Welcome To Dangerous Friendship


Bem Vindos ao Blog-Site da história Perigosa Amizade.
Aqui estão postados os capítulos da primeira e segunda temporada da história. Você pode achar o link dos capítulos diretamente no site www.perigosaamizade.webnode.com/ ou aqui, na fileira de capítulos abaixo do perfil do blog.
Não comece a ler pela última postagem abaixo se não for o capítulo 01x 01 Amigas Para Sempre - pois provavelmente será o último capítulo postado por nós, então, se você não acompanha a história, saberá de fatos adiantados.
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Obrigada pela atenção, pessoal. E boa leitura. Espero que acompanhem Perigosa Amizade até o fim, por que enquanto houver leitores haverá história.

Com carinho, Gizella, escritora.



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Capítulo - 01x 29



FÉRIAS

- Não vou mais para Ilha Bela – comunicou Andressa.
Derick demonstrou certa felicidade com a notícia e a menina se jogou no sofá da sala, tão cansada que não agüentava nem chegar ao quarto do namorado.
- Não acredito. Eu precisava desse emprego.
- Mas o que aconteceu? Eles não gostaram de você? – o garoto se pôs sentado ao lado dela.
- Não. Pelo contrário, eles gostaram, e muito! Me acharam comunicativa, bonita, inteligente e dócil. Resumindo: a menina que eles precisavam! Mas querem me mandar para Santos, porque as vagas para Ilha Bela já foram preenchidas.
- Perfeito! – exaltou Derick, quase num surto.
- Perfeito? Não, não é perfeito. Não conheço nada em Santos, por isso tinha me inscrito para ir para Ilha Bela, onde visitei algumas vezes e conheço pessoas que moram por lá.
- Perfeito, perfeito! – Derick inclinou o corpo na direção da mesinha que apoiava o telefone e o apanhou.
- Pra quem você vai ligar?
- Pro meu pai.
- É aniversário dele ou o quê? – Andressa riu sozinha.
Assim que discou o número e ergueu o telefone ao ouvido, respondeu: - Ele tem um apartamento em Santos, vou ver se descolo pra gente se hospedar. Daí nós vamos. Você pode trabalhar e de sobra vamos poder ficar juntos, à vontade pra fazer o que quisermos... – Derick a olhou de um jeito que Andressa ruborizou.
- Pensa que foda vai ser! – acrescentou ele, antes de levantar e ir para a cozinha, desejando falar a sós com seu pai.
A menina que havia ficado feliz nós três primeiros segundos, congelou. Andressa não sabia ao certo o que ele queria dizer com “ficar a vontade pra fazer o que quisermos”, mas dava para ter uma idéia do que fosse. Ela passou a mão pelo cabelo, coçando a cabeça e reflexiva olhou para a janela longa e grande da sala, escancarada, deixando penetrar entre as cortinas o ventinho gelado de todo fim de tarde.
Entre o sopro do vento e o volume da TV ligada, dava para ouvir vagamente o que Derick conversa com seu pai. E pelo timbre da voz e a empolgação com que falava, devia ter conseguido o apartamento na baixada santista.

No dia seguinte, de manhã, Roxy se encontrava em um estado critico. Animação zero e total depressão. Brigada com Missy, ela não tinha onde passar as férias, constando o fato de seus pais não serem de viagens e agitações.
De pé no espelho do banheiro, a escovar os dentes, a roqueira mal conseguia encarar seu reflexo.
Que droga, meu! O que vou fazer nessas férias? Quer dizer, não tem nada pra fazer e ainda tô cheia de ficar em casa de bobeira na frente do computador, pensou enquanto enxaguava a boca.
Abriu um sorriso forçado, verificando se todos os dentes se encontravam verdadeiramente limpos e foi para o quarto. Roxy deitou na cama e colocou o travesseiro em cima da cabeça, impedindo que a claridade do dia alcançasse seus olhos. Ela só queria que o tempo passasse o mais rápido possível enquanto ela dormia.
A jovem quase pegara no sono quando o aparelho telefônico, posto ao lado da cama, tocou.
- Não é possível! Será que nem dormir pode mais? Que droga! – resmungava, já com o telefone em mãos – ALÔ! – atendeu impaciente.
- Gatinha... – Roxy nem esperou a pessoa terminar e desligou.
Mas não demorou muito para o telefone voltar a incomodá-la com seu toque estridente. Ela deixou que tocasse durante um tempo, mas pela insistência da pessoa lhe pareceu ser urgente.
- Quem é? – atendeu novamente, com a voz abalada pelo sono e a cabeça recostada no colchão.
- Qual é, Roxy? Vai desligar na cara dos amigos mesmo? – a recriminou uma voz totalmente reconhecível.
- SEAN? É VOCÊ? – estrilou de felicidade, se levantando num pulo, ficando sentada de pernas dobradas na pontinha do colchão.
- Não, é a mãe – ele riu sozinho. Roxy odiava essas piadinhas comuns que o amigo freqüentemente usava.
Um silêncio inconveniente se fez da parte da garota, deixando Sean sem graça do outro lado da linha.
- Então – exalou ele, retomando o assunto. – Te liguei porque queria saber o que vai fazer nessas férias.
- Nada! - asseverou. - Vou fazer nada, acredita? Queria tanto ficar de férias e agora que estou não tenho o que fazer! Lindo isso, não é? Também acho! Fazer nada. O dia todo. Nada pra fazer. As férias todas! - desabafou, insatisfeita.
- Roxy, fica calma.
- Não dá. Ficar em casa sem fazer nada é muito pior do que ir ao colégio. Imagina: eu o dia todo aqui fazendo nada vezes nada, e ainda ouvindo minha mãe me criticar O-DIA-TO-DO! – a garota se acolheu na cama, triste, puxando os lençóis para si.
- Então vamos... – Sean fora interrompido pelo choramingo insaciável da amiga, que necessitava desabafar sobre o quanto sua vida era tediosa e chata.
- Ah, meu, estou cansada! Não quero fazer nada também. Estou cansada de fazer nada, entendeu? Pois é, nem eu – ela riu e Sean a cortou: – Vamos pro Guarujá Comigo?
Roxy arregalou os olhos e pulou da cama, empurrando os lençóis para o chão.
-Finalmente consegui falar – ele respirou fundo, enquanto toda emocionada, Roxy o respondia quase sem voz.
- Sé-Sério? – ela mal se agüentava de alegria.
- É. O Matt me ligou e...
- O Matt? Ah, nem vou. – Roxy bruscamente cortou o clima de férias, agito e animação. – Aquele menino me odeia, até parece que eu vou pra casa dele.
- Não. Ele mandou eu te chamar – mentiu Sean.
- Chamou mesmo? – duvidou.
- Porque eu mentiria?
- Porque você não mentiria? – retrucou a garota.
Ambos riram e Sean instigou: – Vai? Sim ou não?
- Não sei. Meus pais não vão deixar, eu acho – Roxy cuidadosamente calçou seus chinelos e foi até a porta do quarto, a abriu devagar e espiou pela fresta da porta, reparando se alguém podia escutá-la falar ao telefone - A não ser que eu diga que vou viajar com a Missy – acrescentou, levando o polegar na altura da boca, conspiratória.
- Como?
- É claro que eu não contei pra ninguém aqui de casa que estou brigada com a Missy, então eles não sabem. E confiam tanto na família Spagola que é raro ligarem para confirmar algo com os pais dela.
- Isso soa errado.
- Errado é ficar em casa nas férias! – rebateu Roxy.
- Mas não vamos ficar lá todos os dias, apenas um final de semana. Meu pai tem que voltar pra trabalhar.
- Vamos com a sua família então?
- Sim. Mas a gente vai ficar no apartamento do Matt, o pai dele nem vai estar.
- E a mãe?
- A mãe dele é uma feminista doida. Vai passar o final de semana inteiro em reunião com outras loiras iguaizinhas a ela.
- Eu sozinha em um apartamento com dois garotos... Uau!
- A gente cuida de você – assegurou Sean, malicioso.
- Ah-hã! – Roxy riu e um tanto desconfiada, pensou seriamente em recusar o convite – Ah, Sean, eu não sei se posso ir. Eu até quero, mas...
- Mas o quê? Tá com medo de quê? Fala sério Roxy, nós somos amigos, eu cuido de você. Sabe que te tenho como uma irmã. Nada de mal vai te acontecer, prometo.
A garota ficou muda ao telefone, emocionada.
- Ei, preciso desligar – avisou Sean. – Mas se você for, é esse final de semana, certo? Então tem quase uma semana pra você pensar bem e arrumar suas coisas. Falou criança.
- Ok, beijo.
Sean desligou e Roxy colocou a ponta do telefone na boca, mordendo pensativamente a antena do aparelho.
Andou calmamente ao redor do quarto, vislumbrando a tudo. O que ela ganharia ficando em casa presa a quatro paredes? E o que perderia se arriscando nessa viagem? Era óbvio, ela tinha que ir.
Roxy guardou o telefone e empolgada abriu a porta do guarda-roupa, atirando suas peças preferidas de roupa em cima da cama. Primeiro faria as malas, depois resolveria que desculpa inventaria para enganar seus pais.
Os dias passaram rápidos e já estava tudo organizado - os pais de Roxy acreditavam mesmo que a jovem viajaria com Missy.
Roxy chegou à casa de Sean minutos antes da hora marcada para viajarem. Vestida uma calça larga e comprida, que tapava seus pés e chinelo, acompanhada de uma blusinha colada e branca, que deixava à mostra as alças do biquíni preto, ela carregava uma pequena mochila nas costas e mal se cabia de felicidade. Sorria a todo o momento. Roxy parou no portão de entrada da casa do amigo, onde esperou ansiosa por ele e sua família.
- Roxy! – cumprimentou Sean, assim que a viu.
Ele se aproximou e os dois se abraçaram. Ela estalou um beijo na bochecha dele e só. Após entraram no carro, esperando pelo confuso pai do garoto, senhor Augusto Moscovis, que costumava se atrasar, como relatou Sean.
Roxy despojou a mochila ao lado do banco, bem no meio dela e de Sean. Dessa vez o garoto viajaria no banco detrás, já que sua mãe ocupava o banco da frente.
Ele pegou o controle remoto do som do carro e olhou para Roxy: - Você vai curtir a viagem, fica tranqüila – e sorriu. O sorriso de Sean era aconchegante, ele sempre dava um jeito de transparecer confiança.
Roxy retribuiu o sorriso do amigo com um olhar tímido e um sorriso acanhado.
Sean ligou o som e colocou para tocar uma música agitada, uma mistura de rock com reggae. Típica de praia.
O pai do garoto entrou no carro e assim que deu partida, Roxy virou o rosto, encostando-o no vidro e observando tudo da janela pra fora.
Permaneceu quieta a viagem inteira, normalmente ficava tímida na presença de adultos, principalmente quando se tratava dos pais de seus amigos.


Em poucas horas eles já haviam chegado. O lugar era lindo. Guarujá era lindo e estava um dia lindo. Ensolarado.
Passaram por várias praias até chegar ao bairro destinado, que por acaso era um dos mais badalados e agitados do litoral paulista, visto também como um ponto turístico.
Antes de seguirem para o hotel, os pais de Sean, senhor e senhora Moscovis, atentamente deixaram os dois adolescentes na portaria de um prédio luxuoso, do qual Matt morava, e que por uma coincidência predestinada ficava a cinco ou seis quadras longe de onde o casal ficaria hospedado.
- Estão entregues! – disse o senhor Moscovis, acabando de fechar o porta-malas.
Roxy sorriu tímida e acenou.
- Valeu Pai! Valeu mãe! – Sean deu-lhes um abraço de despedida e esperou partirem.
Enquanto isso, lá em cima, apoiado na grade da varanda do apartamento oitenta e um do oitavo andar, Matt mantinha o olhar fixo na portaria do condomínio, de imediato avistando Sean, somente Sean.
Empolgado com a chegada do amigo, Matt correu para o interfone: primeiro avisando aos porteiros que o deixassem subir e depois, ligando para o apartamento noventa e um, bem acima do seu, do qual umas garotas se hospedavam nessas férias.
O garoto estava tão animado, que havia feito planos pra ele e o amigo durante todo o final de semana. E isso incluía as garotas do nono andar.

A campainha tocou e Matt foi atender. Mas antes ele passou na frente de um grande espelho de parede que ficava na sala e ajeitou o cabelo, crente de que eram as gostosas do andar de cima a tocar a campainha.
Ele também verificou o hálito, a roupa e tudo mais.
Queria estar perfeito, embora se considerasse assim a todo tempo.
- Porra, Sean. É você! – exclamou soltando uma risada espontânea ao abrir a porta e ver o amigo. Matt não deixou Sean proferir nenhuma palavra e o puxou para dentro do apartamento com a bagagem tombando entre as pernas do outro – Corre, cara! Guarda as suas coisas lá no fundo e dá uma checada no espelho que elas já estão vindo – informou, fechando a porta.
- Elas quem? – Indagou Sean, perdido na sala receptiva do apartamento.
- Umas gostosas que eu estou de olho faz um tempo aí e... – fora interrompido com o toque da campainha – Vai, vai logo, cara! Deve ser elas! Esconde essa sua mochila no quarto dos fundos e vem pra sala. Vou atendendo elas enquanto isso – Matt balbuciava desesperado, empurrando o amigo para a cozinha que dava com a lavanderia e um minúsculo quartinho de empregada.
Sean começou rir, deixando Matt irrequieto.
- Que foi? – perguntou estranhando a risada do outro, em parte debochada e em parte divertida.
- Vai atender, vai. Que eu vou lá guardar minhas coisas – Sean continuou a rir fazendo um gesto para que o amigo fosse abrir a porta.
A campainha tocava sem pausa, fazendo Matt ser sucumbido por puro entusiasmo.
Quanto fogo elas tem, não agüentam nem esperar, pensou ele.
- JÁ VAI! – gritou a caminho da porta.
Novamente, Matt passou na frente do espelho e ajeitou o cabelo, após verificou o hálito, tudo como havia feito antes. E ao abrir a porta, sorriu safado: - E aí... ROXY? – arregalou os olhos, engasgando com a própria saliva e perdendo temporariamente a voz.
- Vocês são surdos ou o quê? – ela parecia furiosa.
- O-O-O... O que você tá fazendo aqui? – em estado de choque, Matt mal conseguia falar.
- Como assim o que eu tô fazendo aqui? – rebateu. – Cadê o Sean? – ela adentrou o apartamento sem esperar por um convite do rapaz. Também pela expressão de Matt, ele não a convidaria tão cedo.
- Tá, que ótimo. Mas cadê a câmera? É uma pegadinha, não é? – Matt desatou um sorriso amarelo e como quem não quer nada puxou Roxy pelo braço, a rebocando de volta para porta. – Legal. Muito legal. Mas agora você pode ir embora. Estou com um pouco de pressa.
Ele acenou para ela, dando um simples “tchauzinho” e Roxy continuou petrificada na soleira da porta, de pé em cima do tapetinho de “boas vindas” do lar. Paralisada a olhá-lo, ela não conseguia acreditar no que estava acontecendo com ela.
- SEAAAAAN? SEAAAAN? – Roxy chamou pelo amigo aos berros.
- Ei, não grita! – ordenou Matt, indignado com a folga da outra.
- AAAAAAAAAAH! – gritou Roxy, bem próximo ao ouvido do rapaz.
- Mais que droga! – Matt cuspiu enraivecido. - O que você tá fazendo aqui?
- Você acha que eu queria estar aqui? Fui tão enganada quanto você.
- Claro que você queria estar aqui. Você me persegue!
- Se toca garoto!
- É. Me tocar! Isso mesmo! Eu adoraria me tocar agora. Bem aqui na sala. Me tocar profundamente. Mas você está aqui. E logo as meninas que podem ver esse tipo de coisa vão chegar, e você? Você ainda vai estar aqui!
Roxy evitou prolongar a discussão, apenas estendeu o dedo do meio na direção do garoto e passou por ele indo de encontro aos sofás da sala.
Matt suspirou virando o rosto para o lado, acompanhando os passos de Roxy e mantendo a calma. Ou tentando manter a calma. Ele esfregou uma das mãos no cabelo, bagunçando-o por completo enquanto pensava numa solução prática e rápida, que daria um sumiço temporário em Roxy.
E nisso tudo, a porta continuava aberta.
- E aí, galera – Sean retornou a sala na maior cara de pau e todo risonho.
Roxy e Matt, naquele momento tiveram o mesmo pensamento: matar o amigo.
- Você vai me levar pra casa agora! – disse Roxy, apontando o dedo indicador na cara do amigo.
- Você vai levar ela pra casa agora! – disse Matt, fazendo o mesmo gesto que a menina.
Os dois se olharam e Roxy riu. Ele tinha ficado tão gay falando aquilo da mesma maneira que ela.
Matt suspirou nervoso desfazendo a pose e ignorando a risadinha sarcástica da garota.
Ele após se aproximou do amigo: - Qual é, Sean? Porque você a trouxe? – tomou satisfações.
- Espera. Você sabia que ela vinha – afirmou Sean.
- Não sabia.
- Eu disse que não viria sozinho.
- Você disse que não queria vir sozinho – o corrigiu Matt.
- Dá na mesma – Sean indiscretamente se afastou dos amigos, sentando-se espaçoso no sofá maior de frente para uma TV de tela LCD posta na parede.

Sean apoiou as costas nas almofadas e permaneceu com um sorriso intacto no rosto enquanto olhava para o casal a sua frente como se nada estivesse acontecendo.
Roxy só conseguia revirar os olhos e pensar no quanto havia sido trouxa por ter vindo. Quanto a Matt, ele só conseguia pensar com a cabeça debaixo e isso não era bom, já que assim ele não raciocinava. E o pior, logo as meninas do nono andar chegariam.
- Então esconde a Roxy no quartinho dos fundos, temporariamente. Depois a gente vê o que faz com ela – sugeriu Matt, como se está fosse à idéia do século.
- Como assim o que faz com ela? Ninguém vai me esconder em lugar nenhum! Tá achando que eu sou o quê? Um objeto? – retrucou, esquentada.
- Matt, porque todo esse problema dela ficar? - pronunciou-se Sean. – É a Roxy. Você a conhece. Então para de fazer drama, vai.
- Merda, merda, merda! – se revoltou o garoto. – Eu não te falei, Sean? As gostosonas do nono andar que estão loucas pra dar pra gente estão vindo pra cá! Eu as chamei assim que vi você na portaria, por que eu achei que você ia vir sozinho! Agora elas podem chegar a qualquer momento e a gente vai estar aqui discutindo o que fazer com a Roxy, por que se elas a encontrarem aqui, vai pegar mal pro nosso lado! Por que na melhor das hipóteses elas vão achar que é a minha irmã caçula e vai ficar tudo bem e na pior das hipóteses elas podem ficar estranhas e não quererem mais deitar e rolar com a gente, sacou?
Quando o garoto voltou a si e parou de berrar, percebeu que Sean e Roxy olhavam diretamente para a porta.
- Cof! Cof! – Roxy forçou uma tosse e Matt olhou pra trás.
Paradas na frente do apartamento, a observar a discussão, encontravam-se três garotas. Uma loira magrinha e duas morenas de corpo malhado.
Matt tremeu da cabeça aos pés. Como se não bastasse Roxy estar lá, as tais assanhadas do nono andar haviam presenciado e escutado todo o discurso dele.
A pele antes branca do garoto ficou vermelha, certamente fora consumido pela vergonha e raiva.
- Oi... – ele as cumprimentou junto a um sorrisinho simpático.
- Você tava falando da gente, seu zé ruela? – perguntou a loirinha. Ela parecia a mais invocada do trio.
- Não... Não – respondeu com um fiapo de voz – Claro que não – Matt continuava com o sorrisinho no rosto.
Roxy então começou a rir, não agüentava segurar o riso. O que foi suficiente para entregar o rapaz.
Matt olhou de cara fechada para ela e a roqueira se obstinou a se controlar.
- Desculpa. Foi mal, desculpa – Roxy se redimiu junto ao riso.
- Eu devia te encher de pancada, seu filho da mãe! – rebelou-se a loirinha.
- Bárbara, não perde tempo com esse babaca! Olha o estado dele, digno de dó – aconselhou uma das morenas, sábia.
As meninas riram. Menos a loirinha. Ela estava tão fula da vida que não queria saber de piadinhas.
- Certo, certo. – ela encheu o peito de ar e o soltou, lentamente se acalmando.
- Vamos deixar esse descabelado tarado aí! – disse a outra morena, com sotaque estrangeiro.
Quando Matt virou o rosto e olhou no espelho ao lado dele. Ele pôde ver seu cabelo em um estado horrendo. O cabelo que a pouco havia arrumando com todo o cuidado possível estava bagunçado e armado, dava até pra dizer que o garoto havia levado um choque ou coisa parecida.
As duas morenas foram andando e a loirinha ainda incrédula com o que acabara de ouvir, berrou:- ESPEREM! – ela respirou intensamente e gritou bem alto, para que todos do andar ouvissem: - SEU TARADO ESCROTO DE PAU PEQUENO! – após saiu rindo, feliz da vida.
Elas entraram no elevador e algumas portas de outros apartamentos do mesmo andar foram abertas. O povo curioso espiava.
Matt andou decepcionado até a porta e a fechou. Um silêncio horrível permaneceu dentro do apartamento. Sean não sabia se sentia-se culpado pelo ocorrido ou se toda a culpa caia sobre as besteiras que o amigo falava das mulheres.
De repente, interrompendo o silêncio fatal, se ouvia as pequenas escapadas das risadinhas de Roxy. Ela não conseguia mais segurar o riso, precisava gargalhar.
A garota estava quase chorando, de tanta vontade de rir. Sean a olhou e pediu com um olhar piedoso pra que ficasse quieta. Ela achou certo. Afinal, Matt deveria estar arrasado.
E quando eles menos esperavam, uma risada eufórica quebrou o silêncio.
Matt estava rindo: – Que vadias doidas!
Roxy então se jogou no chão, ficando ajoelhada. Precisava rir. Fora tão engraçada a maneira como a loirinha o xingou.
De repente todos estavam rindo, e por incrível que pareça o que mais ria era Matt. E tudo piorou quando ele se olhou no espelho, se deparando com seu cabelo.
- Puta, como eu sou trouxa! – disse para seu reflexo.
Roxy colocou a mão na barriga, já estava doendo de tanto rir: - Pau pequeno – disse ela, apontando para ele.
Matt ficou sério por alguns segundos: - Vou te mostrar o que é pequeno! – após ele sorriu e olhou para Sean: - To com fome – disse pegando o telefone e jogando para o amigo. – pede qualquer coisa pra gente comer que eu vou me ajeitar aqui, né.
Matt seguiu pelo corredor dos quartos e entrou no banheiro, após fechando a porta.
Roxy se levantou e pegou sua mochila: - Ai, nunca ri tanto na minha vida – comentou.
- Isso foi realmente inesperado – disse Sean.
A garota se jogou no sofá enquanto observava o amigo fuçar todas as gavetas, prateleiras e armários da sala, a procura de um folheto de pizzaria ou coisa do tipo.
- ACHEI! – exclamou ele, imediatamente discando o número no telefone sem-fio da casa.
Sean seguiu para a cozinha e Matt saiu do banheiro, com o cabelo molhado. Ah, Roxy quase suspirou. Ele estava lindo com o cabelo escorrido e grudado na testa, aparentando ter acabado de sair do banho.
Roxy levantou em um pulo do sofá e sorridente, perguntou: - Onde eu vou dormir?
- Não tem lugar pra você.
Matt às vezes era tão grosso, mesmo sem querer.
- Pára! – pediu manhosa.
- Está bem. Você pode ficar no quartinho dos fundos. – deu uma trégua. - Vem cá que te mostro onde é – ele saiu andando e ela o seguiu.
- Pronto. É aqui – Matt disse com uma veemência desnecessária, tirando o sarro.
- Tá brincando né? – Roxy passou o olhar pelo quarto, e sinceramente, ninguém conseguiria dormir ali. Estava totalmente bagunçado. Havia cuecas do menino, restos de comida, copos, louças e tudo mais. Se duvidar até camisinha usada ela poderia encontrar no meio da bagunça.
- Não. Você veio porque quis. Agora boa sorte com as moscas, baratas e os insetos que encontrar por aí – ele saiu rindo.
Você me paga, Matt! Esse final de semana promete... – Roxy confabulava, enquanto procurava um lugar menos sujo do quartinho para por sua mochila.

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