E TUDO ACABA EM PIZZA!
A semana passou rápida e algumas coisas haviam sido alteradas.
Derick recentemente havia pedido Jamila em namoro, surpreendendo a todos que o conheciam, principalmente Andressa e Roxane que ficaram indignadas e passavam a maior parte do tempo pondo defeitos na namorada do rapaz.
Melissa e Sean tinham feito as pazes e se pegavam algumas vezes aos fundos do colégio, já que Eduardo sempre os acobertava, mesmo ele não achando que Sean fosse o cara ideal para ela.
Eduardo e Melissa haviam ficado muito íntimos, praticamente melhores amigos. Ela o ajudava com a timidez, forçando-o a passar pelas piores situações, como, por exemplo, apertar, propositalmente, a bunda da professora e declarar agir sem querer.
De fato, os ensinamentos da garota estavam funcionando. Eduardo se arrumava mais e interagia com as pessoas. Mesmo que suas falas mais ditas fossem simples “bom dias” ou “obrigados”. Conforme o tempo fosse passando, ele iria melhorando.
Já sua paixão por Jamila não havia mudado em nada e ele mal conseguia encarar o colega que se sentava ao seu lado, Derick.
Missy não entendia porque escondia seu relacionamento com o Sean, mas também nem questionava. Ela o amava e essa certeza bastava. Seria tolice da parte dela querer levar o relacionamento a um grau mais sério se o garoto nunca havia citado a palavra namoro entre as conversas do casal.
Missy, sem alternativas, concordava em manter sigiloso o caso entre eles, até mesmo para Roxy, pois sempre que tentava contá-la alguma coisa, ela era interrompida por alguém ou até mesmo pela própria Roxy - constando que a amiga passava 24 horas por dia pensando em como derrotar Jamila na competição das bandas.
Angélica ficava todos os dias até mais tarde no colégio, ansiosa em ter outra chance de se encontrar com o professor. A ruiva, a cada dia deixava mais claro seus sentimentos em relação a ele.
Rufles, por sua vez, desprezava-a totalmente. Ele ficava tenso com as provocações da aluna, no entanto, não fazia nada, apenas esperava esperançoso pelo dia em que ela o deixaria em paz, considerando que este tinha outros planos em mente.
Jamila e Mônica viviam se encontrando com Carol (a terceira integrante da banda) para ensaiarem a dança e o canto. Somente Mônica não sabia por que fazia parte do grupo, pois Jamila era clara e direta, sempre excluindo a morena das melhores partes da coreografia e canto. Jamila cantava, Carol dançava e Mônica... Bem, Mônica para ambas era somente um fardo obrigatório carregar até o dia da apresentação.
Roxy passava a maior parte do tempo treinando sua voz, obstinada a vencer a competição a qualquer custo. Apesar de parecer ruim, toda essa obsessão a fazia evitar pensar em Derick e entristecer-se.
Andressa conversava com o amigo normalmente e exteriormente parecia bem, mas por dentro estava destruída. Ela jamais esperaria que Derick fosse namorar alguém tão rápido. E a história de não poder se apresentar no concurso de bandas, só piorava a situação.
Sara, ao contrário das garotas, estava mais feliz do que nunca. Havia se afastado de Sean – que sempre sumia misteriosamente nos intervalos – e raramente os dois se trombavam pelo colégio. Ela em uma idéia meio louca havia se inscrito em um curso de intercambio e se passasse na prova final pretendia, sem receio, deixar tudo para trás e viajar mundo a fora.
Cachaça, seu irmão um ano mais velho, continuava o mesmo, sem tirar nem por. Ainda era um bagunceiro, briguento e malandro. A única novidade era que tinha se tornado amigo de Daniel, que se sentia sozinho, porque seu único amigo, Sean, não tinha tempo para mais nada que não fosse ligado a Melissa.
Era sexta feira e o final de semana estava prestes a chegar. Sábado teria a tão esperada competição das bandas, forçando-os a não saírem para balada e nem viajarem. Coração a mil e os nervos a flor da pele. Todos, sem exceções, estavam ansiosos para a chegada do grande dia.
- Vamos viajar, Melissa, e não pretendemos te deixar sozinha em casa – Avisou Mário sentado a uma poltrona macia e confortável, localizada ao canto da sala de estar de sua casa.
- Mas pai, eu não posso viajar, tenho compromisso amanhã! – Retrucou nervosa, sentando-se no sofá.
Bruscamente Melissa apoiou as costas no encosto do assento e respirou tensa, enquanto observava seu pai apanhar lentamente uma xícara, pequena e branca, da bandeja sobreposta a mesinha central da sala. Mário permaneceu quieto, aquele momento para ele era sagrado. Passou o nariz por cima da xícara – Hum... – murmurou ao sentir o aroma do café quente.
Fechou os olhos e tomou um gole, saboreando aos poucos o amargo sabor do cappuccino.
- Pai? – o chamou, impaciente.
- Ah, sim, perdão – voltou a si e a olhou – nós sabemos, mas não temos escolha – respondeu simplesmente.
- Mas pai...Isso não é justo! Eu posso ficar em casa sozinha por um final de semana! – estrilou.
- Missy, não questione! Você não tem idade para ficar sozinha em casa e eu tenho que viajar, vou a trabalho e sua mãe quer ver sua tia Marta - disse calmamente devolvendo a xícara a bandeja – Se anime, vamos para Santos, você adora aquele lugar – sorriu ao terminar a frase.
- Eu já conheço tudo em Santos e não posso deixar a banda, eles precisam de mim! Além disso, está superfrio pra ir à praia – ela cruzou os braços, insatisfeita.
- Calma filha, vamos dar um jeito, eu prometo – pronunciou-se uma voz doce, adentrando a sala.
- Mãe... – Melissa disse chorosa, abraçando-a assim que se sentou ao seu lado.
- Mário, coitadinha... – Glória passou a mão sobre os cabelos da filha, tirando a franja dela do olho – Vamos deixá-la por conta própria, só dessa vez. Uma prova de confiança e responsabilidade.
- Negativo! – Falou seco.
- E se eu chamar a Roxy pra ficar aqui comigo? – Sugeriu Melissa, de repente, soltando a mãe e olhando para o pai como quem acabara de ter a idéia do ano.
- A Roxy? Aquela sua amiga doida das idéias? – ele sorriu cínico - não adianta muito, vocês têm a mesma idade.
- Como não adianta? Você disse que eu não posso ficar sozinha, então, com a Roxy aqui eu vou ter companhia!
- Ela tem razão, Mário. Afinal, nós dois sabemos que a Roxane é uma boa menina, não vai acontecer nada com a nossa pequena enquanto estivermos fora – concordou Dona Glória, abrindo um leve sorriso para o marido.
- Hum... Não sei não - murmurou rabugento.
- Vai pai, por favor! – Suplicou forçando uma voz de choro.
Melissa já sabia que ele deixaria e tudo o precisava fazer era insistir. Seu pai podia ser rigoroso, mas nunca a negava nada.
Rígido, Mário puxou o jornal que estava junto das chicaras de chá e o pôs sobre o rosto, abrindo-o e cobrindo a visão que obtinha da mulher e filha. Adorava fazer um mistério e sentir-se poderoso, mesmo sabendo que no fundo sua opinião era dobrada pela pelas duas.
- Vão ser só dois dias.... Que mal há de ter? Tudo bem, Missy, eu deixo.
- Obrigada pai, obrigada! Te amo, te amo, te amo muuuuito! – clamava eufórica, o agarrando pelo pescoço.
- Mas ligue para a sua amiga e peça pra ela vir agora, porque já estamos de saída – ordenou ainda cabreiro por deixar duas adolescentes sozinhas em casa.
Melissa soltou um grito de felicidade e, sem demora, correu para seu quarto e pegou o telefone. Queria privacidade e sabia que na sala seus pais ouviriam a conversa de ambas. Discava o número da amiga quando se olhou no espelho e viu seu pai a espiando pela fresta da porta aberta. Fingiu não ter percebido e agiu normal, sabia exatamente o que fazer para ele a deixar em paz.
– Alô? Missy... – atendeu uma voz entediada.
- Roxy, amiga! – Melissa sorriu – Tenho uma novidade pra você. Meus pais vão viajar e pra eu ficar pro show você precisa vir dormir aqui. Tipo, agora!
- O quê? – indagou, confusa – Tá, mas vou ter que levar a Andressa... Beleza?
- Tudo bem né, fazer o que... – concordou enciumada – mas vem mesmo! Nós podemos ficar lendo a noite inteira! – exalou empolgada.
- Lendo? Eu odeio ler – resmungou.
- Ainda bem que você ama ler, amiga, daí traz seu terço pra gente rezar o credo antes de dormir.
- O quê? Rezar? Você bebeu, Missy?
Ouviu-se uma voz entusiasmada ao fundo gritando que iria se arrumar para dormir na casa de Melissa, obviamente era Andressa.
- Daí amanhã nada de sairmos para comemorar após a apresentação, tenho que ficar em casa, é perigoso sair na nossa idade - Missy quase gargalhou ao dizer aquilo - To te esperando, e traz seus livros de gramática – riu e desligou, em seguida olhando para o espelho e vendo seu pai sorrir orgulhoso.
- Não tenho livro de gramática... – dizia Roxane – Alô, Missy? – Desligou após perceber que a linha estava muda.
- Minha filhinha, uma completa santa – foi tudo que Mário disse a si enquanto ia para seu quarto fazer suas malas.
A campainha soou forte, fazendo Melissa correr para atender. Ela abriu a porta e cumprimentou as garotas com um sorriso enorme no rosto.
- Ai, amiga, ainda bem que você veio – falou puxando Roxane pela manga da blusa - vem, entra logo! – Exclamou não dando muita atenção a Andressa, que sem graça, forçou um sorriso e adentrou a casa seguindo Roxane.
Enquanto elas iam entrando, Dona Glória e o Senhor Mário foram saindo.
- Oi Dona Glória e oi Seu Mário – cumprimentou-os Roxane, abrindo um sorriso angelical.
Quem a visse naquele momento, juraria que era um anjo que caiu do céu.
- Oi, querida! É uma pena que já estejamos de saída e não dê para conversarmos, pois estamos realmente com pressa – disse Glória, afobada e surpresa por ver três garotas paradas a sua frente.
- Quem é essa? – perguntou Mário, se referindo à garota tímida ao lado de Roxane.
- Andressa, prazer – apresentou-se, estendendo a mão para cumprimentá-lo.
- Oh, que linda sua voz! – Exclamou Glória, olhando admirada para a menina.
- Obrigada – agradeceu ensimesmada.
- Chega, chega de conversa... Vamos embora, Glória! – apressou-a Mário, dirigindo-se a Melissa - filha, deixamos um dinheiro pra você no balcão da cozinha... – disse enquanto enrolava as alças da mala em sua mão – e tenham juízo! – Olhou para o trio e saiu apressado porta a fora.
- Tchau garotas e se cuidem. Estaremos a menos de uma hora daqui, qualquer coisa, é só ligar – Glória abraçou Melissa e beijou a testa de Roxane e Andressa, certamente era uma mãe protetora, tanto com sua filha como com qualquer jovem.
Em seguida ela se retirou da casa, apertando o passo e quase derrubando as malas pelo caminho.
Logo o carro branco do táxi, que se destacava entre a escuridão da rua, sumiu ao virar a esquina, deixando as garotas sozinhas na entrada da casa.
Elas fecharam à porta e seguiram para o quarto de Melissa.
- Você me salvou, miga - comentou Melissa, se jogando pesadamente na cama, aliviada por não ter ido viajar.
- Salvei mesmo, aliás, sou eu quem sempre salva a pátria, não é? – gabou-se, também caindo na cama.
- E também é sempre você quem se acha, não é? – zoou Missy, olhando para a amiga.
A pequena riu e Roxane soltou um suspiro preocupante: - Não sei como ainda podemos fazer brincadeiras, a competição de bandas é amanhã – desabafou, pensativa.
- O que tem a competição de bandas? – perguntou Andressa, entrando no quarto.
- Ué, nós vamos participar... – Melissa contava animada, quando de repente sentiu uma mão fria tampar-lhe a boca.
- É que muita gente vai e amanhã não vai ter nada pra fazer, daí vai ser um tédio por causa disso, né Missy? – interrompeu Roxane, tirando lentamente a mão da boca dela.
- É? – olhou confusa e Roxy disfarçadamente piscou para ela – Ah, é sim! – sorriu.
- Ah, eu queria é competir, to pouco me importando com o que vou fazer amanhã – lamentou Andressa, parecendo triste.
A campainha novamente soou forte e Melissa sorriu maliciosa, logo descendo as escadas.
A porta foi aberta e ao ouvirem vozes masculinas, Roxane e Andressa desceram.
Chegando ao andar de baixo, se entreolharam ao ver Melissa abraçada com Sean e Matheus do lado de fora, esperando para entrar.
- Sean? – Roxy arregalou os olhos - O que é isso? É festa agora? – Pensava incrédula com o que via.
Andressa olhou-os com um sorriso animado, porém seus olhos expressavam tristeza.
Os garotos entraram e ela seguiu para cumprimentá-los.
Melissa não parava de sorrir e olhar para Sean, já Roxane permaneceu parada no último degrau da escada, estava paralisada.
- Não estão todos da banda aqui... – pronunciou-se Matt, olhando ao redor.
- Banda? – Perguntou Andressa.
- É – respondeu sem olhá-la, queria mesmo saber onde Geri estava.
- A Geri não quis vir, falou que não ia sair sexta à noite com “crianças” – disse Melissa imitando a voz prepotente da ruiva.
Todos riram, a não ser Matt que olhou pro corredor, deparando-se com Roxy caminhando devagar até eles. Olhou-a dos pés a cabeça e deu um sorriso debochado. Roxy odiava aquele olhar sarcástico do garoto.
- Oi! – o cumprimentou mostrando-lhe o dedo do meio.
Ele não respondeu, virou o rosto e fingiu prestar atenção na conversa de Sean e Melissa.
Enfurecida, Roxane passou por ele o empurrando de propósito. Matt cambaleou para trás, encostando com as costas na parede, derrubando um quadro. Mas antes que ele caísse e quebrasse ao tocar o chão, Matt o pegou no ar, imediatamente o pendurando de volta.
- Ê desastrado, não vai destruir a casa da menina – Sean deu um tabefe na cabeça do amigo.
Roxy riu e passou a mão pelas costas do amigo, abraçando Sean. Ele apoiou o braço sobre o pescoço da garota e sorriu enquanto Missy os conduzia até a sala de estar, onde todos ficariam enquanto ela pediria uma pizza.
Na sala, Roxy jogou algumas almofadas no chão, sentou-se em uma e apoiou as costas no pé do sofá. Sean fez o mesmo, seguido por Matt. Apenas Andressa sentou-se no sofá, colocando as mãos no joelho.
Estava tímida e nada a vontade com aquela situação – ela não conhecia os garotos e sua única amiga ali era Roxy.
Melissa subiu e pegou uma roupa ousada em seu guarda roupa, logo seguindo para o banheiro e carregando consigo sua pochete cheia de maquiagens.
Sean e Matheus conversavam e Roxane apenas acompanhava a conversa dos dois, se intrometendo em todos os assuntos. O telefone tocou estridente e Melissa gritou do banheiro: - Alguém atende aí, please!
Andressa se levantou e foi atender, já que as outras pessoas presentes na sala nem sequer ouviram o toque.
– Alô? – Atendeu.
- Missy? – Perguntou uma voz masculina e gentil do outro lado da linha.
- Espera! – A menina colocou a mão sobre o bocal do telefone, mas ainda dava pra se ouvir a voz fina de Melissa gritar: – Fala que tô ocupada, Andressa!
- Ela ta ocupada agora, liga depois... – informou Andressa, entediada.
– Andressa? – Fora interrompida pela pessoa ao telefone.
- Sim, quem é? – quis saber, franzindo a testa.
- É o Derick – respondeu entusiasmado.
A jovem abriu um sorriso: – Derick! – sem querer, exclamou escandalosa, despertando a curiosidade de Roxane, que despercebida se levantou e foi até a amiga.
- Ei, quer sair comigo? - convidou-a meio sem graça.
- Mas e a Ping? – Andressa tinha que fazer essa pergunta, não dava pra evitar.
- Ela ta muito ocupada com as amigas dela, por causa da competição de amanhã... – disse rápido, estava óbvio que ele não queria falar sobre a namorada.
- Ah, então ta, eu topo sair! – Andressa mudou de assunto, com medo que o garoto não fizesse mais o convite – Me pega aqui na casa da Missy?
No mesmo instante Matt e Sean se aproximaram, assustando Roxane com um simples “bú” já que a garota estava atrás da parede espiando a amiga ao telefone.
Eles riram e Derick pôde ouvi-los:- Quem tá aí?
- Ah, a Roxy, o Sean... E outro guri que não conheço – ela os olhou, pedindo silêncio.
- Nem me convidaram... – sussurrou Derick, sentindo-se excluído. Ele calou-se no telefone.
- Derick? – chamou a garota após um tempo.
- Oi... – respondeu quase sem voz – Então, faz assim, me espera do lado de fora da casa, porque eu moro perto e em dois minutos tô aí – desligou, sem a deixar responder.
Andressa colocou o telefone no gancho e olhou para Roxy:- Eu vou sair com o Deriiiiiiiick! – ela agarrou a amiga pelo pescoço.
- Meus pêsames – disse Sean.
Roxy riu e Andressa a soltou: - Que pêsames o quê menino! É muita sorte, isso sim! – Afirmou enquanto se olhava num espelho pequeno, o qual costumava carregar em seu bolso.
Andressa ajeitava o cabelo e sorria abertamente – sua felicidade se captava através daquele sorriso largo, espontaneamente animado.
Ela saiu porta afora e Roxy entrou em transe, não sabia se ria ou se chorava. Era engraçado ver Andressa tão afobada por sair com Derick, porém, por outro lado, talvez Roxane estivesse do mesmo jeito se ele tivesse a convidado.
A campainha tocou, fazendo Roxane voltar de seus pensamentos.
- Hoje é dia dessa campainha tocar, hein – comentou Melissa enquanto descia apressada e cuidadosa degrau por degrau da escada.
A pequena havia mudado de roupa. Vestia uma saia e seus pés calçavam um par de sandálias de salto alto.
Ela atravessou o corredor sem perceber os olhares diretos dos garotos, principalmente de Sean. Mais um pouco e ele precisaria de um babador.
Roxy suspirou entristecida por Andressa e Derick e seguiu para a sala, deixando a amiga abrir a porta.
- Boa noite. Aqui que pediram pizza? – Perguntou um rapaz gordo, sentado em uma moto.
Ele secou Melissa com os olhos e Sean irritou-se:
- Ah- hã! – adiantou-se para respondê-lo.
- Vinte um e cinqüenta centavos - informou o rapaz, retirando a pizza do maleiro da moto.
Sean caminhou até o portão e a pegou, esperando Melissa chegar com o dinheiro, mas isso não aconteceu.
- Gente... – Melissa estava escorada na porta, com uma cara de choro – meus pais não deixaram dinheiro pra mim, acho que esqueceram – presumiu a não achar o dinheiro no balcão da cozinha – onde seu pai havia dito que deixara.
- Eu não trouxe dinheiro, vim de casa apressada – gritou Roxy, debruçada no sofá.
Sean não disse nada e todos olharam para Matt, na última esperança.
Ele rolou os olhos e apanhou a carteira do bolso: - Eu pago, seus pobres... – atenuou dando o dinheiro a Missy.
- Obrigada – ela sorriu sem graça e caminhou até o portão, logo pagando ao motoqueiro que continuava com os olhares indevidos para as pernas dela.
Assim que o mesmo deu partida na moto e seguiu seu rumo, Matt foi para a sala, deixando o casal sozinho no quintal da casa.
- Você viu como ele te olhava? Que cara de pau! – comentou Sean, entrando na casa.
- Olha quem fala – ela riu e fechou a porta.
- Como assim olha quem fala? Eu não sou cara de pau! – defendeu-se o baterista.
Chegando à sala, Melissa e Sean se depararam com Matheus e Roxy brigando pelo controle remoto da televisão.
- Matt, sai pra lá, eu peguei primeiro e quero ver os clipes da MTV! – estrilava Roxy, nervosa.
- Aiin Matt, peguei o controle, me devolve... – zombava o garoto, imitando a voz histérica da garota e segurando o controle no alto, para que não pudesse pegar.
- Seu grosso! – bradou.
- Sua revoltada! – revidou.
- Dá pra parar de brigar o casalzinho aí? – quis saber Sean, em tom de deboche.
Roxane ficou vermelha de raiva e Matt a olhou, sorrindo malicioso.
- Nem vem! – disse, enojada.
- Relaxa ô, eu nunca ficaria com você – entregou-lhe o controle.
Roxy o puxou agressivamente das mãos de Matt e rolou os olhos. Ela realmente odiava aquele garoto.
- Missy, sua safada! – exclamou em voz alta ao ver a amiga pegar praticamente toda a pizza para ela.
- O que eu fiz? – perguntou a pequena, devolvendo o prato a mesa.
Todos a olharam e riram, Melissa era tão fofa quando ficava sem jeito.
- Querendo comer tudo, não é? – Sean aproximou-se e pegou um pedaço.
- Claro que não, eu tava pegando pra vocês e... – explicava trêmula até levar um pedaço de pizza na cara.
Sean riu junto a Roxy e Matt.
Melissa passou a mão pelos olhos, limpando os pedaços de frango que dificultavam sua visão: - Ah, é assim? Vão ficar rindo? – Passou a mão pela mesinha, procurando pela comida.
Em seguida Roxane parou de rir ao ser agredida com um pedaço de pizza.
Ela riu e correu até a mesinha, seguida por todos os outros.
- Guerra de pizza! – Exclamou Matt, após levar um queijo com calabresa na boca, tacado por Roxy.
A noite foi passando e o clima era ótimo dentro daquela sala. Apesar do frio que o sereno trazia para eles era como se o sol tivesse acabado de nascer.
Divertiam-se como nunca e era incrível a sensação boa que as amigas sentiam quando estavam com aqueles dois idiotas. E tanto Matheus quanto Sean sentiam o mesmo.

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Um comentário:
tadinho do derick D:
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