Welcome To Dangerous Friendship


Bem Vindos ao Blog-Site da história Perigosa Amizade.
Aqui estão postados os capítulos da primeira e segunda temporada da história. Você pode achar o link dos capítulos diretamente no site www.perigosaamizade.webnode.com/ ou aqui, na fileira de capítulos abaixo do perfil do blog.
Não comece a ler pela última postagem abaixo se não for o capítulo 01x 01 Amigas Para Sempre - pois provavelmente será o último capítulo postado por nós, então, se você não acompanha a história, saberá de fatos adiantados.
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Obrigada pela atenção, pessoal. E boa leitura. Espero que acompanhem Perigosa Amizade até o fim, por que enquanto houver leitores haverá história.

Com carinho, Gizella, escritora.



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Capítulo - 01x 30

RAZÕES


A noite passou tranqüila e rápida. E no dia seguinte, pela manhã no Guarujá,
Sean havia acordado há pouco tempo e caminhava animado pelo apartamento.
Estava de banho tomado, bem vestido e pronto para um dia de farra.
- Acorda cangaceiro! – berrou, adentrando o quarto de Matt e fazendo o maior barulho – Mano você precisa limpar esse quarto e tirar essas tralhas do chão.
- Droga, dá pra sair e não fazer barulho? – Resmungou o outro deitado.
- Acorda vagabundo! Eu não desci pro Guarujá pra ficar no seu apartamento o dia todo – Sean andou até a janela de frente com a cama e sem dó, abriu as cortinas.
- Porra, vai ser chato assim lá nos inferno! – Exclamou Matt, tentando se livrar da luz do dia.
Ele colocou o braço sobre os olhos, tapando a visão e o sol que batia contra seu rosto.
- Acordou? – Perguntou o amigo.
Como resposta Matt mostrou o dedo do meio, varias vezes. E Sean riu: - Acordou.
Ele olhou ao redor do quarto, sentindo falta de algo, mas não sabia bem o que era.
- Cadê a Roxy? – perguntou a Matt, que estava sentado na beira da cama prestes a levantar.
- No quartinho.
- O que ela ta fazendo lá?
- Ela dormiu lá. Queria que dormisse a onde? Aqui comigo? – retrucou sem paciência.
Sean nem o respondeu, correu direto pra cozinha.
- Roxy? – a chamou em voz baixa.
Ele andou devagar até uma porta de vidro, a qual dividia a cozinha da lavanderia. Não queria pegar a amiga em momentos impróprios, já que o quartinho além de pequeno e abafado, não tinha porta.
- Roxy? – a chamou novamente assim que a viu dormindo sobre um colchão velho e nada confortável.
- Ela você acorda devagarzinho né? – questionou Matt, vendo o amigo no meio da porta de vidro, entre a cozinha e a lavanderia.
O garoto não respondeu, apenas andou até onde Roxy dormia e a cutucou, mas nada da menina acordar.
Enquanto isso, Matt abria a geladeira e pegava a garrafa de leite. Era um vicio tomar leite gelado todo dia de manhã.
Matt estava todo desarrumado: cabelo bagunçado, com cara de sono, sem blusa. Vestindo apenas uma calça de pijama, brega e cafona. Mas não se importava com isso. Seu leite de todas as manhãs era sagrado demais pra ele perder tempo se arrumando, mesmo que tivesse a companhia de uma garota em casa.
Pegou o primeiro copo que viu limpo em cima da pia e encheu até a boca, de puro leite. Deu um gole e apoiou o quadril no balcão da pia, espiando pela transparência da porta de vidro a maneira como Sean tentava acordar Roxy.
- O que você deu pra ela beber? Ta dormindo igual uma pedra – disse Sean, voltando à cozinha.
- Veneno – respondeu seco.
- Bem capaz... – arrastou a voz, fechando a porta de vidro - ou é ela mesmo que parece uma defunta dormindo?
Os dois racharam da pobre menina, até Sean sugerir: - Balde de água?
- Não man.
- Buzina?
- Não sei. Acho que tem uma no meu quarto, jogada junto com o resto das minhas coisas.
- Vou lá pegar.
- Boa sorte.
- E quando voltar quero o meu café pronto, minha preta! – ridicularizou Sean, olhando as vestes do amigo. Aquela calça de pijama colorida e cheia de bichinhos era total queima filme.
- Olha pra mim e vê se eu tenho cara de puta sua – retrucou o outro, impaciente.
Sean riu e deixou a cozinha.
Matt colocou o copo vazio dentro da pia e olhou pro lado. Um pequeno barulho tinha chamado sua atenção.
Roxy havia acordado e estava lentamente despertando. Levantava lerda, mas já acordada. A garota bocejava tantas vezes, que nem dava pra contar nos dedos da mão, e esfregava os olhos com as duas mãos, na tentativa de perder o sono por completo.
Zonza, levantou do colchão e deu alguns passos, ainda a esfregar os olhos.
Ao chegar à divisória da lavanderia com a cozinha, permaneceu parada.
- ACORDOU A BELA ADORMECIDA! – berrou Matt, assustando-a.
Ela abriu os olhos e ao tentar passar para onde o garoto se encontrava, bateu a testa no vidro da porta.
Era tão transparente que para notar a porta era preciso que a pessoa estivesse no mínimo atenta e não, sonolenta como Roxy estava.
- AIIIIIII! – exclamou em alto e bom som, colocando a mão na testa.
Roxy contorceu a boca, franziu a testa. Parecia com dor. E para piorar a situação, quando olhou para o garoto, ele estava morrendo de rir.
Mas ainda fora um pouco gentil, abrindo a porta para que ela passasse.
- Não teve graça! – afirmou a garota enquanto passava por ele.
- Teve sim! – E Matt ria. Ah como ele ria. Roxy queria socá-lo bem no meio do rosto.
Ao retornar a cozinha, Sean estranhou ao ver Matt gargalhando e Roxy acordada, com uma expressão nada agradável no rosto.
- O que aconteceu? – perguntou ele, segurando uma buzina amarela e chamativa entre as mãos.
- Você perdeu man. Muito hilário, muito hilário.
- Pra que essa buzina? – perguntou Roxy.
- E porque dessa cara? – retrucou Sean.
- Ia me acordar com isso?
- Vai me matar com esse olhar fatal?
- Idiota! – a garota riu.
- O papo ta bom, ta agradável, mas me acordaram e agora a gente vai pro shopping – avisou Matt, saindo do cômodo e seguindo para o quarto.
- Pro shopping? – se decepcionou Roxy.
- Velho, vim pra praia pra ir ao shopping? – o seguiu Sean.
- Não dá pra ir à praia. Vai ta cheio de gatinhas lá e vamos estar de babá pra sua amiga roqueirinha.
- Não preciso de babá!
- Então prova! – desafiou Matt, desviando cruelmente o olhar para a garota ao canto da sala.
Roxy se calou.
Não dava pra discutir com Matt. Ou era como ele queria ou era nada, e Roxy não tinha escolha, estava de favor na casa dele, tinha que seguir as regras, mesmo que não gostasse do jeito como ele tratava as pessoas. Principalmente ela.
Os três não disseram mais nada.
Saíram da sala e cada um foi para seu quarto, embora onde Roxy estivesse não fosse exatamente um cômodo digno de ser chamado de quarto.
Arrumaram-se sem demora e saíram. Foram pro shopping mais perto e mais sem graça, que por acaso ficava próximo da praia. Aguçando a vontade de Sean e Roxy de darem um mergulho no mar.
Matt não estava com paciência e estacionou o carro em qualquer lugar no estacionamento do shopping. Ele tinha planejado tanta coisa pra ele e o “amigo” e agora, a garota era um empecilho.
Roxy e Sean até que estavam aproveitando o passeio, enquanto o outro só sabia parar em cada quiosque e comprar um milk-shake. Pelo menos com a boca ocupada não precisava puxar conversar ou falar, era o que pensava Matt.
Roxy queria não ligar pro jeito irritante do garoto, mas era inevitável. Aliás, ele fazia de tudo pra deixar bem claro que não a queria por perto. Sempre que a garota puxava conversa ou o fazia uma pergunta, Matt simplesmente desconversava ou balançava a cabeça, respondendo que sim ou não. Ele mal abria a boca, a não ser pra tomar aquele milk-shake desprezível.
- Ta um tédio isso aqui, vamos ver um filme? - sugeriu Sean.
- Por mim – respondeu Roxy.
Matt, com o seu detestável mau humor, deu os ombros. E Sean levou o gesto do amigo como um sim.
Sean caminhou na frente, adentrando o lugar plano e comprido que era a área do cinema. Era mágico. Havia vários cartazes pendurados anunciando os filmes que estavam passando e os que ainda estreariam e em volta de cada um, havia lusinhas piscando. As paredes do local eram vermelhas com detalhes pretos, deixando o ambiente escuro e harmonioso, mesmo as cores sendo fortes e chamativas.
- Mas gente, não tem filme pra nossa idade. Só tem acima de dezoito anos – disse Roxy, olhando atentamente para o painel acima das cabines de venda dos ingressos.
- A gente dá um jeito – Sean piscou.
- Vamos ver o de terror, é o melhor – Matt finalmente falou.
- Vou comprar os ingressos então – Sean adiantou-se na fila e Roxy o seguiu.
- Esse filme é pra dezoitos anos! – exclamou ela.
- E qual o problema? – perguntou Matt, bem atrás da garota.
Roxy se virou, ficando de frente a frente com ele.
- Acontece que só você é tiozão aqui.
- Então vai assistir o de desenho animado, criança – retrucou tirando o sarro.
Matt sorriu e deu o último gole do seu milk-shake. Afastou-se e jogou o copo de plástico na lixeira mais próxima.
Como a fila para o filme escolhido pelos jovens era a menor, Matt e Roxy adiantaram-se comprando a pipoca e refrigerantes.
Sean voltou com os ingressos na mão e ao entrarem na sala, mal conseguiam enxergar onde pisavam. Estava tudo escuro, o filme já havia começado e a risadinha sem sentido de Roxy incomodava os demais espectadores. Ela estava sentada no banco do meio, entre o dos dois amigos e insaciavelmente, ria baixinho.
- Porque você ta rindo? Qual a graça em um filme de terror? – sussurrou Matt, no ouvido dela.
E aquela voz rude assoprando em seu ouvido era tentadora.
- E se eu achar graça na morte dos outros?
Sean estava tão entretido com as ações do filme, que nem reparou na risada da amiga e muito menos na conversa paralela do casal.
- Para de rir man. Ta incomodando já – Matt não sabia mais como ser chato.
Roxy desapoiou as costas da cadeira e devagar, aproximou-se de Matt, sussurrando ao ouvido dele: - HAHAHA – forçou uma risada e ao se afastar, os dois se olharam. Simplesmente um desafiando o outro.
Roxy puxou o pacote de pipoca que estava preso entre as pernas de Matt e se recompôs no banco. Olhou pra tela, dando atenção ao filme e ignorando o olhar de raiva do menino. Com total cinismo começou a comer a pipoca.
Matt fez o mesmo, tirando a parte da pipoca. Segundos depois Roxy voltou a rir, irritando-o de vez. E em um ato rápido e nada gentil, Matt estendeu o braço pro lado, levando a mão até a boca da garota.
Mas Roxy não era idiota e muito menos lerda. Ela escorregou as costas pela cadeira, abaixando o corpo.
Matt fez o mesmo, só que com a mão e indelicadamente, sem querer, tocou nos seios da garota, apalpando-os de leve.
Roxy encolheu a barriga e segurou o ar enquanto o menino tirava as pressas à mão daquele lugar. A menina estava em choque.
- Foi mal – desculpou-se após.
- Han... – a garota deu um pequeno gemido, ainda segurando o ar.
- Foi mal. – repetiu ele, rindo do acontecido.
Roxy o olhou com raiva e sem pensar, virou o pacote de pipoca no colo de Matt.
- Vocês estão se pegando aqui ou o quê? – perguntou Sean, colocando o cabeção na frente de Roxy.
Ela cruzou os braços e não disse uma palavra sobre nada. Matt fez o mesmo, apenas se pôs a limpar a calça coberta por sal e pipoca. E Sean ficou no vácuo, encostando de volta a cabeça no banco.
O filme fora normal para Sean, e do shopping até o apartamento ele foi comentando sobre os atores, as ações, a história, o enredo, o final e tudo mais. Adorava filmes e era um ótimo critico. Quanto a Matt e Roxy, não trocaram uma palavra o caminho inteiro. Eles nem se olhavam. Nem tinham prestado atenção no filme.
Para ele Roxy era uma garota infantil que não sabia levar as coisas na brincadeira e para ela Matt era um garoto insensível e abusado, que não aceitava a vontade dos outros.
Chegando ao apartamento, Roxy foi direto pra varanda, precisava observar o pôr-do-sol e relaxar. Sean ia deitar no sofá, mas Matt olhou pro amigo de uma maneira que pudesse entender: eles precisavam conversar.
Matt foi pro quarto e Sean o seguiu. Entrando no dormitório, Matt encostou a porta e começou com o sermão: - Cara, porque você a trouxe? Fala sério. Olha o nosso final de semana indo pro ralo. Ta um tédio e é tudo culpa dela. Eu tinha planejado as farras, as baladas, as festas gringas. E você me apronta essa. Qual é? Ta brincando comigo né. Quero que você leve ela embora amanhã!
- Ela não fez nada Matt. Você que ta infernizando tudo.
- Mano, ela enche o saco o tempo todo.


Infelizmente, o quarto do garoto ficava do lado da varanda e como não estavam falando baixo, dava para ouvir cada palavra que diziam. Roxy ficou arrasada.
Depois de um tempo conversando, Sean saiu do quarto sem paciência, deixando Matt falar sozinho e foi para seu quarto. O clima estava pesado.
Ao ouvir o bater da porta do quarto de Matt e perceber que ninguém mais estava lá, Roxy saiu da varanda. Não queria que nenhum deles soubesse que ela havia ouvido a discussão.
Passou apressada pela sala, indo sentido ao seu quarto e para seu azar, trombou com Matt bem na entrada da cozinha. Ele segurava um copo de leite gelado.
- Desculpa – pediu com receio.
Matt levou o copo de leite até a boca, deu um gole e olhou pro nada, ignorando as desculpas da menina. Ele passou por ela, seguindo para a sala. Roxy caminhou devagar até a porta de vidro, mas estava irritadíssima, cheia de coisas pra dizer. Não suportava mais aquele ego intolerante do rapaz. Respirou fundo e voltou pra sala, precisava dizer tudo que estava entalado na sua garganta.
- Matt! – chamou desaforada, o puxando pelo ombro.
O garoto levou um susto e virou o corpo, encarando-a nos olhos.
- O que é? – tomou satisfações. Matt odiava ser puxado, empurrado ou qualquer tipo de agressão quanto a sua pessoa.
- Olha aqui, seu patético! – Roxy fez uma pausa, precisava de muita coragem pra falar, pois provavelmente quem dormiria na rua seria ela e, além disso, Matt estava lindo com a boca suja de leite, forjando um bigode de leite – Eu não sei por que você me odeia tanto, não sei por que você é assim sem coração, sem humanismo, sem carinho. O seu coração é feito do que? Pedra? Só pode ser né. E porque você trata as pessoas como se elas fossem nada? As pessoas têm sentimentos ok? Eu tenho, o Sean tem, todos têm. Mas com certeza os seus estão bem escondidos. Eu nunca vi ninguém como você, ninguém tão repugnante, tão mal humorado, tão chato, tão anti-social, tão arrogante, tão ridículo, tão sozinho...
– fora interrompida pelo garoto, que não agüentava mais aquele sermão ridículo – Acabou? – perguntou ele, fingindo não se importar.
- Não. Não acabei! – respondeu com acidez.
- Ta bom – ele colocou o copo de leite sobre o criado mudo da sala e sentou ao sofá – Vamos. Pode continuar – a olhou.
- Quer saber? Acabei sim! E agora eu sei por que ninguém gosta de você. Nem mesmo a sua família. Cadê eles agora Matt? Te deixaram sozinho nas férias, porque ninguém te atura. Você é muito metido, muito egoísta, muito... Muito! E se quer que eu vá embora, diga na minha frente.
Sem saber, Roxy havia mexido com o que mais doía no menino: a sua família. Matt levantou.
- Você conhece a minha família? Sabe alguma coisa sobre eles? – Perguntou aproximando-se dela.
A garota continuou calada.
- Deixa que eu responda por você. NÃO. Você não sabe nada sobre a minha família, então não diga nada beleza?
De longe os dois ouviram Sean abrir a porta do quarto: - O que ta pegando? – Quis ele saber enquanto andava pelo corredor.
Roxy tremeu. Dessa vez ela realmente havia irritado-o.
- E a propósito eu quero que você vá embora amanhã – avisou Matt.
- O que ta pegando aqui? – perguntou Sean, novamente.
Matt nem ligou pro amigo e saiu do apartamento batendo a porta. Fez um barulho ensurdecedor e depois o silêncio pairou sobre a sala.
- Sean... Acho que fiz burrada – contou Roxy, olhando assustada na direção da onde Matt acabara de sair.
- O que você disse a ele? – Sean correu até a porta, mas Matt não havia esperado o elevador, desceu de escada mesmo. De fato não estava mais no hall e provavelmente logo sairia do prédio.
- Eu ouvi a discussão de vocês e acho que eu disse coisas demais.
- Você falou exatamente o quê? – Sean fechou a porta e pegou o telefone, estava preocupado e ligaria pro amigo.
- Eu falei sobre a personalidade dele. O que eu acho dele, da família e de várias coisas. Tô me sentindo horrível agora – Roxy segurou o choro. Chorar agora seria dramático demais.
- Da família? – Sean colocou o telefone no gancho.
- É.
- Vem cá Roxy, vou te mostrar umas fotos.
Sean a levou até o quarto de Matt, do qual sem surpresa nenhuma estava bagunçado e desorganizado.
- Olha essa foto – Sean entregou a menina um porta-retrato com a foto de quatro pessoas em uma ceia de natal. Um casal e dois garotinhos. Pareciam felizes.
- Que lindos! – ela se emocionou.
- Sim. E esse aqui do canto é o Matt – Sean apontou com o dedo.
- Não acredito. Ele um dia foi fofo?!
- Pra você ver como as pessoas mudam devido ao que acontece a elas.
- O que aconteceu com ele, Sean? – perguntou quase sem voz, pois dependendo do que o amigo diria, Roxy teria que de alguma forma se desculpar com Matt.
- O irmão dele, o garoto aí do outro canto, morreu aos quatro anos de idade, atropelado.
- Nossa, deve ter sido horrível pro Matt.
- E depois disso a mãe dele ficou meio doida. Porque o pai do Matt sempre a traiu, desde que namoravam. Eles se casaram mais porque ela havia engravidado. Então o Matt sempre foi considerado pela mãe o azar que ela tinha que carregar pra vida toda.
- Ela é doida ou o que? – indignou-se Roxy.
- Uma feminista doida, como eu disse – Sean riu – e o pai dele o criou pra ser igual a ele. Um cara machista que só pensa em mulheres e dinheiro. Eu gosto do pai do Matt, mas não queria ser filho de alguém assim. Não entenda mal, mas o cara só sabe dar dinheiro e deixar o filho sozinho. – Explicou Sean.
- Não acredito que eu disse todas aquelas coisas pra ele. Ele deve ta mal, deve ta se sentindo um lixo. Eu e minha boca, sempre falando mais do que devia.
- Eu sei que você não fez por mal, mas julgar as pessoas sem saber a razão de elas serem assim, é foda. – Sean tirou o porta-retrato das mãos da amiga e o guardou exatamente no mesmo lugar que estava: do lado da cama de Matt.
- Sean, liga pra ele! Porque guardou o telefone? Liga agora! Vai! – ela estava desesperada.
- Eu sei onde ele ta. Sempre que tocam em assuntos da família ele vai pro mesmo mesmo lugar, refletir. E como o violão não ta aqui, ele deve ta mesmo nesse lugar.
- Onde é? Preciso me desculpar com ele.
- Acho melhor não Roxy.
- Sean, para de me enrolar! – se irritou.
- Ta, ta. Fica calma pô! Ele deve ta na praia perto do prédio, próximo do mar você vai achar ele.
- E pra chegar à praia é só seguir reto pela rua né?
- Quer que eu vá junto? – ofereceu Sean.
- Não. Eu disse as bobagens. Eu preciso consertar isso – preferiu assim. Afinal, com Sean por perto seria difícil de a menina pedir desculpas. Já que não era boa nesse tipo de situação.
- Certo então – Sean a acompanhou até a porta.
- Tem certeza de que ele vai ta na praia? – perguntou pouco antes de sair.
- Eu e ele somos amigos desde criança. Sabemos o que chateia o outro e os lugares que gostamos de ir quando essas coisas acontecem. Então relaxa, ele vai ta lá.
- Beleza.
- Tem certeza de que não quer que eu te acompanhe? Já ta de noite Roxy, você vai sozinha pra praia?
- Sean, pára de ser meu pai! – Roxy riu.
- Ta, você que se ferre então – Sean abriu a porta do elevador e a garota entrou.
Desceu do oitavo andar até o térreo de dedos cruzados, fazendo figas. Não que estivesse com medo, mas falar com Matt nessas ocasiões deveria ser pior do que o normal.
Antes de sair do prédio, respirou fundo e colocou o capuz da blusa sobre a cabeça. Não queria chamar atenção e mesmo com o calor na praia ventava muito.
Seguiu pela tal rua que dava com a praia e se surpreendeu ao chegar perto da areia. O lugar estava lotado, digamos assim, Roxy pensava que não encontraria uma só alma. Quer dizer, que pessoa em sã consciência ficaria a noite em um lugar a céu aberto, escuro e frio, devido ao vento? – mas isso não importava agora.
Ao passar pelo calçadão, sentiu a areia da praia tocar seus pés e tirou o chinelo, após abaixando para pega-los. Carregou-os na mão enquanto procurava por toda a beira do mar algum menino meio loiro, solitário e com um violão. Mas não havia ninguém parecido, somente alguns garotos, que sem ofensas, eram muito feios. Magricelos, brancos, mas torrados pelo sol e de cabelo raspado. Para Roxy o pior estilo e tipo de beleza era esse. E o seu erro maior foi rir ao passar por eles, como se fosse superior.

- Oia só malukin! – disse um dos garotos para o magricela mais alto – que gatinia.
- Não acredito que isso ta acontecendo. Não acredito que isso ta acontecendo – cochichou Roxy, enquanto pensava seriamente em correr.
Ao olhar mais distante e sempre reto, tentando ignorar as provocações dos guris.
Pôde ver um menino, um tanto parecido com quem procurava.
Correu na direção dele e ao se aproximar, desacelerou o passo: - Matt? – o chamou desconfiada. Afinal, não tinha certeza se era ele, estava muito escuro.
- Te conheço? – perguntou o homem, abrindo apenas um olho. Ele estava deitado na areia e a dormir, agora não mais, já que seu sono fora interrompido pela menina.
- Oh! Desculpa, pensei que você um amigo meu e... – Roxy mudou sua expressão e sobrepôs a mão no nariz – que cheiro horrível! – exclamou olhando na direção de onde vinha aquele odor horrendo.
O cara fechou os olhos e riu: - Haha! Conheço bem esse cheiro, viu moça!
Roxy se afastou, pois se ele conhecia um cheiro daqueles não devia ser um cara de boa índole.
Por incrível que pareça, aquele cheiro para muitos era familiar, embora Roxy não conhecesse.
Curiosa e mais atenta, reparou que havia alguém bem próximo do mar. Não muito longe de onde ela estava. Só alguns passos.
Era um garoto, e de longe bem parecido com Matt. Decidiu se aproximar, mas com cautela.
Andou em passos pequenos e lerdos, estava cansada. Andar na areia não era nada confortável.
Um vento forte bateu sobre ela e o rapaz, tirando o capuz que Roxy usava e deixando os cabelos a solta. Não era possível ver nitidamente o rosto dela, pois além da escuridão o vento forte fazia os longos cabelos da menina se movimentar sentindo contrário do que estava, tapando superficialmente sua face.
- Matt? – era a última vez que tentaria achá-lo.

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