Welcome To Dangerous Friendship


Bem Vindos ao Blog-Site da história Perigosa Amizade.
Aqui estão postados os capítulos da primeira e segunda temporada da história. Você pode achar o link dos capítulos diretamente no site www.perigosaamizade.webnode.com/ ou aqui, na fileira de capítulos abaixo do perfil do blog.
Não comece a ler pela última postagem abaixo se não for o capítulo 01x 01 Amigas Para Sempre - pois provavelmente será o último capítulo postado por nós, então, se você não acompanha a história, saberá de fatos adiantados.
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Obrigada pela atenção, pessoal. E boa leitura. Espero que acompanhem Perigosa Amizade até o fim, por que enquanto houver leitores haverá história.

Com carinho, Gizella, escritora.



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Capítulo - 01x 32

MENSAGENS


- Roxy, vamos à lanchonete. Eu preciso de um suco de tomate antes que comece a aula – explicou Ping, ainda puxando a garota pelo braço.
As três passavam entre o restante dos alunos como se fossem rainhas, como se não tivesse ninguém no caminho delas. Ping empurrava quem fosse, queria passagem livre, e agora.
- Ah, e tem outra coisa, eu acho que não seria legal se você continuasse andando com essas pessoas, tipo Geri, Missy e tal. Porque sabe como é, agora que você ta andando com a gente, você tem uma reputação a zelar, entende? – Acrescentou sentando-se numa das cadeiras desconfortáveis da lanchonete.
- Eu não to falando com a Missy. A gente nem é mais amigas, não precisa se preocupar – explicou Roxy.
- Ah, que bom! – Roxy a olhou de uma forma estranha, mas Ping não podia evitar, fazia parte da personalidade dela dizer sempre o que achava, mesmo que pudesse ferir o sentimento dos outros e sua fama fosse de falsa por todo o colégio – Quer dizer, que triste!
A garota sorriu e a garçonete se aproximou: - O que desejam? – Perguntou gentilmente.
- Pra mim nada – Roxy sorriu.
- Vamos querer dois sucos de tomate, obrigada – respondeu Ping.
- Não, eu quero uma batida de leite, chocolate e chantilly – se intrometeu Molly.
- Só um instante – a garçonete se retirou.
- O... O quê foi isso, Molly? Tá doida?
- Eu só não quero o suco de tomate, eu odeio isso – Molly torceu os lábios. Só de pensar naquele suco vermelho e sem sabor, ficava enjoada.
- Ah, claro! Mas tudo bem, quem vai ficar mais gorda e mais feia aqui é você, ok.
- Ok – respondeu com a voz fraca.
- Não foi uma pergunta, foi uma afirmativa – Ping rolou os olhos e ao olhar pro lado sorriu abertamente - Gente, para tudo! Não é o Sean ali? – apontou com o dedo, discretamente.
Roxy apoiou o braço na cadeira que sentava e olhou pra trás. Sean acenou e franziu a testa quando viu a amiga sentada numa mesa junto a Ping e Molly – que diabos Roxy está fazendo sentada com aquelas duas? – pensou ele.
- Viram? Ele acenou pra mim – Ping desesperadamente deu um tchau pro garoto - Tenho que ir lá falar com ele, é incrível o quanto eu senti a falta dele nessas férias. Já volto meninas.
- Boa sorte – disse Molly, numa empolgação contagiante.
- Boa sorte? Que cafona Molly – Ping riu – Diga boa sedução, Ping – ela levantou e saiu, deixando-as sozinhas na mesa.
Após a saída da garota, as duas se entreolharam e Roxy não se conteve, precisava zombar.
- Uau, boa sedução é de dar arrepios.
As duas riram. E Molly abaixou a cabeça, encarando em partes o seu sapato enquanto balançava os pés com nervosismo.
- Então... Er, tudo bem? – Roxy apoiou os cotovelos na mesa e Molly a olhou.
Não era um olhar qualquer, era desafiador e um pouco envergonhado.
- Olha, ela não me trata assim sempre ok? Hoje deve ser um daqueles dias difíceis que a Ping tem. Porque a gente é amiga. E amigas não se tratam assim ok? E ela gosta de mim ok? Fazemos tudo juntas ok? E se era isso que você queria saber, já sabe – disse sem pausa, sem respirar, deixando Roxy confusa. A roqueira só conseguiu prestar atenção nos tantos “ok’s” que Molly havia dito junto à fala.
- Ok. Mas eu ia perguntar sobre o baile.
- Oh, desculpa. – Molly respirou fundo - acabei me alterando.
Roxy sorriu: - Tudo bem.
- Agora você pode me perguntar sobre o baile.
- Ah, não era nada demais. Só queria saber o que você ta preparando pro baile, você e a Ping. Vocês vão comprar um vestido, ir a algum salão ou o que? – perguntou usando um tom de voz amigável, totalmente diferente do normal.
- Parece que a Ping vai encomendar o vestido dela de um estilista super famoso em Paris, você deve até conhecer – respondeu, fazendo uma breve pausa.
- E também ela vai a um salão caríssimo daqui de São Paulo, ela quer que seja como ela sempre imaginou. Tenho certeza que ela vai estar linda no dia do baile, como sempre está. Eu pessoalmente acho a Ping linda todos os dias, mas ela diz que no dia do baile precisa ser tudo perfeito. Tudo mesmo! – Molly mudou a entonação com que falava ao dizer as últimas palavras, atiçando por completo a curiosidade de Roxy.
- Porque precisa ser tão perfeito? – não dava pra evitar. Roxy queria parecer desinteressada, mas aquela pergunta era precisa.
Molly apoiou os cotovelos na mesa e inclinou o corpo. Olhou pros lados e cochichou baixo para Roxy: - Porque ela quer transar com o Sean. Ela ta louca por ele, chega a ser assustador. Ela ta obcecada mesmo, disse que engravidaria dele se possível.
- O que? – Roxy deu um impulso pra trás, batendo as costas da cadeira. – Impossível, o Sean nunca... Nunca.
Molly se afastou.
- Quer dizer – Roxy se acalmou e sorriu – Porque não? Eles até que combinam né.
Ela olhou pro lado e ficou a observar os dois. Ping praticamente pulava no colo do Sean e quanto a ele, só pela expressão do rosto dava pra saber que não estava afim. Era tão nítido que o garoto não a queria. E mesmo assim as duas amiguinhas sonhavam com a possibilidade de Ping o fisgar. Queria Roxy ter um pouco dessa esperança delas.
- E quanto a mim, minha mãe já comprou um vestido em uma loja do shopping, mas ainda não sei o que fazer no meu cabelo e você? – perguntou Molly, fazendo Roxy olhá-la.
- Ah, eu também não sei. Mas esse salão que a Ping vai parece ser legal, você sabe onde fica? Talvez eu vá lá. Meu cabelo ta precisando de um tratamento e um penteado diferente né – comentou deslizando os dedos pelas pontas quebradas do cabelo.
- Seu cabelo é lindo e se você for nesse salão vai ficar melhor ainda – Molly era tão legal, como podia andar com Ping? Ping era o tipo de pessoa que deveria andar sozinha, sempre.
- E onde esse salão fica? – perguntou Roxy, novamente.
- Ah, fica em Moema, vou te dar o endereço rápido. Porque não sei se Ping iria querer que eu te contasse isso. Ela é cheia de que tudo dela tem que ser segredo, sabe?
Anotou o endereço o mais depressa que pôde e o entregou a Roxy, embora fosse desnecessária tanta pressa porque Ping parecia estar bem entretida com Sean do outro lado da lanchonete.
- Prontinho – lhe entregou a anotação.
- Obrigada Molly – ao dizer isso, a sirene da primeira aula ecoou forte, interrompendo o assunto das garotas.
- Tô indo pra sala, bye – Molly se levantou, mas antes de partir olhou mais uma vez para Roxy – ei, vai ter uma festinha de pijama na minha casa essa semana.
- Que legal! – Exclamou.
- Sim. E se você for vai ser mais legal ainda – Molly sorriu.
Foi indiretamente um convite, e festa do pijama era tão feminino. Roxy nunca havia ido a uma dessas festinhas onde garotas fofocam, se arrumam para dormir e comentam sobre a pegada dos garotos. Era de fato, uma tortura para ela.
- Ah, eu adoraria ir – afirmou com a cabeça.
- Que ótimo! Então depois te entrego o convite, bye.
Assim que Molly saiu, Roxy bufou entediada e rolou os olhos, parecia exausta. A roqueira cruzou os braços sobre a mesa e apoiou a cabeça sobre eles: - Que droga! – Resmungou baixinho.
A sirene tocou mais uma vez, forçando todos os alunos que restavam no pátio a seguirem para suas classes.
Ping e Molly sentaram-se na frente da sala, como de costume. E Roxy seguiu para o fundo, ao lado de Geri, o mesmo lugar de sempre. Porém Ping a chamou, fazendo sinal com a mão para que ela se sentasse em uma carteira vaga que havia ao seu lado. Então Roxy foi. Missy que estava sentada do outro lado da classe, bem nas primeiras carteiras da frente e com Loid, não agüentou ver aquela cena: - É incrível o quanto as pessoas mudam – disse para o amigo.
- Por que ta dizendo isso? – Perguntou Loid.
- A Roxy ali sentada com a Ping. Logo com a Ping que a gente tanto odiava.
- Mas a Ping é legal e é tão linda também – comentou o garoto, dando alguns suspiros apaixonados enquanto olhava para Ping.
- Para de ser besta Loid – reclamou, virando-se de frente pra lousa, pois a professora de português acabara de chegar à sala.
- Bom dia classe. Espero que todos tenham tido ótimas férias – os cumprimentou a professora, colocando sua bolsa e livros em cima da mesa.
Ao ouvir a palavra “férias” Dan fez uma careta, lembrando-se do desastre que haviam sido as suas.
- Vou colocar na lousa a nossa nova matéria.
- Nova matéria?! – reclamou Ping, em alto e bom tom, justamente para que todos pudessem ouvi-la.
Ping sempre reclamava de tudo e de todos. Os professores já haviam se acostumado com isso, e a ignoravam algumas vezes, como a professora de português fez.
A professora, já de idade e um pouco envelhecida, deu as costas à classe, ignorando a aluna resmungona e fazendo as anotações precisas na lousa.
Alguns alunos ainda tiravam seu material da mochila enquanto outros anotavam o conteúdo da matéria. Geri fazia parte dos que estavam tirando o material, só que ela, diferente dos demais, tirava-o da mochila o mais devagar possível. Odiava copiar textos, principalmente se forem explicativos e rígidos, como os de português.
Roxy encurvou o corpo na cadeira e olhou pra onde Geri se sentava. Ela aproveitou a distração de Ping e Molly para jogar um pequeno papel em cima da mesa da amiga, marcando um local e horário de encontro.
A ruiva levou um susto e sem rumo, olhou pra frente, deparando-se com a expressão aflita de Roxy. Ela pegou o papel e leu discretamente. Após, positivamente balançou a cabeça, confirmando sua presença no local marcado.
Depois de duas aulas de português e uma longa e cansativa aula de história, o sinal para o intervalo finalmente tocou.
Sem demora, os alunos deixaram à sala e ao chegar ao pátio, próximo ao banheiro e distante da lanchonete, Roxy que estava a acompanhar Ping e Molly, as despistou: - Ping, vou ao banheiro, mas é bem rápido. Vocês podem me esperar na lanchonete se quiserem.
- Claro, vai lá. A gente te espera sentadas na mesma mesinha de hoje mais cedo – respondeu Ping, abrindo o mesmo sorriso falso de sempre.
Roxy seguiu pelo corredorzinho do toalete, mas antes mesmo que pudesse entrar uma mão abriu a porta e puxou a garota pra dentro do local: - E aí, me conta o seu novo plano – pediu Geri.
- Caramba, você não podia ser mais discreta? Você me assustou – reclamou Roxy enquanto retomava o fôlego.
- Sei lá. Queria um pouco de adrenalina. Afinal, temos um plano e estamos escondidas no banheiro do colégio. Isso é quase que as panteras quatro.
- Teve as panteras três? – Roxy franziu a testa.
- Acho que sim.
- Droga, eu nem assisti!
- Roxy! Roxy! E Roxy! Me conte o plano logo – pediu Geri, novamente.
As duas riram: - É o seguinte... – a roqueira começou a contar. Detalhe por detalhe, e rápido o suficiente para que Ping não estranhasse demora alguma.
Alguns meses depois e tudo estava pronto para o seguimento do plano.
Faltavam sete dias para o baile, apenas uma semana e no colégio já havia um cartaz colado no muro, avisando a todos que durante essa semana ficaria fechado para arrumar os preparativos pra grande festa de final de ano. Era sempre a mesma coisa: todos os estudantes que passavam por ali e liam o aviso, ficavam felizes por se livrarem da escola ou então por ter mais tempo de acertarem seus próprios preparativos pra festa e outros, em especial os mais estudiosos como Small, ficavam desapontados com a atitude do diretor.
Porém, na rua onde Roxy morava, ela e Geri conversavam: - Geri, vai ao shopping que eu te falei, tenho certeza que a Missy vai ta lá, provavelmente com o Loid. Então vá e faça o que eu te pedi, certo?
- Deixa comigo – a ruiva piscou - e às cinco horas a gente se encontra aqui.
- Ta bom – ao dizer isto, as duas se separaram, cada uma seguindo para um lado. Destinadas a cumprir o que haviam combinado.
Geri fez exatamente o que a parceira havia falado. Foi ao shopping e chegando lá, procurou por Missy, achando-a meia hora depois na praça de alimentação. Missy estava sentada em uma das mesinhas centrais da praça com Loid. Realmente, Geri não sabia que desculpa usar pra ir falar com a colega. Mas apesar de não ter nada em mente, a ruiva foi até eles, e ao se aproximar dos dois, se sentou numa cadeira vazia ao lado de Missy: - Oi pessoal. Que coincidência a gente se encontrar aqui, não é mesmo? – sorriu fraco.
- Coincidência mesmo, o que você veio fazer por aqui? – Perguntou Missy, estranhando a situação, pois dificilmente Geri ia ao shopping.
- Eu? Er... Eu vim ver um vestido pra usar no baile e vocês?
- Eu só vim aqui porque não tem nada pra fazer mesmo.
- Ah, e você já preparou tudo pra festinha do colégio? – Perguntou Geri.
- Não. Eu ainda tô pensando se vou ao baile, porque o Derick não sabe se vai poder ir comigo por causa da Andressa. Eu to esperando ele falar com ela, porque senão fico sem companhia, entende? – respondeu desanimada.
- E eu só tô acompanhando ela mesmo – informou Loid e Geri desviou o olhar para ele.
- E porque você não vai com a Missy ao baile, Loid? – perguntou desinibida.
O garoto no mesmo instante se engasgou com a bebida que estava a tomar. Ficando vermelha a pele branca de seu rosto.
- Cof... Cof! – Loid começou a tossir.
- Você ta bem? Precisa de ajuda? – Missy arqueou uma sobrancelha.
- Não, não. Eu to bem – garantiu com os olhos lagrimejados e vermelhos.
- Você não me parece bem – Missy deu a entender que levantaria para ajudá-lo, mas Geri a segurou.
- Ele ta bem – assegurou a ruiva, desviando novamente o olhar para o garoto – então Loid, porque não vai com ela?
- Eu... Eu...
- Você... Você... – o imitou quase que rindo.
- Eu não vou à festa de despedida do colégio. Não tenho de quem me despedir e muito menos gosto de festas – respondeu rude e severo, havia desprezo em sua voz devido ao perceber o sarro da ruiva.
- Entendi – Geri assimilou lentamente, fazendo uma pequena pausa. Ela passou o olhar por todas as lojas, lanchonetes e restaurantes ao seu redor, reparando que ambos estavam lotados de pessoas, com filas enormes nos caixas. E nesse momento, era tudo o que Geri precisava.
- Nossa, eu to morrendo de sede. Loid, você pode ir comprar alguma coisa pra eu beber? Pode ser um refrigerante mesmo, qualquer coisa – fora tão delicada e gentil ao pedir esse favor ao rapaz, e seu olhar estava tão dócil. Loid não tinha como recusar.
Geri tirou o dinheiro de sua pequena bolsa e entregou ao rapaz.
- Qualquer bebida né? – perguntou ele assim que se levantou da cadeira.
- Aham – assentiu com a cabeça.
- Ta, vou lá. – ele saiu.
- E então Missy, pegando geral? – perguntou Geri, tentando puxar algum assunto.
- Ah não, nem ando pensando muito nessas coisas e você?
- Só o de sempre – respondeu, abrindo um sorriso – Ai droga! Eu dei dinheiro a menos pra ele, o coitado vai passar a maior vergonha. Missy leva o que falta pra ele? – pediu, já entregando o dinheiro pra outra.
- Porque você não leva?
Geri arregalou os olhos, não sabia o que responder.
- Tô brincando – Missy riu.
A garota se levantou e pegou sua bolsa, levando-a junto a si. Mas fora interrompida por Geri: - Espera Missy! – exclamou apavorada.
- O que foi?
- Deixa sua bolsa aqui, não tem necessidade de levar, eu cuido dela pra você.
Missy estranhou, mas Geri era praticamente uma amiga. Não tinha motivos pra não confiar nela.
- Ok, tô indo lá antes que o Loid pague um mico.
Missy saiu às pressas, logo sumindo entre a multidão de gente no shopping. E Geri, por sua vez, abriu a bolsa da garota, tirando um celular de dentro dela.
Abriu a parte de trás do aparelho e pegou o chip, colocando outro em seu lugar. Fora rápida e discreta. Guardou o celular de volta na bolsa e o chip que antes estava nele em seu bolso. Sorriu fingidamente e olhou na direção que Loid e Missy haviam ido. Eles estavam parados na fila imensa e conversando, certamente demorariam um pouco. O suficiente para Geri se acalmar e fingir que nada havia acontecido.
- Pronto, agora é só esperar eles voltarem e depois eu vou me encontrar com a Roxy – pensou a ruiva, batendo de leve as unhas vermelhas e compridas no vidro da mesa.

Enquanto isso, na casa de Derick, ele e Andressa discutiam sobre o baile: - Andressa, você sabe que se eu não tivesse já combinado de ir com a Missy eu ia com você – explicava ele.
- Mas não é isso, eu simplesmente não quero ir.
- Porque não quer ir? Meu, mesmo você não tendo companhia, devia ir. Você podia ficar lá comigo, pensa bem.
- Não Derick, acho melhor não. Não é nem por você ir com a Missy, você sabe que não me importo com isso. É mais porque não gosto de festas – mentiu. Andressa adorava festas.
- Tem certeza que não quer ir? – insistiu ele, mais uma vez.
- Tenho, e agora eu tenho que ir. Combinei de visitar uma amiga hoje.
Derick não disse nada, apenas a acompanhou até a porta e Andressa antes de sair, deu um selinho de despedida no garoto. O clima não estava dos melhores para um beijo.
Derick estava emburrado e Andressa por sua vez, deixou a casa do namorado decidida de que estava fazendo a coisa certa.
Para ela, ir ao baile não seria nada agradável. E o pior dos acontecimentos seria assistir a banda de Roxy e se lembrar de tudo o que havia acontecido. Andressa podia tentar esconder, mas sentia falta da amiga, embora não conseguisse a perdoar pelas mentiras de antes.
Meia hora depois, Roxy passou na casa de Derick, tocando a campainha insistentemente, deixando o dedo parado sobre o botão.
- Calma, já tô indo – gritou Derick.
Ele correu até a porta e quando a abriu: – Roxy? – arregalou os olhos assim que a viu - Quando eu ouvi essa campainha tocar tantas vezes seguidas, imaginei que fosse você, mas não pensei que realmente fosse... – os dois se entreolharam - er, o que você quer aqui essa hora? – perguntou surpreso.
No relógio do corredor que dava com a porta principal da casa, marcava quase cinco horas e não era tarde, como Derick quis dizer com a entonação da pergunta. Roxy já havia ficado de companhia para ele muitas vezes e até bem mais tarde.
- Eu vim conversar com você, sobre... Sobre... A Andressa. É isso mesmo, eu vim falar sobre a Andressa. Posso entrar? – Pediu apressada, apertando as mãos.
Derick estranhou, a conhecia tão bem que sabia que Roxy, como muitas garotas, costumava apertar uma mão contra a outra quando sentia-se confusa ou aflita.
- Pode, mas o que foi? Aconteceu alguma coisa com ela? – Perguntou ele, enquanto os dois caminhavam sentido a sala.
- Eu não sei, eu preciso muito falar com ela. A mãe dela ligou pra minha casa, perguntando sobre ela. Então eu queria o número da Andressa, porque eu não tenho mais. Você pode me passar? – explicou eufórica, estralando os dedos conforme falava.
- Ta, calma – Derick ingenuamente pôs suas mãos sobre as da garota, segurando-as de leve, fazendo Roxy parar com a inquietação.
Ela baixou a cabeça, encarando o toque suave das mãos dele sobre as suas. Roxy respirou bem devagar e subiu o olhar, olhando diretamente nos olhos de Derick.
Era uma maldade muito grande a tocar daquele jeito, mesmo que fosse inofensivo. Os dois nem eram mais amigos como antes e para Roxy, ele sabia que ela o amava. Em hipótese nenhuma deveria a tocar.
Derick soltou as mãos dela e sorriu sem graça. Ele também não agüentava ficar muito próximo da amiga, era difícil.
- Eu vou anotar o número dela, espera – Derick passou a mão pelo cabelo e deu as costas pra Roxy. Caminhou sentido ao criado mudo da sala, mas fora interrompido pela garota: - Não, nada disso. Você é muito esquecido Derick, vai me falar o número errado. Tenho certeza. É melhor eu subir e ver na sua agenda telefônica – disse ela, puxando-o agressivamente pelo ombro, impedindo que o garoto anotasse os números.
- Impossível eu esquecer o número da Andressa, eu ligo pra ela toda hora – ao ouvir essas palavras, Roxy sentiu uma pontada de ciúme, e soltou o ombro do rapaz.
Ela sorriu falsa e ajeitou o cabelo, afinal, tinha que continuar com o plano.
- Mesmo assim Derick – insistiu – eu quero ter certeza do número, não posso ficar na dúvida.
Roxy apoiou as mãos no ombro dele, novamente. Forçou Derick a girar o corpo e caminhar sentido as escadas - vai logo lá. Vai e pega o número pra mim – acrescentou o empurrando pelas costas - É importante pra Andressa! – Roxy revirou os olhos ao dizer o nome da ex-amiga.
- Ta bom então, espera aqui – falou ele, subindo as escadas.
- Não, é melhor eu pegar pra você – Roxy bruscamente o puxou de volta pra onde os dois estavam. Quase fazendo Derick cair na escada.
- Ei, calma aí! – Exclamou o garoto, dando um impulso brusco pra trás.
- Desculpa – Roxy sorriu e passou a mão pela camiseta dele, ajeitando-a - Onde você anotou o número dela? – o olhou.
- Ta no meu celular, lá no meu quarto – ele apontou com o dedo indicador pra cima - Roxy, o que aconteceu? Você ta estranha.
- Tô estranha nada, vou lá pegar o número dela e já vou embora – respondeu, subindo as escadas correndo, com medo de que o garoto a impedisse.
Chegando ao quarto, Roxy entrou e fechou a porta. O cômodo estava organizado, tinha apenas alguns jogos de videogame jogados sobre a cama. Ela queria sentar ali e vasculhar todos, mas não podia. Tinha um plano a seguir e precisava ser rápida e discreta. Roxy de repente se sentiu em um filme de espião, como Geri havia mencionado. Ela procurou em todas as gavetas, no guarda-roupa, na mesa onde ficava o computador e nada de achar o celular. Olhou debaixo da cama e depois começou a mexer nos jogos, empurrando-os para o lado, assim achando o celular embaixo de um dos jogos. Enojada com a foto de papel de parede do aparelho, que era Andressa e Derick se beijando, Roxy contorceu a boca.
Ela pegou o celular e tentou abrir a parte de trás para tirar o chip. Estava duro, e o botão para desfecho do aparelho não parecia funcionar. Irritada começou a socar o celular: - Que droga, abre!
- O que você ta fazendo? – Perguntou Derick, parado bem atrás dela.
Roxy não sentiu os pés, nem as pernas, nem a respiração. Ela virou de frente pro garoto e com os olhos arregalados ficou a encará-lo.
- Nada, não tô fazendo nada – mentiu.
- Como não é nada? Eu vi você tentando abrir a parte de trás do meu celular, o que você ta querendo hein Roxy? É mais um dos seus planos pra me prejudicar? Você não cresce mesmo – disse, olhando-a com raiva. Derick levantou a mão, tentando arrancar o celular das da menina.
Mas Roxy o pôs pra trás das costas: - Derick, não! Eu ainda não peguei o número – avisou esquivando das mãos do garoto.
- Eu não sou idiota, Roxy! Você não quer número coisa nenhuma, você ta aprontando pra mim, você quer acabar comigo – fora grosseiro e bruto, andando na direção dela, fazendo a menina andar pra trás, sentido ao canto do quarto, onde ela não teria escapatória.
- É mais idiota do que pensa, pra achar que eu faria uma coisa dessas – pensou Roxy enquanto bolava alguma saída rápida e esperta. – pensou Roxy enquanto bolava alguma saída rápida e esperta.
Derick tentava insistentemente arrancar o aparelho celular das mãos dela, porém antes que o fizesse, Roxy empurrou o garoto, fazendo-o cair na cama e saiu correndo pra dentro do banheiro que havia no quarto dele. E dessa vez ela trancou a porta.
Derick assim que se recompôs, ficou parado diante a soleira da porta, gritando: - Roxy, sai daí de dentro e devolve meu celular agora!
- Calma Derick, eu preciso muito usar seu banheiro. Será que dá pra esperar um minutinho? Que saco! – reclamou.
- E por que levou meu celular então? Roxy sai daí – gritou de novo, batendo na porta.
- Já vou – respondeu, ainda tentando pegar o chip. Havia tentado de tudo e aquele aparelho não abria. Ela não tinha mais tempo, não podia demorar. Roxy resolveu mudar um pouco o plano, devido aos ocorridos.
Ela clicou em mensagens e digitou um número conhecido. Os gritos e as batidas na porta de Derick estavam a irritando, tirando sua concentração. Na mensagem que acabara de digitar, dizia: “Missy, no dia do baile, me encontre lá às oito horas da noite, não vou poder passar na sua casa. Beijos D.” – Clicou em enviar e cruzou os dedos, rezando pra que isso não arruinasse tudo o que havia planejado.
Esperou concluir o envio para poder apagar qualquer rastro de mensagem enviada e deu descarga, várias vezes, fingindo ter usado o vaso sanitário.
Abriu a porta do banheiro e saiu: - Pronto, ta aqui seu precioso celular – ironizou, o entregando a Derick.
- O que você fez hein? Não vem com essa conversa que tava apenas usando o banheiro que eu não acredito.
- Então fique sem acreditar, porque essa é a verdade. Você pode verificar no seu celular, não tem nada de diferente nele. Ah, e eu já peguei o número da Andressa. Obrigada Derick – agradeceu, já descendo as escadas com Derick atrás resmungando, mas ela nem prestou atenção no que ele dizia. Abriu a porta principal da casa e a fechou com força, deixando aquele local em pouco tempo. O carro do pai dele já estava estacionado na garagem, parecia que os pais do garoto haviam acabado de chegar.
- Ufá, acabei bem a tempo! – pensou Roxy, virando a esquina da rua.

Como combinado, Geri e Roxy se encontraram na rua onde Roxy morava.
- Você atrasou mais de meia hora, aconteceu alguma coisa? – Perguntou Geri.
- O Derick ficou enchendo, ele não confia mais em mim. O importante agora é que eu já mandei a mensagem pra Missy com o celular dele, por isso nem tô com o chip. E você, conseguiu o chip dela?
- Consegui, ta aqui – respondeu, o entregando à amiga.
- Ótimo. Valeu mesmo Geri - agradeceu tirando o chip de seu celular e colocando o da Missy no lugar. Após mandou uma mensagem pra Derick que dizia praticamente a mesma coisa da anterior: “No dia do baile, me encontre lá às oito horas da noite, não precisa passar na minha casa. Beijos M.
- Pronto, conseguimos – afirmou Roxy, contente com si mesma e com Geri, por terem conseguido.
- Mas espera.
- Que foi?
- Você mandou a mensagem pra que número?
- Da Missy?
- É.
- Ah, pro número do chip que você colocou no celular dela - garantiu Roxy.
- Certo. Agora faltam mais dois.
- É. A Ping e o Sean - concordou Roxy, um tanto pensativa.
- Relaxa, a gente pega eles - Geri piscou. Era sempre tão positiva.
E Roxy riu: - Claro, somos espiãs agora - também piscou.
- Será que as espiãs cansam? Porque eu tô exausta. Vou embora, até mais Roxyzita.
- Até mais – despediu-se Roxy, junto a um sorriso satisfatório. Ela permaneceu parada, olhando Geri sumir na curva da rua.

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