrante e aquele sorriso besta no rosto.
Sean colocou as mãos no bolso e olhou pros lados, dizendo indiretamente: - E eu não ganho nada por isso?
Missy sorriu e cruzou os braços em volta do pescoço dele: - Ganha. Ganha sim – disse pouco antes de beijá-lo.
Assim que as bocas se tocaram, Sean tirou as mãos do bolso e as pos no quadril de Missy.
Ele não estava todo safado agora, ele só queria ficar com ela. O tempo que fosse.
E Missy queria o mesmo, embora tivesse coisas pendentes.
Não se beijaram por muito tempo, ela logo se afastou, dando uma leve mordida no lábio do garoto.
- Preciso ir agora, mas eu volto – disse ela, já de longe.
Sean ficou imóvel.
Missy passou apressada pelas pessoas da festa, as poucas pessoas que sobraram. O baile estava quase terminando.
Ela perguntou a um dos empregados do local onde ficava o fundo do salão, do qual Derick havia citado na pequena discussão deles. Ela tinha esperanças de achar Roxy lá, e poder resolver tudo entre elas.
Talvez Missy devesse ter sido mais rápida, talvez Roxy tivesse ido embora, como Derick falou.
Mas isso ela só saberia quando chegasse aos fundos.

Enquanto praticamente o colégio inteiro festejava no baile, Small havia acabado sua prova nesse instante.
Ela levantou da cadeira e se surpreendeu ao deixar a prova na mesa do fiscal ao mesmo tempo em que Thiago. Pura coincidência... Ou não. Talvez Thiago tivesse esperado-a entregar a dela para entregar a dele.
Por pouco o fiscal não duvidou dos dois. Small era correta demais – a todo tempo – raramente duvidavam dela.

Small saiu da sala ainda pensando nas respostas que havia colocado. Já Thiago, aparentava estar tranqüilo.
Ele a seguiu do corredor até a saída do local.
- E aí, acha que foi bem? – Perguntou Thiago esfregando as mãos.
A noite estava fria e o ar gelado. Eles estavam parados na calçada, já do lado de fora de onde haviam feito à prova.
- Acho que sim, não estava tão difícil assim. E você?
- Também acho. Agora é só esperar pelo resultado.
- É...
Era incrível como Small sempre cortava o assunto, mesmo sem querer.
- Você vai fazer o que agora? – perguntou ele.
Do mesmo jeito que Small insistia em cortar o assunto Thiago insistia em retomá-lo.
- Vou pra casa, to exausta e já ta ficando tarde. Não posso me dar ao luxo de perder o ônibus – os dois riram, propositalmente - E você, vai pra casa também?
- Pra casa eu vou, mas não agora, ta cedo ainda. Vamos beber alguma coisa? Tem um barzinho aqui perto e eu to de carro. Posso te levar pra casa depois.
- Me levar pra casa? Acha que sou fácil assim? – Small franziu o cenho.
- Não, não. Não quis dizer isso... Falei de te deixar em casa, mas na sua casa.
Small riu. O garoto levou menos de um segundo para se desesperar.
- Calma, eu tava brincando com você.
- Ufá! Quase me pegou hein – ele riu, passando a mão na testa.
- Ah, e quanto ao convite... Não sei não, já ta tarde – disse desanimada.
O dia não tinha sido bom para Small, estava chateada por não ter ido ao baile, tudo que mais queria agora era ir pra casa e dormir.
Dormir fazia o tempo passar mais rápido e as magoas ficarem menores.
- Ta tarde nada. Vamos, por favor, é rapidinho. A gente bebe alguma coisa, conversa e depois eu te levo pra SUA casa – Small sorriu - vai ser rápido e você não vai precisar ficar preocupada com o ônibus, o que acha? – Thiago sorriu de uma forma convincente.
Aquele menino era tão bom em argumentos quanto em puxar assunto. E isso impressionava Small, afinal, ela era totalmente diferente dele. Tímida e quieta.
- Ainda não sei, eu nem gosto muito de beber...
- Então você bebe um suco natural – Thiago não gostava do desanimo da menina – Vamos? Vai ser bom pra você se distrair um pouco, ainda mais depois dessa prova.
E ele estava certo. O que Small realmente precisava – e já há um bom tempo – era se distrair: - Você tem razão, eu vou lá nesse tal barzinho com você.
Thiago ajeitou o óculos de grau e tirou as chaves do carro do bolso. Ele as chacoalhou na mão e sorriu, parecia conseguir sempre o que queria.
Ele atravessou a rua deserta junto com Small e acionou o alarme do carro, destravando as portas.
Thiago tinha um Palio Fire Economy prateado. Ele parecia ser cuidadoso com as coisas, pois o carro estava em perfeito estado. Small até se assustou quando ele disse que antes pertencia a seu pai, já há alguns anos.
Assim que entraram no carro, Thiago ligou o som e deixou a critério de Small. No começo ela ficou sem graça, mas depois não se importava mais.
Mudava de rádio a toda hora, a procura da música perfeita.
- Finalmente! – exclamou ela, tirando o dedo do botão giratório do som.
Thiago suspirou aliviado.
- Ah, pára! Não demorei tanto assim pra achar uma música – disse ela, se defendendo.
- Imagina! – ele riu.
Sem graça, Small virou pro lado, se ajeitando no banco. As luzes da cidade a hipnotizavam. São Paulo era tão lindo à noite. Todas as noites em São Paulo eram lindas.
Algo a fez voltar a si, um barulhinho irritante – era Thiago apertando um botão.
Logo os vidros da frente - tanto de Small quanto o dele - baixaram, deixando o ar gelado adentrar o carro quente.
- Nossa, eu amo aqui de noite, por isso não trocaria esta cidade por nenhuma outra – comentou ele.
- Eu também acho lindo.
- E você ainda quer ir embora, não te entendo – Thiago balançou a cabeça, reprovando os desejos da garota.
- Acho que nem eu me entendo às vezes – ela sorriu docemente confusa.
- Então acho que eu vou ter que aproveitar esse tempo antes de você ir embora pra tentar te entender, isto é – fez uma pausa. Thiago trocou a marchar do carro e fez uma curva fechada. Ele era bastante atencioso ao volante - se você for aprovada né – disse após, olhando para Small.
- Nem pense nessa possibilidade! Eu tenho que ter passado – respondeu, desviando o olhar para ele. Small ficava tensa toda vez que lembrava da prova. Ela tinha praticamente deixado de viver para estudar, pra se preparar... Ela tinha que ser aprovada!
- Calma, eu só tava brincando, você realmente precisa relaxar um pouco.
Os dois riram. Small olhou para si mesma: estava sendo dramática.
Sentiu uma vergonha básica, mas Thiago a fez relaxar, novamente. Ele era bom em muitas coisas.
Era bom em puxar conversa, em convencer as pessoas e o principal: em fazer Small se sentir bem consigo mesma, da forma como ela era. Coisa que não conseguia com Sean, era como se ela mudasse de personalidade para agradar os outros. Porém, agora estava diferente. Ela era ela mesma e estava se divertindo – o que era raro.
Eles foram até o barzinho conversando. Riam sempre, as piadas de Thiago não eram tão engraçadas, mas a faziam rir e isso era bom.

O baile ainda acontecia. Alguns dos alunos virariam a noite por lá, outros já estavam de saída e alguns - bem poucos, praticamente únicos - chegavam agora: entre eles, Cachaça.
Ainda do lado de fora, Cachaça andava torto sentido a porta de entrada do salão de festas.
Ele vestia uma calça preta social, uma camisa branca com as duas mangas dobradas e uma gravata da mesma cor da calça, só que mal colocada. Em uma mão segurava seu terno e na outra uma garrafa de pinga, já vazia mais da metade.
O garoto mal conseguia andar. Parecia estar prestes a cair no concreto duro e amargo do chão. Cachaça não conseguia andar em linha reta e qualquer um que o visse logo percebia que estava bêbado.
Ele deixou a mão fraquejar e o terno cair no chão. Entrou no baile, sem se preocupar com o que acabara de perder.
Cachaça chegou causando – tropeçando no último degrau a subir da pequena escadinha da entrada - chamando atenção de todas as pessoas ao redor dele.
Ele só não caiu porque foi ajudado por uma menina que passava ao seu lado: - Valeu gatinha, goxtosa você hein – comentou olhando para o decote do vestido dela.
Cachaça falava cuspindo e cambaleava tanto, quase caindo por cima da garota que o ajudou.
Ele só não tinha visto que a mesma estava acompanhada por um garoto forte e alto – daqueles que vivem malhando.
- Ei, sai de cima da minha namorada, idiota! – disse já se preparando para dar um soco em Cachaça.
- Não amor, o deixe aí, vamos embora – pediu a menina, puxando o namorado e saindo.
- E agora quem é o idiota hein? Ficou com medo né bichinha, eu sou foda! – se gabou indo até um grupo de amigas que estavam a assistir a cena: - É o seguinte galera, eu vim sozinho, mas por opção sacou? – Cachaça deu mais um gole da pinga e continuou seu discurso. Aliás, ele podia deixar cair tudo, até si mesmo, menos a pinga.
- Eu só vim aqui pra pegar as gatinhas – disse, com um terrível bafo de pinga, fazendo as meninas se afastar: - Já vão embora? Que escrotas!
Cachaça continuou andando torto pela festa, tentando beijar todas as meninas que via pela frente, com isso arrumando mais algumas tretas com os meninos e levando tapas das garotas. Elas não eram obrigadas a agüentar um bêbado tarado.
Bem, isso é o que uma das vítimas achava – indo até o segurança da festa e dedurando o alcoolismo de Cachaça.
- É aquele dali. Ele ta tentando agarrar todas as meninas do baile a força, aquele bêbado nojento – contou, apontando com o dedo.
O segurança não demorou nada pra tomar satisfações: - Qual é seu nome moleque? – perguntou cutucando o garoto.
Cachaça olhou pra trás, de começo se assustando com o tamanho do homem. O segurança era alto, muito alto. Cachaça olhou pra cima pra poder respondê-lo olho no olho.
- É Cacha-cha – soluçou. – ça! É Ca-cha-ça! – respondeu, quase caindo em cima do segurança.
- Ta de brincadeira é rapaz? Acha que estou rindo? Diga logo seu nome ou será expulso!
Cachaça riu. Nessas alturas ele nem lembrava mais seu nome, só sabia seu apelido.
- Já disse, é Cachaça, seu burro! – alterou a voz.
- Cachaça é? A festa pra você acaba por aqui então – falou com acidez, o puxando para fora.
Foi mais fácil do que o próprio segurança imaginou. Cachaça era magrelo e não muito alto, ele precisou apenas de uma mão para arremessá-lo na calçada.
– E não tente voltar que eu vou ficar aqui de olho, entendeu?
- Ta bom, eu não queria ficar mesmo! Essa porcaria de festa que não tem nenhuma bebida que dê pra eu beijar e nenhuma gatinha que dê pra eu beber! – após mais um de seus escândalos, Cachaça saiu andando sem rumo.
Não sabia pra onde ir, só não queria ir pra casa. Sua mãe o ver naquele estado seria horrível e ainda teria que agüentar os sermões de sua irmã perfeita e correta.
Sem perceber, Cachaça foi andando por umas ruas mais escuras - mas bem próximas do baile - onde um grupo de garotos conversava e como ele estava sozinho e bêbado, não pensou nas conseqüências, puxando conversa com esses mesmos.
- E aí povo, vocês têm uma breja pro Cachacinha aqui?
Os garotos riram maliciosamente e o que se encontrava no centro do grupo, um loiro, alto e de olhos claros, se aproximou de Cachaça: - Breja a gente não tem, mas temos coisa muito melhor pra você, aceita?
- Claro, manda aí.
- Seu apelido é Cachaça né? Então acho que tenho uma chara aqui pra você, vem – disse o puxando para um canto, um beco escuro e sem saída.
- E aí cara, cadê a bebida? – tomou satisfações Cachaça, estranhando o local.
- Bebida? Que bebida? – perguntou o olhando.
O garoto loiro o empurrou contra a parede e o pressionou contra a mesma. Ficaram perto um do outro por alguns segundos, perto até demais. Cachaça sentiu algo molhado e quente tocar sua boca – ele pensou que fosse algo a mais, mas eram apenas os lábios do menino.
Cachaça o empurrou. Nessas horas ele lembrava seu nome, sabia quem era e sabia que queria ir pra casa. A noite tinha acabado para ele, naquele momento. Cachaça sentia nojo de si.
Ele limpou a boca com a manga da camisa e pensou ter visto alguém, parado na entrada do beco. Ele olhou, rapidamente, podendo ver com a escuridão só uma sombra, e parecia feminina. A sombra modelava um vestido longo e grudado ao corpo.
Agora sim sua vida tinha acabado.
Cachaça podia ser tudo, menos gay. Ele podia omitir o fato de ter beijado outro garoto e viver a vida simplesmente, mas não podia omitir o que a pessoa parada a olhá-lo acabara de ver.
Ele ameaçou correr, mas era tarde demais. A pessoa simplesmente sumiu na escuridão. Seja quem for que estava ali, agora não estava mais. E com ela havia levado o segredo de Cachaça – ele tinha beijado outro garoto e talvez nunca superasse isso. Pelo menos não se outras pessoas ficassem sabendo.
- O que foi? Não era o que você queria? – perguntou o menino loiro voltando a se aproximar. E dessa vez com ele vinha os outros do grupo. Os capangas.
- Não. Seu veado! – respondeu, dando um soco no rosto dele. Cachaça então correu, correu como nunca havia corrido na vida.
Correu mais do que quando jogava basquete e tentava fazer cestas.
Os garotos podiam ser homossexuais, serem tarados... Mas eram fortes. E pior, todos eles.
O rapaz loiro caiu ao chão e os moleques da turma o ajudaram.
Cachaça se surpreendeu com a tamanha força que havia socado o garoto, mas nem ficou para se vangloriar, já estava longe, saindo do beco.
Ele entrou em um táxi que estava parado no ponto, ordenando o motorista começar a corrida às pressas.
A única coisa que Cachaça pôde ver foram mais rapazes indo sentido ao pequeno beco, obviamente pra ver o que havia acontecido.
Depois disso, com o carro se distanciando, não conseguiu ver mais nada.
Ele respirou fundo e pediu para o taxista o levar para a casa. Sua cama era a única coisa que queria encontrar, por essa noite.
-

Enquanto Cachaça fugia, Small estava no carro com Thiago que a levava pra casa: - Mas quase derrubando o suco em você, foi ótimo hein – comentou rindo.
- Eu nem achei engraçado ok – disse Small – mas você viu a cara que ele fez quando eu pedi o suco? Não sei o que tem de tão anormal de pedir suco em um barzinho, nem todos gostam de beber.
- É. Também não sei qual é o problema nisso – ironizou ele.
- Seu besta. – Small riu, aliás, ela riu bastante durante toda a noite.
- Viu só? Eu falei que ia ser bom pra você sair comigo, pelo menos foi engraçado.
- Foi mesmo, você tinha razão – ela assentiu com a cabeça, pensativa.
- Eu sempre tenho razão – Thiago ajeitou os óculos, ele sempre ajeitava os óculos antes de se gabar de algo.
- Nem se achou! – brincou Small e os dois riram, estavam rindo praticamente de tudo. Alguns minutos depois, chegaram ao condomínio onde Small morava e saíram do carro.
- Thiago, obrigada por tudo, foi muito bom ter saído com você.
- Foi nada, sempre que precisar pode contar comigo – ele a entregou um papel, dobrado e discreto.
Small olhou de relance.
- Não. Seja mais modesta, abra quando estiver sozinha no seu quarto – disse ele, cobrindo a mão dela com a sua, forçando-a a guardar o papel.
- Detalhe: Não tenho um quarto só pra mim, o divido com meu irmão.
- Bem, então abra o papel no banheiro – Small riu. – Ou divide o banheiro com alguém também? – arriscou Thiago, numa tentativa de saber se ela era solteira.
- Não. Não divido nada com ninguém, a não ser meu quarto – respondeu docemente. Small geralmente era doce na maneira de falar.
Thiago suspirou: – Isso é bom.
- É? – Small franziu a testa.
- Sim. Quer dizer basicamente que você não está comprometida – ele tinha que ter certeza que ela não estava ficando, namorando ou casando com ninguém.
- Ah, claro... – ela riu – Não sei o que tem a ver o banheiro com algum possível relacionamento meu.
Thiago tremeu: - Então está comprometida?
- Quanto a isso, te deixarei na curiosidade – Small sorriu. Dessa vez sem ser tão doce.
Ele guardou aquele sorriso, era praticamente uma confirmação de que ela estava solteira.
De repente um táxi parou atrás do carro de Thiago, chamando a atenção do casal. Eles olharam para o taxista e o passageiro destrambelhado que saía do carro. Aquele era Cachaça.
- Hei garoto, você não pagou – avisou o motorista.
- Pagar? Que pagar o que! – retrucou Cachaça, já querendo fazer barraco com o cara.
- Ah não, eu não acredito nisso – disse Small, revirando os olhos.
- Você o conhece? – perguntou Thiago, arqueando uma sobrancelha. Ele jamais diria que ambos eram irmãos, afinal, Small era tão centrada das idéias. E aquele moleque parecia ser um perdido da vida.
- Conheço, ele é meu irmão – respondeu, morrendo de vergonha caminhando até o taxista: - Desculpa senhor, ele é meu irmão. Pega aqui o dinheiro e desculpa mesmo.
O motorista compreendeu a situação, o garoto estava bêbado e obviamente não pagaria se não fosse à moça. Ele pegou o dinheiro, entrou no táxi e deu partida.
- Small minha irmãzinha, irmãzinha linda, você sim tem futuro – disse Cachaça, se jogando pra cima da garota, na intenção de abraçá-la.
- Não Cachaça, se afasta vai – ordenou Small, o empurrando pra trás.
Quando Small se afastou, ele acabou caindo no chão e Thiago logo foi ajudá-lo a levantar: - Não encosta em mim, cara. Não encosta! – disse alterando a voz.
- Tudo bem, eu só quero ajudar – respondeu o levando até o porteiro que o trouxe pra dentro.
- Vocês são todos uns veados, eu não! – gritou Cachaça antes de entrar no prédio.
- Nossa, seu irmão ta mal, acho que ele precisa de você – comentou Thiago, olhando a situação do menino.
Small baixou a cabeça, lamentando o acontecido: - Sinto muito por isso. O Jonas é assim mesmo, o tempo inteiro. Mas eu entendo se você não quiser me ver mais, eu juro que entendo.
- Não. Seu irmão é seu irmão, você é você. Agora com isso é que quero te ver mais vezes, sinto que você precisa de uma distração e aqui estou eu – Thiago apontou para ele mesmo, fazendo Small levantar a cabeça e sorrir.
- Obrigada – sussurrou ela, tímida.
- Mas só acho uma coisa errada.
- O quê? – Small olhou assustada.
- Seu irmão precisa de você, ele precisa de ajuda, isso está claro. E você quer ir embora, deixar tudo e seguir adiante. Não me leve a mal, não estou te julgando, mas acho que sua família precisa de você.
Small discordou com a cabeça, era um absurdo o que Thiago estava dizendo. Ele não sabia do quanto à mãe dela preferia Cachaça e a tratava mal, ele não sabia de quantas vezes ela teve que salvar o irmão para que ele não fosse preso, arrumasse confusão ou até mesmo coisa pior.
- Não. Você não sabe nem a metade do que acontece aqui. Minha mãe me odeia, ela dá toda atenção para o Jonas, ela gosta mais dele e deixa isso bem claro pra mim.
De longe dava para se ouvir os berros da mãe de Small com Cachaça.
- Talvez... – Thiago fez uma pausa, estava procurando as palavras certas a dizer – Talvez sua mãe confie em você. E não deve ser por querer que ela dê toda a atenção pro seu irmão, quer dizer, olha pra ele. Ele precisa de atenção, a todo tempo. E você não, ainda bem.
Small olhou pro prédio, ainda dava para se ouvir a mãe dela berrar loucamente com Cachaça.
- Ela precisa de você Small. Sua família precisa de você – disse Thiago, olhando para ela: - E acho que agora eu também preciso de você.
Ela o encarou, espantada.
- Viu como muita gente precisa de você? – os dois riram.
- Bem, acho melhor eu ir. Mas pense no que eu disse.
- Você acha mesmo que por causa dessa confusão eu não vou embora? – perguntou ela, o vendo caminhar sentido ao carro.
- Não sei. Mas a esperança é a última que morre – berrou Thiago, já abrindo a porta de seu carro.
Small apenas riu e acenou. Ele retribuiu o aceno e entrou no automóvel, dando partida logo após.
Ela permaneceu parada até que o carro de Thiago sumisse entre os demais. Small já se virava pra entrar no prédio, quando sentiu algo em sua mão. Era o papel que Thiago havia a dado.
Ela sorriu fraca e desembrulhou: no papel estava o número dele.
Small levantou a cabeça, ainda ouvindo os gritos de sua mãe, refletiu: Ela tinha feito um novo amigo, tinha se divertido, e descoberto do quanto sua família precisava dela. Tudo em apenas uma noite.
A noite que talvez tivesse desperdiçado no baile, com Sean. Pela primeira vez não lamentou ter preferido fazer a prova em vez de ir à festa de despedida do colégio. Ela estava feliz em como as coisas tinha acontecido.
Ela guardou o papel com o número de Thiago no bolso da blusa que usava e adentrou o prédio, pensativa. Não tinha mais certeza de se queria ir embora, talvez sua vida tivesse que ser ali, em São Paulo - estudando no mesmo colégio e indo a barzinhos, com Thiago.
Não muito longe da casa de Small, Thiago parou em um farol vermelho, olhando pro lado somente de costume.
Havia um carro encostado na calçada, dentro dele uma ruiva muito sexy e bonita se maquiava usando o retrovisor.
Thiago desaprovou com a cabeça a atitude da garota, ela podia causar um acidente se maquiado em pleno volante.
A ruiva estava distraída e nem notou o olhar do menino. A ruiva era Geri e ela não queria saber se tinha alguém a espiando, a desaprovando, ou seja, o que fosse.
Ela estava se arrumando para encontrar com quem sempre quisera, desde o começo das aulas: o professor Rufles.
Ela guardou o batom vermelho que acabara de passar nos lábios e ajeitou o decote da blusa, deixando seus peitos ainda mais a mostra.
Thiago virou o rosto, aquele tipo de beleza vulgar não chamava a atenção dele.
O farol abriu e Thiago foi embora, direto pra casa. Mas Geri, Geri continuou onde estava com o carro estacionado. Ah, sim. Ela não tinha marcado nada com Rufles e ele nem fazia idéia de que a veria hoje, era mais um dos planos de Geri para fisgar o professor.
Ela só tinha certeza de uma coisa, o encontraria hoje – acidentalmente - e seria devidamente provocadora – como sempre era. Ela sabia que Rufles tinha compromissos numa boate da rua onde havia estacionado seu carro. Não sabia qual boate ele freqüentava, mas seja qual fosse ela entraria também e lá o pegaria – de jeito.
Ela ajeitava o cabelo quando o viu passar, despercebido na calçada do outro lado da rua. O professor estava tão diferente, Geri ficou de boca aberta. Ele vestia roupas de marca e chamativas, seu cabelo estava bagunçado e pra completar a descrição - ele não usava aquele óculos ridículo que sempre usara nas aulas.
Geri exclamou “gostoso” assim que o viu, mas isso não vem ao caso.
Ela já estava desligando o som do carro, pegando a capinha e a guardando na bolsa – morava em São Paulo, tinha que tomar cuidado com suas coisas – quando viu Rufles parar em frente a uma boate.
- Então é essa... – disse Geri, apertando os olhos. Ela não enxergava muito de longe.
Tentou ler o nome da boate, mas um caminhão parado ao lado do carro dela – esperando o sinal abrir – dificultou ainda mais as coisas.
Ela não se importou com o nome do lugar, checou a aparência no espelho e sorria para si mesma. Estava tão feliz.
Quando o sinal abriu, o caminhão liberou a rua, deixando bem a mostra à boate e Rufles.
Ela ainda sorria quando viu uma coisa estranha. Geri franziu a testa, não estava entendo mais nada.
Ao redor de Rufles só tinha homens, e todos bem vestidos e galantes. Ela podia não enxergar bem, mas viu perfeitamente um dos caras ao lado por a mão na cintura do professor. Geri sentiu um calafrio, ela agora parecia entender as coisas, mesmo não querendo.
Subiu o olhar, podendo ler o nome da boate: - Pur...Pu..Ri..Na... – leu aos poucos. Geri não era boa com leitura e piorava de longe: - Purpurina?! – perguntou como se alguém pudesse respondê-la
Geri respirou bem lentamente, agora não queria entender mais nada.
Ao voltar a olhar para Rufles, ele já não fazia a mesma coisa que antes... Ele estava abraçando o cara que mantinha a mão na cintura dele.
Geri já não tinha mais vontade de sair do carro. Já não via mais por que sair.
Ela continuou a olhar, apoiando as costas sem vontade no banco do motorista. Um tempo depois e lágrimas já caíam de seus olhos. Ela nem percebera que estava chorando, sofrendo mais uma vez por causa dele.
Ela realmente gostava de Rufles, mesmo parecendo impossível. Ele fora o único homem que Geri nunca conseguiu nada, nem um beijo, nem um abraço, nada! Isso a fazia o querer mais e mais. Embora agora entendesse o porquê nunca o conquistara.
Na porta da boate, antes de entrar, o mesmo homem que abraçava Rufles o beijou. Na boca, esfregando as mãos nas costas dele.
Geri levou a mão à boca. Ela tinha amigos gays, amigos e amigas homossexuais. Mas era tão nojento ver Rufles fazer parte desse grupo.
Não que ela tivesse preconceitos, mas puxa, ela o amava.
Do nada não conseguia mais espiá-lo. Não tinha mais uma visão nítida, as lágrimas jorravam de seus olhos e a faziam não ver mais nada. O que era bom, muitas coisas aconteceram na frente daquela boate – muitas coisas incluindo a participação de Rufles.
Quando ele entrou na festa, Geri passou ambas as mãos nos olhos, tentando controlar o choro. Ela jogou a bolsa - que antes segurava - no banco do passageiro. Ligou o carro, mas não deu partida.
Ela chorava, ela não tinha vontade de fazer mais nada. Se não estivesse tão abalada emocionalmente, Geri desceria do carro e entraria na boate, só pra gritar para todos que Rufles era o gay mais lindo que ela conhecia, e que ela o amava.
Não, não faria isso. Não agora, não naquela noite.
Geri não estava acostumada a sofrer, ela não fazia idéia de que doía tanto amar alguém.
Ela encostou a cabeça no volante, onde derramou suas últimas lágrimas. Como podia estar chorando? Tinha planejado a noite dos sonhos. Talvez não tivesse sorte, ou simplesmente, não era pra ser.
Geri bateu no volante, com as duas mãos. Só queria voltar a ser ela mesma, sem sofrer, sem chorar, apenas curtindo a vida – a todo tempo.
Após uns minutos não chorava mais, estava séria e seu olhar não tinha mais vida. Não tinha mais aquela alegria inicial.
Ela procurou a bolsa no banco do passageiro e pegou a capinha do som, o ligando após. Uma música triste começava a tocar na rádio que Geri tanto amava e sempre escutava. Mas agora não dava pra escutar música triste, não mesmo. Ela pegou ao lado de seu banco um CD e o colocou pra tocar. Diversas músicas de black music tocaram. E antes de sair com o carro, Geri se olhou no retrovisor.
Estava infeliz, mas sua maquiagem por incrível que pareça não havia borrado. Ainda era linda e provocante. Ela suspirou – não deixaria sua noite acabar assim.
Talvez devesse voltar a ser como antes, pois acreditem, ela tinha mudado. Agora não saía mais com vários caras, escolhia bem seus acompanhantes. Mas devido a tudo que tinha acontecido, não valia de nada sua mudança. Talvez tivesse passado da hora de voltar a ser como era, voltar a ser feliz.
Assim que engatou a primeira - tirando o carro do acostamento da calçada – Geri decidiu que dali por diante sairia com todos os homens que tivesse afim, beijaria na boca, transaria, faria de tudo. Aproveitaria todas as oportunidades e não se prenderia a mais ninguém. Não era virgem, não era feia. Ela podia fazer tudo, qualquer coisa. E aquela noite seria perfeita, com Rufles ou não.


E pelas ruas de São Paulo, Derick seguia Andressa – a menina não queria conversar, ela corria para o mais longe que pudesse chegar.
- Andressa, pára! Me espera! – berrava ele, quase a alcançando.
Andressa não queria saber dele, ele podia sumir que ela não ligaria.
Ou achava que não ligaria.
- Vai ser assim então? Você vai continuar correndo e eu a te seguir? Estou cansado Andressa, realmente estou cansado – gritou Derick, já não correndo mais – Você não quer me ver mais? Não quer mais falar comigo? – ela continuou a correr, simplesmente - Se você não parar agora, eu vou desistir. E vou levar essa sua atitude como um sim para todas as minhas perguntas.
Andressa desacelerou, mas não parou de andar, só não corria mais.
Ela olhou pra trás e lá estava Derick, parado na calçada, sozinho. Andressa então se lembrou do dia em que ia embora, que esse mesmo menino - que estava a fazendo sofrer agora - tinha se declarado, mudando completamente o rumo de sua vida.
Ela virou o rosto, não andava mais e estava de costas para Derick. Ela respirou contendo o choro e olhou ao redor. A rua que eles estavam devido à noite fria e ao horário – tarde da noite – estava vazia.
Derick aproveitou para caminhar até ela, com cautela e cuidado. Temia que Andressa voltasse a correr, fugindo dele.
- Andressa... – disse baixinho, já bem próximo dela.
Ela respirou devagar, mantendo a calma.
- Vamos conversar? – perguntou ele, tocando o braço dela por trás.
Andressa puxou o corpo, impedindo o toque dele.
- Não faz isso, Andressa – pediu Derick, em voz roca.
Ela girou o corpo, o encarando. Seus olhos estavam vermelhos, mas ela não chorava mais. Não como antes.
- E porque você faz isso comigo? Acha que eu gosto de te amar e ver que você não se importa? Não. Eu não gosto disso. Eu devia ter ido embora aquele dia na rodoviária. Mas eu não fui. E você consegue lembrar o porquê?
Derick assentiu com a cabeça. Ele lembrava melhor do que ela.
- Agora, vamos, responda você as minhas perguntas! Eu respondi as suas, eu parei de andar – Andressa voltou a chorar e Derick a abraçou.
Ela deixou que ele a abraçasse, mas logo o empurrou: - Não. Não quero que você me abrasse, eu quero que você seja sincero comigo, pelo menos uma vez. Porque eu fui sincera com você, o tempo todo. Droga, Derick! - exaltou-se. - Eu me deixei levar por você, eu me entreguei a você, eu perdi contigo uma das coisas que eu dava mais valor. E agora vejo que foi tudo uma mentira. Tudo! Como acha que me sinto?
Andressa se referia a sua virgindade e Derick sabia disso. Ele não respondeu nada, só continuou a olhá-la com aquele olhar de pena, e isso a irritava.
- Não. Você não sabe como eu me sinto – afirmou ela – Adeus Derick – Andressa deu as costas a ele, indo embora.
- Mas sempre há tempo pra consertar as coisas – disse ele, ela continuou a andar – Andressa... Não precisa ser assim. A gente ainda pode dar certo, agora de verdade.
- Como? – Ela virou o rosto, olhando parcialmente para ele. – Você ama a Roxy, Derick. Eu ouvi tudo o que você disse para a Missy. E eu não te culpo, acho que você e a Roxy sempre se amaram, mas eu não quis enxergar isso.
- Não, você está enganada. Quando eu fiquei com você, eu não gostava da Roxy. Não como hoje, e se fiquei com você foi por querer, mas não tinha certeza do que sentia. E agora eu quero tentar de novo Andressa, eu gosto de ficar com você, de sentir que alguém me ama.
- Você não acha que eu também mereça sentir que alguém me ama?
- Eu nunca demonstrei não gostar de você.
- Sim. O que torna tudo pior, porque a cada dia eu me aprofundava mais na nossa relação enquanto você me usava.
- Eu nunca usei você. Eu fiz de tudo pra conseguir aquele apartamento com meu pai em Santos... Acha que fiz isso por quê? Porque eu não queria me afastar de você nem por um minuto. Você foi importante e quero que me dê outra chance, pra provar que eu posso te amar.
Andressa virou o rosto, já não tinha mais condições de o olhar. Estava novamente chorando.
Sentia-se fraca, sozinha, desprotegida... E foi quando Derick a abraçou que ela sentiu mais medo.
O amava tanto que tinha medo dela mesma. Não conseguia simplesmente ir embora e o deixar. Ela sabia que ele não a amava, mas queria ficar e tentar de novo – o que tornava a situação deplorável.
Andressa deixou que ele a abraçasse como quisera.
Ela chorava, tentando se acalmar e Derick sussurrou, ao ouvido da garota: - Andressa... Você aceita namorar comigo?
- Isso parece um pedido de casamento – disse ela, sorrindo fraco.
Ele riu.
- Não era bem essa resposta que eu queria – retrucou Derick.
Ela tinha que pensar, não podia responder assim, nessas condições. Mas perto dele, ela não raciocinava direito: - Sim – respondeu depois de alguns segundos.
Agora eles eram oficialmente namorados. Derick estava disposto a esquecer Roxy, e Andressa, bem, ela estava disposta a ajudá-lo nisso.
Daria certo ou não? Nenhum dos dois sabia, mas valia a pena tentar.
Na casa de Dan, tudo corria perfeitamente tedioso. A misteriosa garota do Rio de Janeiro tinha saído para curtir a noitada e deixado Dan, digamos, chupando o dedo em casa.
Ele voltava pro quarto carregando um prato de brigadeiro – vicio do menino. Ele costumava dizer que seu brigadeiro era o melhor de todos, ninguém fazia igual.
E era verdade. Era delicioso, mas era uma pena que ninguém além dele mesmo já havia provado desse brigadeiro. Dan não tinha amigos, a não ser Sean.
Ele subia as escadas devagar de sua casa enorme até ouvir um barulho do MSN. Ele correu curioso, devia ser a tal garota voltando da noitada. Tropeçou do tapete de seu quarto, deixando o brigadeiro cair. Dan xingou alguns palavrões e se sentou na cadeira de frente com o pc.
De fato, era ela que acabara de entrar, puxando conversa com o garoto antes mesmo de Dan o fazer.


Nick Princess diz: Acabei de brigar com a minha mãe ¬¬
Dan SaFaDãO do MSN diz: Ixi, como foi?
Nick Princess diz: Isso não importa. Ainda está de pé o convite pra eu ir morar aí?
Dan SaFaDãO do MSN diz: Opaaaa!
-
Dan vibrou sentado na cadeira, nem lembrava mais do brigadeiro no tapete.
Nick Princess diz: Então São Paulo que me aguarde, depois do ano novo deixarei o Rio de Janeiro :)
Dan SaFaDãO do MSN diz: E será bem vinda.


Agora Dan estava feliz. O tédio tinha deixado o seu quarto e uma felicidade enorme o invadiu.
Agora Nick estava a caminho, não exatamente agora, mas estava a vir.
Uma nova integrante ao grupo, talvez. O que ela aprontaria aqui, ninguém podia prever.


E no baile, Missy procurava por Roxy nos fundos do salão. Estava tudo escuro e dava medo. A pequena garota deu uma olhada ao redor e pensou em voltar pra dentro da festa, voltar para Sean. Mas não se tratava de qualquer uma. Ela estava indo se reconciliar com a sua ex-melhor amiga.
E não seria fácil, pelo menos era o que Missy achava, ela não sabia qual seria a reação de Roxy.
O delicado sapatinho que Missy usava fazia menos barulho que o tênis de Roxy fizera ao andar sobre as pedrinhas na grama. Missy passava o olhar por todos os detalhes do lugar, o medo tomava conta dela. Não gostava da escuridão, e a única coisa que iluminava ali era a luz da lua.
Ela chegou até uma área aberta, onde tinha muitos sacos pretos cheios de lixo do salão. Um garçom a viu.
- Ei, mocinha! Você não pode vir aqui – avisou.
- Não?! Desculpa, eu estava procurando uma pessoa e... – ele não a deixou terminar a frase: - Se você quer se pegar com seu acompanhante ou qualquer coisa do tipo melhor ir para outro lugar, aqui não pode, já disse – fora grosseiro e rude.
- Tudo bem – Missy deu as costas e fez uma careta. Odiava ser repreendida pelos outros.
Ela se dirigia de volta para festa, menos empolgada do que quando saiu de lá.
Já avistava a porta dos fundos quando uma respiração profunda chamou sua atenção. Missy olhou pra trás, podendo ver uma pessoa sentada em um banco – pouco distante dela.
Encarou a porta e encarou o banco, a porta e o banco. Dar uma espiada para checar quem era não faria mal.
Missy era curiosa e além do mais, podia ser Roxy.
Andou cautelosa segurando a saia do vestido e ao se aproximar do banco, Missy chutou uma pedrinha – sem querer – fazendo-a bater na madeira do banco.
A pessoa ali sentada se virou.
- Me desculpa – Missy arregalou os olhos. Detestava ser desastrada.
A outra fez o mesmo.
- Missy? – perguntou uma voz semelhante.
- Roxy? – Missy abriu um sorriso que ia de orelha a orelha.
As amigas finalmente haviam se encontrado, depois de tanto tempo. Agora, ser desastrada e curiosa, não parecia tão mal.
Missy desfez o sorriso e Roxy baixou o olhar, ainda doía o fato de ter negado o amor de Derick.
- Posso me sentar? – perguntou Missy, tomando coragem.
Roxy apenas balançou a cabeça, positivamente.
- Ok – Missy se sentou.
Agora pareciam duas pedras, dois zumbis. Quer dizer, só Missy estava imóvel, petrificada pela vergonha. Ela ajeitou a saia do vestido e olhou para Roxy, que continuava com o olhar centrado na direção donde acontecia o baile.
Às vezes, alguns focos de luz iluminavam o banco, a iluminação da festa era muito forte.
Missy também direcionou a atenção para lá.
Roxy estava tão estranha, nem parecia viva.
Ficaram caladas, Missy não sabia o que dizer e Roxy, bem, a roqueira, depois de tudo que havia acontecido, estava sem forças para falar.
Depois de um tempo nenhuma das duas conseguia mais tirar os olhos da festa, pareciam hipnotizadas.
Ambas pensavam no que acontecera a cada uma naquele baile. Tanta coisa aconteceu desde o começo até o fim do ano, se fosse parar pra refletir, elas haviam passado praticamente o ano inteiro sem se falar. E voltando ao começo de tudo, não era assim que pretendiam passar o ano. E a promessa? Amigas para sempre, não era? No entanto, Missy e Roxy não tinham conseguido cumpri-la, deixaram que atrapalhassem a amizade delas, que antes parecia eterna.
Missy e Roxy eram melhores amigas, elas eram as melhores amigas. E agora? Agora não tinham certeza do que eram embora dentro delas nada tivesse mudado.
O silêncio não ajudava muito. E quando Missy abriu a boca, ameaçando dizer algo Roxy o fez, antes dela: - Missy... – disse baixinho. Roxy respirava fraco, falho.
- O quê?
- Você... – fez uma pausa, Roxy baixou a cabeça, olhando pra baixo. Ela tinha um graveto em mãos, que quebrava aos pedacinhos conforme falava.
Missy a olhou.
- Você já sentiu ter cometido o pior erro da sua vida e... – fez outra pausa, era difícil para ela falar sem derramar nenhuma lágrima.
Missy continuou a olhá-la.
- E não poder consertá-lo, nunca mais? – perguntou no mesmo tom de voz que havia começado o diálogo. Roxy se referia a Derick. Ela passou metade da vida esperando ele dizer que a amava e quando finalmente aconteceu, ela o deixou. Sentia-se exatamente como citou.
Missy parou para refletir: Será que ela já havia se sentido assim?
- Sim. – Respondeu segundos após.
- Quando? – Roxy ergueu a cabeça, voltando os olhos pro salão de festas. O baile parecia estar acabando, não tinha mais tanto barulho quanto antes.
- Quando eu briguei com você.
Roxy de imediato virou o rosto, e as duas se entreolharam. Missy não fazia idéia do efeito das palavras que tinha dito. Era o pedido de desculpas mais lindo que Roxy podia ter.
- Sério? – Roxy perguntou com a voz falha. Já caíam lágrimas de seus olhos.
Missy assentiu com a cabeça, respondendo chorosa: - Sim.
Não demoraram a se abraçar. Já tinham demorado demais a se reconciliar.
- Eu também, Missy. Eu só queria te dizer que nada foi igual sem você. Nada! – ressaltou Roxy, ainda no abraço apertado. - Senti muito a sua falta, miga.
Missy só conseguia chorar e afogar as lágrimas nos ombros da amiga.
Quando as duas se soltaram, um vento forte bateu contra elas, levantando a poeira do chão e as folhas caídas das árvores. Elas riram, o vento tinha bagunçado o cabelo das duas.
Era ótima essa sensação. Eram amigas de novo, estavam juntas. Nenhuma palavra podia explicar um terço do que elas sentiam. Nada podia transmitir a felicidade que era ter sua melhor amiga de volta.
Simplesmente não era possível descrever aqueles segundos.
Um erro e tudo estava perdido. Um pedido de desculpas e o acerto estava ali. É incrível como levamos segundos para destruir o que levamos anos há construir.
Relatam o amor como o sentimento mais complicado da vida, mas vivemos tantos... A amizade, de outro lado, sempre mais simples, sempre esquecida.
Só que amigos não são como paixões. Amigos não se esquecem com o tempo, amigos não rompem relações. Amigos verdadeiros são mais do que amigos. São mais do que uma palavra e seis letras. São mais do que se pode esperar do fim de um romance e um coração partido na manhã seguinte.

E era assim com Roxane e Melissa. Roxy podia estar triste, mas Missy estava lá para animá-la. E Missy podia ser a pessoa mais feliz daquele baile, mas sem Roxy sua felicidade nunca estaria completa. Mas nenhuma delas entendia corretamente a amizade que mantinham.
Muito menos Roxy. E foi uma pena que ela tenha aprendido o significado de ter uma amiga dessa maneira; ficando sozinha.
Elas levantaram do banco, deram as mãos e caminharam juntas para onde a festa acontecia. Não importava se o baile estava acabando, para elas era apenas o começo. Saindo dali, deixariam todas as más lembranças e as magoas para trás. Seriam novamente amigas. As amigas que qualquer garota invejaria ter. As amigas que juntas se completavam. As melhores amigas que foram e sempre iriam ser.


         FIM




Vote! Deixe sua opinião sobre o final da Primeira Temporada de Perigosa Amizade: http://www.orkut.com.br/Main#CommPollResults?cmm=37859301&pct=1236244188&pid=1857990585
Para saber mais ou acompanhar novas temporadas da história, participe da comunidade de Perigosa Amizade: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=37859301

2 comentários:

vft6uxtfrh disse...

Noossa esse l iivro é liindo, cada capiitulo eu me emocionava mais e mais ! Só fiquei um triiste =/ por que Derick e Roxy ñ ficaram juntos, eles parecem ser feiitos um pro outro !
-BEIJOS E BORBOLETAS AMR'S

Anônimo disse...

Amei cada palavra dessa história, só acho uma pena ela não estar totalmente terminada.
Espero que a Gii e a Carla voltem a postar logo, não vejo a hora =)